É preciso desacelerar a rotina das crianças: parte 2

(*) Papo de Pracinha

texto_proprioEstamos verdadeiramente atentas e preocupadas com o que os adultos vêm fazendo com e pela vida de seus filhos e filhas, as vezes com muito esforço, em nome do “sucesso” futuro, na vida adulta.  Em sociedades altamente competitivas como a nossa, há quem acredite que a criança deva se “preparar para o futuro”, para o mundo do trabalho e, nesses casos, não basta a escola. As crianças acabam frequentando muitas outras atividades para desenvolver um conjunto variado de habilidades e, tudo indica que quanto mais cursos a criança frequenta, aparentemente mais bem preparada ela estaria. Será?

A contrapartida mais imediata é que muitos pais se julgam melhor avaliados pelo tamanho do investimento que fazem no futuro de seus filhos. Isso é bom para esses pais? E para seus filhos e filhas?

E nesse ritmo frenético há, ainda, uma relativa valorização daquelas escolas que antecipam a educação formal, que exigem de crianças com 3, 4, 5 anos, a “exercitação e o aprendizado”, com muitas aspas, do que seria a leitura, a escrita e as noções matemáticas, quase sempre desprovidas de sentido para elas. Roubam-lhes, assim, seu tempo de correr, pular, brincar, descobrir e explorar livremente o mundo, junto com seus pares!

Por que insistimos em certos comportamentos e crenças?

Sabe-se que a brincadeira infantil, livre, sem o controle dos adultos foi bastante esquecida e desvalorizada por muitos longos anos. O fato de ela não depender de objetos específicos, já que tudo pode ser transformado em brinquedo, e nem de um espaço próprio, porque as crianças criam e constroem espaços e tempos de brincar sem obedecer às regulações do mundo adulto, gera uma compreensão de que brincar é algo “inútil e improdutivo” (?). E tem mais, como as brincadeiras escapam ao controle e à previsibilidade dos adultos, porque elas valem por si e não por qualquer outro produto ou resultado que possam produzir, de novo, ficam fora do ranking das atividades saudáveis, produtivas e necessárias para a vida das crianças. Argh!

Isso tudo tem origens remotas que vêm de séculos atrás.

 Um pouco dessa história:

Para entender essa história precisamos chegar ao filosofo grego Platão, que viveu provavelmente de 427 A.C. a 347 A.C. e que influenciou consideravelmente a filosofia ocidental, e também a educação. Suas ideias deixaram resquícios que podem ser vistos até hoje, por exemplo, o fato de a INFÂNCIA não ter características próprias e, por isso, ser vista apenas como um pilar antecipatório para a vida adulta(?). Essa visão “futurista” e ultrapassada de criança só considera as suas possibilidades como um ser em potencial, em um momento futuro, como adulto/a. Assim, as crianças não eram compreendidas como sujeitos que tinham uma vida ativa e rica em experiências no presente. Será que há ainda quem pense assim?

O fato de elas não serem valorizadas como crianças, no presente, também tinha apoio nas ideias de Platão, que as entendia como seres inferiores e via a infância, nesse viés, como uma fase inferior, menos importante que a fase adulta.  Será que já superamos essa antiga concepção?

Para completar, pela impossibilidade de agirem sobre e na pólis, origem da palavra política, Platão entendia a criança como “um outro desprezável, um excluído”, de quem se esperava que fosse vencida e domada pela Educação  (Kohan, 2003).  Não viria daí o fato de que hoje, ainda, a frequência às instituições de Educação Infantil funcionar muitas vezes como pano de fundo para a “socialização desses seres selvagens e desprezáveis” para aprenderem o jogo das regras sociais?

E, se a infância era vista como uma possibilidade futura, a educação funcionaria como uma ferramenta para moldar as crianças.  Alguém ainda acredita nisso?

Onde estão as alternativas?  

  • Na afirmação da criança como um sujeito de direitos, como produtora e consumidora de cultura, garantindo-lhes o direito de brincar. Para que se constituam como sujeitos únicos, sensíveis, criativos e expressivos, as crianças precisam imaginar e fantasiar em contextos de brincadeira livre. Isso é um direito e uma necessidade para viverem plenamente como crianças que são. Brincar, imaginar e fantasiar vem a ser o modo próprio como as crianças experimentam o mundo, como entendem esse mundo, como elas se entendem como parte dele e, também, como melhor expressam o que pensam, sentem e imaginam. Brincar favorece a construção de valores como a solidariedade e a parceria, o respeito às diferenças e aos “outros jeitos” de viver, de ser e de sentir.
  • Na formação de professores de crianças valorizando a brincadeira e defendendo sua importância como um direito delas, de poderem brincar livremente, com outras crianças e com adultos, em casa, nos espaços da cidade e também, em instituições de educação infantil. Não deve haver limites para o brincar e para a brincadeira que é, na verdade, a atividade essencial das crianças.
  •   Num comportamento crítico e reflexivo de pais e das famílias sobre o que desejam verdadeiramente para a vida de seus filhos, cientes de que quando elas são impedidas de brincar não há como retomar esse processo, que só pode ser vivido por elas, em situação de liberdade, se possível em contato com a natureza, e sempre com o apoio dos adultos.

 

(*) Angela Borba e Maria Inês de C. Delorme

É preciso desacelerar a rotina das crianças!

(*) Papo de Pracinha

texto_proprioEscola – natação – futebol – ginástica olímpica – inglês etc. etc. Que atividades temos hoje, antes (ou depois) da escola?  Corre pra cá, corre pra lá, “se arruma rápido senão vai chegar atrasado!”, “hoje não dá tempo de brincar, tem natação”…  No final do dia, crianças exaustas, muitas vezes estressadas.

O que leva os pais a encherem os horários das crianças no contraturno escolar, cada vez mais precocemente, com inúmeras atividades? Em nome de quê organizam assim a vida das crianças? O que pretendem com isso? Que implicações isso traz? Como medir o que é bom ou não para as crianças? Será que sobra tempo e espaço para elas escolherem o que querem fazer? Como fica o tempo de brincar? E o direito de não fazer nada, de não ser dirigido pelo adulto? 

As crianças estão tendo o seu tempo de brincar roubado

 O filme “A invenção da infância”, dirigido por Liliana Sulzback, apresenta depoimentos de crianças e adultos de diferentes e desiguais realidades brasileiras: de um lado, nas famílias de baixo poder aquisitivo e em contextos onde o índice de mortalidade infantil é altíssimo, crianças que trabalham desde cedo para garantir a sobrevivência, perpetuando o ciclo da pobreza e da miséria; de outro, pertencentes a famílias com melhores condições financeiras e que investem na educação dos seus filhos, crianças que assumem inúmeras responsabilidades no cumprimento de uma série de atividades extraescolares, escolhidas pelos adultos em função de seus ideais sociais: cursos de línguas, balé, natação, tênis etc.  O primeiro grupo de crianças expõe-se muitas vezes a riscos e condições inadequadas, cumprindo uma rotina pesada, enquanto o segundo grupo compromete-se com diversas atividades, que ocupam seu tempo semanal, com uma carga horária puxada. Em que pesem as profundas desigualdades entre os dois grupos no que se refere ao acesso à saúde, educação, habitação e aos bens culturais, há algo comum na vida de todas essas crianças: o tempo que lhes é roubado de ser criança, de viver com plenitude a infância!

O trabalho infantil, proibido pela Constituição Federal, é um problema gravíssimo que enfrentamos no nosso país e precisa ser erradicado o quanto antes. A idade mínima para o trabalho é de 16 anos, sendo permitido, entretanto, que aos 14 anos o adolescente seja aprendiz. Uma série de estudos e pesquisas têm mostrado os prejuízos que o trabalho infantil traz para a vida de uma pessoa. Mas esse é um tema para discutirmos em outro momento. Hoje, queremos falar da realidade que afeta esse segundo grupo de crianças: agendas semanais lotadas e infâncias institucionalizadas.

Agendas lotadas: em nome de quê?

Há um discurso presente na nossa sociedade competitiva de que a criança precisa se preparar para o futuro, para o mundo do trabalho e, para tanto, não basta a escola, é importante que ela frequente outras atividades para desenvolver um conjunto variado de habilidades.  É aí que entram os cursos de línguas, o esporte, o balé, entre outras possibilidades, compondo essa formação, supostamente “ampla”. Quanto mais cursos, aparentemente mais bem preparadas estariam as crianças. Será?

Junta-se a isso, a opção de muitos pais por escolas que antecipam a educação formal, demandando das crianças, ainda pequenas, com 3, 4, 5 anos, permanecerem a maior parte do tempo paradas realizando atividades relacionadas à aprendizagem da leitura e da escrita, bem como de noções matemáticas, muitas vezes, totalmente desprovidas de sentido para elas. Roubam-lhes, assim, seu tempo de correr, pular, brincar, descobrir e explorar livremente o mundo, junto com seus pares!

Sabemos que muitas instituições chegam a diminuir o tempo de “recreio” para garantir mais tempo para a “grade curricular. Não estamos querendo dizer que atividades estruturadas não sejam importantes para as crianças. Mas elas não podem impedir o tempo do brincar livre! Brincar sem a direção do adulto, contribui para a autonomia das crianças, que aprendem a fazer escolhas, avaliar os riscos de seus movimentos e ações, descobrir seus limites e possibilidades.

Os pais frequentemente se apoiam no discurso do investimento na formação dos filhos, de querer dar o melhor para eles. Mas o que é melhor para as crianças? É disso que as crianças precisam? Ou essa é uma forma de os pais compensarem o pouco tempo que compartilham com os filhos? Ou de se projetar nos filhos? (Já vimos pais em competição de natação dizerem para os filhos quando não correspondem a suas expectativas: “Você não é meu filho!”).

Por que é retirado da rotina das crianças, cada vez mais cedo, o tempo da brincadeira, o tempo livre?

Brincar é uma necessidade essencial na vida das crianças

 O brincar é o principal modo pelo qual as crianças interagem com o mundo, contribuindo para o conhecimento de si mesmas, para o estabelecimento de relações e vínculos com outras pessoas, adultos e crianças, e para o conhecimento da realidade a sua volta, constituindo uma dimensão fundamental no desenvolvimento e na formação cultural das crianças. Desenvolve a imaginação, a criatividade e muitos outros aspectos cognitivos, físicos e emocionais.  Mas parece que, aos olhos dos adultos, a brincadeira, que não é propriamente uma atividade “produtiva”, cujos resultados possam ser medidos, é algo menos valorizado na agenda das crianças. A brincadeira se restringe ao tempo que sobra em meio a uma grade horária lotada, cheia de compromissos e responsabilidades.

É preciso garantir o direito à brincadeira, se não queremos produzir crianças estressadas precocemente e com déficits acumulados: de natureza (brincar ao ar livre promove o contato da criança com a natureza), de criatividade, de imaginação, enfim, de felicidade!

Não fazer nada não é perda de tempo

O não fazer nada ajuda a gerar ideias, coloca a mente em movimento criativo, incentiva a imaginação e a curiosidade, permite o conhecimento de si mesmo. Como ter espaço para a criação, a invenção de brincadeiras, se o tempo da criança estiver totalmente regrado, institucionalizado, ocupado com atividades dirigidas? A rotina acelerada das crianças vai criando ansiedade, muitas vezes, levando-as a demandarem atividade atrás de atividade, mesmo no tempo em que poderiam estar livres. É comum vermos crianças que mal encerram um programa no final de semana, quererem emendar outra atividade. Ao sair da casa de um amigo com quem passaram o dia, imediatamente perguntam aos pais: quando chegarmos em casa posso ver um filme na televisão? Posso jogar no tablet? Posso chamar um amigo (vizinho) para brincar comigo?

É importante incentivar a criança a brincar sozinha desde cedo, a buscar fazer coisas de que goste, a fazer suas próprias escolhas, a motivar-se, a criar novas brincadeiras.

Assim, convidamos vocês a se juntar a nossa campanha por mais natureza e mais tempo de brincar livre na vida das crianças! Precisamos desacelerar a rotina delas, proporcionando-lhes mais experiências de brincadeira, de fruição, de exploração dos elementos da natureza através do corpo e da imaginação! Junto com isso, também não podemos nos esquecer: menos tempo de eletrônicos! As tecnologias digitais estão aí para serem usadas, é claro, as crianças também aprendem e se divertem com elas, mas usá-las por tempo prolongado, tira das crianças a energia criativa que as impele a brincar e buscar novas experiências lúdicas. E mais: nós também, adultos, pais, avós, babás, titios e titias precisamos desligar nossas telas temporariamente para poder compartilhar de forma mais inteira o tempo em que estamos com as crianças! Vamos, também nós, desacelerar?

(*) Angela Borba e Maria Inês de C. Delorme

Bora lá brincar na Lagoa? Conheça o evento!

Você já pensou em levar sua criança a se divertir ao ar livre? E se nessa área, você tivesse a oportunidade de contar com atividades muito criativas e interessantes, capazes de incentivar mais ainda o contato com a natureza e a sustentabilidade por meio de brincadeiras únicas e divertidas?

Então, ótimo! Porque é exatamente isso que o evento “Bora lá brincar na Lagoa” propõe. Um espaço para que crianças interajam, se relacionem e aprendam sobre o universo a seu redor.

O que se vê muito hoje, infelizmente, é a falta de crianças brincando ao ar livre. Pais muito ocupados, crianças com agendas lotadas e uso exagerado de televisão, tablets e smartphones acabam impedindo que as crianças brinquem livremente na natureza.

Por isso mesmo você precisa conhecer o evento “Bora lá brincar na Lagoa”. Sua proposta é oferecer brincadeiras  gostosas para crianças e pais se divertirem juntos.

Programação do evento Bora lá: brincar na Lagoa

O evento ocorrerá na Lagoa Rodrigo de Freitas, Rio de Janeiro, das 9h às 13h, em 29 de outubro, sábado.

A programação está repleta de atividades que associam materiais presentes na natureza, como terra, águia, grãos, sementes, folhas, gravetos, texturas à imaginação, liberdade e criatividade das brincadeiras das crianças. Brincar na natureza permite conhecer e passar a respeitar e a cuidar dos ambientes naturais.

Como se isso não fosse o bastante, as crianças poderão brincar com tecidos, bambolês, pescaria e bolha de sabão de mil tamanhos diferentes. Há também um espaço destinado às leituras, com livros e almofadas para que todos fiquem confortáveis.

O evento contará com as fantasias produzidas pela Elefoa, para encantar as crianças. Lá todo mundo pode ser o que quiser. E que criança não quer?

As atividades não param por aí. Haverá um cantinho para os bebês, com tapetes confeccionados pela Miüdo, e materiais sensoriais para que os bebês explorem e se encantem mais ainda com o mundo.

E, como não poderia faltar, haverá uma vivência musical, com Bebel Nicioli, da Brincadeiras Musicais, para tornar essa manhã ainda mais mágica e especial.

Onde, na Lagoa?

Quase em frente aos Pedalinhos. Bem na altura do Parque Municipal da Catacumba, que oferece uma passarela para a Lagoa. Perto também do Palaphita Kitch. Onde houver criança e muita alegria.

Leve as crianças e se divirta junto!

O evento Bora lá brincar na Lagoa é uma excelente alternativa de tirar as crianças de casa e propor um passeio diferenciado, muito mais natural, divertido e simples. Aliás, os materiais utilizados serão sustentáveis, o que também promove a conscientização acerca da preservação do meio ambiente.

Tendo como cenário a paisagem incrível da Lagoa, ainda por cima, será um ótimo espaço para curtir com toda a família, não acha?!

Então, acesse agora mesmo a página do evento Bora lá brincar na Lagoa!

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8 brincadeiras ao ar livre

Papo de pracinha (*)

1444722355_88 Em tempos de tantas tecnologias ao alcance das crianças, é cada vez mais comum que elas passem grande parte do seu tempo livre, que já é pouco, emparedadas dentro de suas casas. Sem falar, no emparedamento que também acontece nas escolas, espaços muitas vezes limitados e áridos, ausentes de natureza. Nesse contexto, ir para fora de casa, passear pela cidade, brincar livre e na natureza, em parques, praças, praias etc. é hoje uma prescrição para a saúde e a felicidade das crianças. Nós, adultos, precisamos desfrutar mais do convívio com as crianças na natureza! Interagir com terra, areia, árvores, plantas em geral, bichos, flores etc. nos aproxima da vida, nos torna mais sensíveis, nos traz maior conexão com nosso ser interno e com as nossas crianças. Que tal experimentar incluir mais atividades ao ar livre em família! Aqui vão algumas sugestões de brincadeiras que podemos fazer em praças, parques, ruas fechadas, entre outros espaços públicos abertos.

  1. Contar histórias à sombra de uma árvore – leve uma canga, esteira ou algo semelhante, encontre uma posição confortável e desfrute da leitura de um bom livro junto com sua(s) criança(s).
  1. Passear pelo parque, levando uma bolsa ou um cesto, observar a natureza e coletar sementes, folhas, flores, gravetos, pedrinhas etc. Após a coleta, pode-se organizar o que foi encontrado em pequenos potes ou saquinhos, fazer uma produção artística usando esses materiais naturais, ou então seguir a sugestão da criança.
  1. Fazer bolhas de sabão.
  1. Montar uma cabaninha, usando tecidos amarrados em árvores.
  1. Desenhar no chão com gravetos ou giz.
  1. Brincar de amarelinha, corda, pique (pique árvore, por exemplo), entre outras possibilidades de brincadeiras tradicionais.
  1. Brincar de fazer comidinha, com areia/terra, panelinhas, potinhos, colheres, pás etc.
  1. Brincar de cientista, explorando a natureza com uma lupa.

Conte-nos também suas ideias e as de suas crianças!

(*) Autoras: Angela Meyer Borba e Maria Inês de C. Delorme

Crianças e adultos: um relógio, vários tempos.

Papo de Pracinha (*)

1444722355_88O tempo corre, cada vez mais rápido! É essa a sensação que temos hoje. Quais as razões disso? Suspeitamos de algumas: o volume de informações ao alcance dos nossos olhos e ouvidos e, ao mesmo tempo, impossíveis de serem apropriadas como gostaríamos;  o número de tarefas a serem cumpridas no nosso cotidiano e no trabalho nos fazendo chegar ao final do dia com algumas, ou muitas, ainda por fazer, com a sensação de dívida permanente; a rapidez e a quantidade de mensagens e e-mails que chegam a todo minuto nas telas dos nossos celulares, criando-nos cada vez mais demandas; a falta de tempo para o ócio, o lazer e a convivência em família, especialmente com as nossas crianças.

E as crianças, como sentem e vivem o tempo? Como esse “tempo contemporâneo” afeta a as suas vidas? E nós, adultos, como nos relacionamos com as crianças em relação ao tempo? Respeitamos o seu tempo? Ou impomos-lhes o nosso tempo, o ritmo veloz do nosso dia-a-dia?

Os gregos nos ajudam a pensar sobre a questão do tempo. No grego clássico, há mais de uma palavra para se referir ao tempo. Chronos significa a continuidade de um tempo sucessivo, designando o tempo físico, aquele que pode ser medido. Outra palavra é Kairós, que significa ‘medida’, ‘proporção’, e, em relação com o tempo, ‘momento crítico’, ‘temporada’, oportunidade (Kohan, ….).  A terceira palavra indica um caminho para pensarmos essa relação entre a criança e o tempo:  Aión, que significa a intensidade do tempo da vida humana, uma temporalidade que não pode ser medida, que segue outra lógica, não a da física. Heráclito disse que Aión é uma criança que brinca, seu reino é uma criança. Ora, sabemos que o brincar é central na vida das crianças, pois é o modo principal pelo qual conhecem o mundo e a si mesmas. Assim, podemos dizer que o brincar é a “medida de tempo” das crianças, correspondendo à intensidade com que elas exploram livremente os objetos, a natureza, os espaços, experimentando e inventando novas arrumações e significados para o mundo. Durante a brincadeira, a vida cotidiana fica entre parêntesis e se impõe um outro tempo, o tempo da imaginação, da sensibilidade, da experiência de transformar o que está ao redor.

Nós, adultos, interrompemos a todo momento as brincadeiras das crianças, desfazendo essa intensidade, provocando-lhe o sentimento de que a sua brincadeira durou pouco e que ela queria mais e mais e mais… Vem tomar banho, anda logo senão vamos chegar atrasados na escola, entra no carro e fica quietinho na cadeirinha, tá na hora de comer, anda, come rápido, vem dormir, já é tarde… e as crianças: Ah, mas já?; não quero;  peraí; mas todo dia tem creche? ; deixa eu brincar só mais um pouquinho… Palavras cotidianamente pronunciadas por adultos e crianças e que revelam o descompasso entre o modo como vivem o tempo. Chronus x Aión?

Carlos Drummond de Andrade traduz muito bem esse descompasso, no seu poema “Brincar na rua”. Vejamos a primeira estrofe:

Tarde?
O dia dura menos que um dia.
O corpo ainda não parou de brincar
e já estão chamando da janela:
É tarde.

Será que podemos olhar com um pouco mais de atenção esse tempo das crianças? Quantas imposições lhes fazemos, desde que nascem,  para que se enquadrem em um tempo que não é o delas? Vejamos: quando instituímos que elas devem mamar de três em três horas; quando ‘treinamos’ o seu sono com técnicas que programam um tempo progressivo para que fique no berço sozinha (mesmo que chore) até que se acostume a dormir sozinha e a noite inteira; quando as instituições de educação infantil programam  os tempos de atividades de desenhar, brincar, dormir, comer, tomar banho, sem que sejam respeitados os tempos próprios das crianças; quando enclausuramos as crianças em casa, não permitindo que experimentem o tempo da liberdade do brincar e do contato com a natureza; etc. etc. etc.

É claro que não podemos fugir de muitos desses enquadramentos. Temos nossos compromissos e nossa rotina de trabalho, que precisam ser cumpridos, e é importante que a criança se adeque ao cotidiano da família.  A criança, por sua vez, também necessita ter uma rotina, que lhe dê segurança, indicando-lhe onde está, com quem está, o que está por vir etc, ajudando-a a se organizar e a situar-se no mundo. Mas é preciso que essa rotina não seja para ela uma camisa de força e que contemple também seus desejos e modos de ser e fazer. As rotinas das crianças precisam garantir o livre brincar e o falar e ser escutada.  Precisamos aumentar esse tempo aión, para que as crianças sejam felizes.

E mais! Nós, adultos, também precisamos viver mais esse tempo da intensidade e da experiência: contemplar a natureza, ir à praia, viajar, conversar com amigos, ir ao cinema, ler um bom livro, passear pela cidade, não fazer nada… Sem esquecer que brincar com as crianças ao ar livre, explorar e sentir a natureza, ocupar a nossa cidade é um caminho para vivermos esse outro tempo. Já pra pracinha todo mundo! É tempo de brincar!

(*) Autoras: Angela Meyer Borba e Maria Inês de C. Delorme

Olimpíada do Rio: onde estão as crianças?

Papo de Pracinha (*)

1444722355_88A cidade vem sorrindo e acolhendo moradores e visitantes. Os dias têm sido bonitos, em sua maioria, com sol e brisa. Os jogos têm sido um sucesso. Há paz, muitas cores e alegria pelas ruas.

E as crianças da cidade, onde estão?  No que se refere à organização da Olimpíada, pode-se dizer que elas tenham lugar garantido nos jogos, no colo dos pais, sem pagar ingresso, até os dois anos de idade. Daí em diante, com comprovante da creche ou da pré-escola, podem pagar apenas meia entrada.

No entanto, as creches, pré-escolas e escolas públicas da cidade não estão funcionando durante os jogos e as particulares, em alguns casos, em horário reduzido ou apenas para aqueles que em geral são do horário integral. E os pais, em sua maioria, trabalhando, com exceção feita para os funcionários públicos e para algumas empresas, em função da localização, eventualmente com horário diário alterado.

A tarefa cidadã de envolver as crianças nos esportes olímpicos e na vida da cidade ficou restrita às instituições educativas, e não chegou a preocupar a equipe organizadora do evento. Com isso, e mais uma vez, deixou para elas a possibilidade pouco interativa de acompanhar os jogos pela televisão, com mais opções para aqueles que têm acesso à tevê à cabo. Tal como se fossem estrangeiras em sua cidade.

Embora isso não preocupe aos organizadores e, talvez, nem a maioria dos adultos, a cidade maravilhosa e olímpica também pertence a elas, as crianças cariocas e brasileiras.

O que elas têm feito nesse período para acompanhar a Olimpíada e saírem do empareda-mento de suas casas, nesses dias olímpicos ensolarados?

Que legado se pode dizer que a Olimpíada carioca tenha deixado para as crianças? Talvez apenas as moedinhas de um real com os esportes olímpicos e as mascotes nela impressas porque um boné, o boneco Tom e o Vinicius, por exemplo, não têm preço acessível à maioria das crianças cariocas.

(*)Autoras: Angela Meyer Borba e Maria Inês de C. Delorme

Crianças na pracinha já!

As agendas lotadas e o emparedamento das crianças não favorecem desenvolvimento e aprendizagem felizes. Pés descalços, sol e sombra devem fazer parte do cotidiano das crianças. Já pra pracinha, todo mundo! Tem quem pense como nós, essa semana no Papo de Pracinha. Em entrevista ao Jornal O Globo, em 02/08/16, Christiana Cabicieri Profice, diz: Crianças precisam ficar à toa. Vamos saber mais sobre o que pensa a psicóloga ambiental? Clique aqui ou leia abaixo a matéria transcrita.


por Márcio Menasce

Christiana Cabicieri Profice, psicóloga: ‘Crianças precisam ficar à toa’.

Especialista em Psicologia Ambiental, professora da Universidade Estadual de Santa Cruz (BA) veio ao Rio para realizar palestra em seminário da Uni-Rio

“Tenho 44 anos, sou carioca, mas saí do Rio aos 21 anos, assim que me formei em Psicologia. Fiz mestrado em Psicologia Clínica e Patológica na Université Paris Descartes, em Paris, depois em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente, na UESC (2006), e doutorado em Psicologia Social na UFRN.”

Conte algo que não sei.

Precisamos da interação com outros animais e plantas para que nos tornemos humanos.

Que problemas têm crianças sem contato com o meio ambiente?

Partimos de um conceito que é da Psicologia Ambiental: o da biofilia. Ou seja, nós, humanos, temos apego a tudo que é vivo. Crianças bem pequenas, quando vão à praia, enchem a boca de areia. Todo humano tem isso, mas quando essa biofilia não é estimulada acontece o que chamamos de déficit de natureza.

E qual a consequência?

As crianças que têm esse déficit não conseguem realizar seu desenvolvimento plenamente. Elas não se tocam pelo sofrimento dos outros seres. Daí partimos para a indiferença. Hoje, as crianças bebem o leite da caixa, mas não sabem que vem da vaca. Há casos piores, em que, em vez de desenvolverem biofilia, as crianças acabam tendo biofobia. Têm medo de tudo que se mexe, de tudo que é vivo. Essas crianças não conseguem ficar descalças na areia, ou na terra, ficam em pânico nessas situações.

O que as impede de ter esse contato com a natureza?

No Rio, a Zona Sul é privilegiado, com praias, Jardim Botânico, mas muitas coisas têm dificultado o acesso à natureza. A violência urbana é uma delas. Hoje, passear nas Paineiras e na Vista Chinesa, por exemplo, é arriscado. Você não fica tranquilo para sentar, ler seu livro e deixar seu filho brincar. Nas periferias, é ainda pior. Os pais não deixam as crianças brincarem nas ruas, porque temem uma bala perdida, ou mesmo que acabem em contato com o tráfico de drogas.

E o papel da escola?

A escola é a grande responsável pelo emparedamento das crianças. Elas têm um cotidiano superatarefado. Estudam, vão ao balé, ao curso de inglês. No fim do dia, estão esgotadas. Crianças precisam ficar à toa. Como elas passam a maior parte do tempo na escola, esta deveria ser a instituição a propiciar um maior contato com a natureza. Pelo menos nas escolas públicas, porém, quando se fala num passeio no parque, é um problema. Não há transporte, dinheiro ou acompanhante para o grupo; os pais não querem autorizar porque têm medo da falta de segurança.

Como chegou-se a esse ponto?

É todo um contexto social. Entra aí a jornada de trabalho dos pais, que não permite que eles fiquem com os filhos. É uma grande diferença que vejo na cultura indígena, onde os pais são mais presentes. No Brasil, a questão da violência influi muito. Nas periferias, mães saem para trabalhar e deixam os filhos trancados em casa. Pode-se ver aí uma perversidade, mas essa mãe não pode pagar uma babá, ou uma creche.

As crianças já introjetaram o medo da violência e pararam de questionar os pais?

Há estudos que mostram que as crianças leem a realidade nas feições e no discurso do pais. Se a mãe e uma criança estão perto de uma cobra e a mãe expressa medo, a criança atua quase como um espelho. Também vai se sentir ameaçada. Agora, se a mãe tem uma postura tranquila, a criança também terá.

Muita gente hoje é contrária aos zoológicos. Como pesquisadora na área de educação ambiental, o que acha?

É um mal necessário. Há quase consenso na Psicologia Ambiental que os zoológicos diferentes do modelo tradicional podem estimular o primeiro contato das crianças com outras espécies.

O Globo – Conte algo que não sei – 02/08/2016

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/sociedade/conte-algo-que-nao-sei/christiana-cabicieri-profice-psicologa-criancas-precisam-ficar-toa-19830767#ixzz4GBRz5VWb
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Crianças, ocupem as cidades!

Patricia Werner

Foto: Patricia Werner

Papo de Pracinha (*)

Onde estão as crianças nas cidades? Em que momentos ouvimos suas vozes, risos, choros e brincadeiras? De que forma as cidades refletem, na sua urbanização, a presença das crianças? Que espaços temos para as crianças? Como foram pensados? São efetivamente ocupados por elas? O que elas acham deles?

Nos shoppings, nos finais de semana, com certeza sons e movimentos de crianças estarão ali, em meio ao burburinho típico desses espaços. Mas não estamos falando de espaços fechados, e sim das áreas externas e públicas, que servem não apenas ao ir e vir, mas aos encontros de pessoas de todas as idades, inclusive crianças.

Se prestarmos atenção no cotidiano dos espaços de circulação das cidades, é possível ver uma concentração maior de crianças em horários bem específicos: os de entrada e saída das escolas.  Mesmo assim, muitas crianças, nesses horários, estão em carros ou transportes escolares, opção adotada por muitas famílias de classes economicamente favorecidas.

Nas pracinhas e parques, em dias de semana, também podemos ver a presença de crianças: há um número significativo de bebês de até seis meses, acompanhados de suas mães (que se encontram em licença maternidade), e crianças até seis anos, em sua maioria acompanhadas de babás ou avós e, poucas delas, com suas mães ou pais. Depois disso, parece que as crianças se enclausuram em suas casas ou nas escolas. Nos finais de semana, muda um pouco essa configuração e algumas praças ficam repletas de famílias em busca de atividades externas e livres com suas crianças. Isso mostra que precisamos revitalizar as praças, pois muitos desses espaços estão abandonados ou sem nenhum atrativo que mobilize as pessoas para a sua ocupação.

Tonucci[1] diz: quando nunca encontramos crianças, caminhando ou brincando nos espaços públicos, na semana ou no fim de semana, significa que a cidade está doente e que uma cidade que é boa para as crianças é boa para todos.

Sabemos quais são alguns dos problemas que levam a essa realidade, sobretudo nas grandes cidades: falta de segurança, horários puxados de trabalho dos pais, redução do tempo livre das crianças (e dos adultos também) que têm suas agendas lotadas de atividades, longo tempo de deslocamento de um lugar para o outro, urbanização desordenada, destruição de áreas verdes, invasão dos espaços públicos pelos automóveis, redução e abandono de áreas públicas de lazer coletivas, como praças e parques… São muitos os fatores que nos afastam dos espaços ao ar livre! As cidades pensadas pelos adultos criam cada vez mais possibilidades de se viver sem precisar ir ao exterior. O que vemos são adultos e crianças cada vez mais hipnotizados pelos aparelhos eletrônicos e vivendo a maior parte do tempo em espaços fechados, distantes da natureza.

Mas as pesquisas mostram que precisamos de ar livre e da natureza para termos saúde e felicidade! Para as crianças, brincar na natureza, em espaços públicos, favorece o movimento, a sensação de liberdade, a imaginação, a criação e o  encontro com outras crianças e adultos. O convívio com a natureza ensina à criança o sentido do cuidado e mobiliza sua sensibilidade para a beleza das diferentes texturas, dos cheiros, das cores e das formas ali presentes.

Então pensemos juntos: como as crianças podem ir até a cidade? E como a cidade pode acolher as crianças?

Há algumas iniciativas interessantes por aí. Projetos de caminho escolar estão sendo desenvolvidos em vários países, como EUA, Canadá, Austrália e países da Europa. A ideia é viabilizar que as crianças se movam com segurança e autonomia pelas ruas, passando a usá-las,  desfrutando e se apropriando dos espaços públicos, das cidades onde moram. O projeto Cidade das Crianças coordenado por Tonucci, e que hoje tem a participação de vários países, busca transformar as cidades a partir da escuta e da participação das crianças. São as crianças o principal parâmetro para se pensar a cidade. Uma das maiores reivindicações das crianças é fazer o caminho de ida e volta casa-escola a pé ou de bicicleta, sozinhos e/ou com adultos. Em Buenos Aires, uma das ações do Projeto foi, no lugar de requisitar maior presença da polícia, pedir maior participação dos moradores dos bairros nas ruas, nos horários dos itinerários casa-escola, garantindo maior segurança para as crianças. O resultado foi a redução em 90% dos incidentes criminais contra as crianças. Bacana, não? Experiências como essa, que ocorrem também em outras cidades, elevam a convicção de que a presença das crianças nas ruas torna as ruas mais seguras, além de promover a interação entre pessoas de todas as idades.

            Outro aspecto importante é que, para usufruir dos espaços da cidade, é preciso que a criança tenha tempo livre, tempo para viver a experiência de brincar, a qual envolve riscos, aventura, pesquisa, descoberta, superação de obstáculos, satisfação, emoção, entre outros aspectos. Em Roma, o prefeito, ao receber a reivindicação das crianças do projeto A Cidade das Crianças – de que precisavam de mais tempo para brincar livremente -, enviou uma carta a todas as escolas sugerindo que nos finais de semana e feriados não houvesse dever de casa. Seria uma boa iniciativa em muitas de nossas cidades, não é mesmo? E por que não pedir também para as famílias reduzirem a agenda das crianças, criando tempo livre para elas no seu cotidiano?

As cidades podem fazer muito pelas crianças e por todos nós: inverter a prioridade dada à circulação de automóveis, ampliando as áreas de circulação de pedestres; criar áreas de pedestres; bancos nas calçadas; ciclovias e estacionamento de bicicletas; espaços como Parklets (áreas anteriormente usadas para estacionamento e transformadas em espaços de convívio e lazer), entre outras ações.

Nós, adultos, também podemos fazer muito, tentando criar tempos de relaxamento, suspendendo a pressa, o “anda logo”, “depressa, vamos nos atrasar”, mesmo que seja por pouco tempo. Que tal experimentar passear pela cidade, por alguns minutos com sua(s) criança(s), explorando os espaços a sua volta? Pode ser uma grande brincadeira ver quem vê mais árvores, bueiros, postes, cachorros etc., seja num simples passeio, seja no caminho para a padaria ou para a escola. Que tal redescobrir a natureza que há nas nossas cidades?

Ocupemos a nossa cidade junto com as crianças, ela é nossa, e também das crianças! A cidade precisa se humanizar, precisamos estar nela, usá-la, fazê-la nossa! Uma cidade que é boa para as crianças, é boa para todos nós!

(*) Autoras: Angela Meyer Borba e Maria Inês de C. Delorme

[1] Francesco Tonucci é um pensador italiano, psicopedagogo e desenhista, coordenador do Projeto “La città dei Bambini”, nascido em Fano (Italia) , em 1991. Para saber mais sobre esse projeto, acesse http://www.lacittadeibambini.org

Crianças em férias: tédio? Descanso? Alegria?

Papo de pracinha (*)

1444722355_88É verão, faz calor e as crianças estão de férias da creche ou da pré-escola. Quando os pais conseguem também tirar férias do trabalho e fazer um passeio maior, reunindo a família, essa época pode ser de alegria e de felicidade para todos, mas nem sempre acontece assim.

Na idade que, em geral, homens e mulheres têm filhos pequenos é comum que exista um grupo grande em cada empresa com as mesmas características e demandas. Assim, marcar as férias profissionais junto com as férias das crianças nem sempre é fácil. A empresa não pode parar no verão, dizem os chefes, com as suas razões.

Mas as crianças não escolhem seus períodos de férias e, assim, quase todas as pré-escolas têm férias numa mesma época, embora ainda existam algumas poucas creches que sequer têm férias coletivas, o que pode auxiliar aos pais, mas gera muitos outros problemas para a instituição e às vezes, também, para as crianças.

Todos precisam ter um período de descanso: pais, empregados domésticos, babás, funcionários que trabalham nas creches, nas escolas e professores.

A casa que sitia a creche, ou a escola, precisa de pequenas obras de manutenção e de reparos como pintura, limpeza de caixas d’água, desinfecção, dedetização etc. Pode-se imaginar que as instituições que funcionam direto, sem qualquer período de descanso, como algumas creches, têm o desafio de fazer essa manutenção e os reparos com as crianças presentes, além de ser necessário dar férias aos professores e funcionários durante o período regular de trabalho, ao longo do ano letivo. Isso é muito complicado na dinâmica cotidiana das instituições que trabalham com crianças.

Enfim, embora o termo “férias” indique um “período de repouso necessário para que o corpo humano funcione com toda a sua potencialidade”, eventualmente a administração do período de férias das crianças pode não ser suave nem livre de estresses para os adultos. Há crianças que gostam e querem repousar, quando isso significa quebrar a rotina e não acordar cedo todos os dias, por exemplo. Há aquelas que choram de saudades dos amigos e da escola. Por que será? Continuar lendo Crianças em férias: tédio? Descanso? Alegria?