Escolas “single sex”: por quê, para que e para quem?

(*) Papo de Pracinha

texto_proprioA vida não cabe mais apenas no mundo que se equilibrou, falsamente, durante anos, séculos, entre homens, mulheres e seus dois mundos. Tantas vezes vimos até homens versus mulheres, dependendo da situação e da cultura.

Homens, mulheres, transgêneros, homossexuais e toda a gama de nomes que conhecemos para qualificar pessoas, “gentes” já são restritivas por si sós e o que sabemos é que as dimensões: cognitiva, intelectual, emocional, física etc. podem ser diferentes entre pessoas de mesmo gênero e orientação. Assim, tempos de brincar e ocupação de espaços para meninos e meninas separadamente podem também estar sendo altamente desrespeitosos entre os meninos e as meninas que são todos bastante diferentes entre si.

Nesse viés, não encontramos explicação cientifica nem “humanitária” para a separação das turmas de ensino fundamental por gênero.  Como tendência, denominada “inovadora pelos seus defensores”, vem crescendo nos EUA que não primam por excelência em Educação e, portanto, merece ser melhor avaliada para ser possível defender qualquer tipo de segregacionismo como positivo,  em processos educativos e na vida em geral.

Isto posto e diante de tudo o que temos assistido como degradante em relação ao respeito, à ética, à vida planetária, à solidariedade e ao amor, pedimos que as famílias e a sociedade reflitam sobre “como caminha a humanidade” para lutar para manter ou mudar o que está posto.  Comecemos respondendo às três perguntas iniciais: por quê, para que e para quem.

Leiam abaixo a matéria do O Globo, onde são apresentadas as opiniões de pesquisadores e especialistas sobre escolas que estão optando por separar turmas de acordo com o gênero.


O Globo – por Paula Ferreira em 28/07/017

Especialistas criticam método de ensino que divide alunos por gênero

Tendência de escolas ‘single sex’ se espalha pelo mundo

RIO — Há mais de 40 anos, o Colégio Santa Marcelina, no Alto da Boa Vista, no Rio, decidiu aceitar meninos nas salas de aula antes ocupadas só por meninas. Um pouco depois, há quase 30 anos, o Colégio Militar do Rio aprovou o ingresso feminino em suas classes. Esse movimento em direção a turmas mistas, no entanto, não é uma unanimidade, conforme mostrou O GLOBO na edição de quinta-feira com a história da escola Porto Real, na Barra, que divide os alunos de acordo com o gênero. Especialistas afirmam que a separação dos estudantes é um atraso e implica em uma formação deficiente dos alunos, que não aprendem a conviver com as diferenças.

Com cada vez mais adeptos ao redor do mundo, o modelo que aposta em uma educação personalizada para cada gênero ganhou força nos Estados Unidos a partir de 2002, quando uma lei permitiu que agências educacionais locais usassem fundos públicos — destinados a “programas inovadores”— para apoiar escolas que separavam estudantes por gênero. De acordo com dados da Associação Nacional para Educação Pública Single Sex (Nasspe, na sigla em inglês), criada no mesmo ano da nova legislação, em 2002 apenas uma dúzia de escolas públicas oferecia o serviço. Mas menos de uma década depois, em 2011, pelo menos 506 instituições públicas dos EUA tinham atividades do tipo. E mesmo com a nova norma, essas instituições são alvo constante de ações que questionam o modelo single sex, argumentando que a prática é segregacionista.

CONVIVÊNCIA E CONFLITO

Se, por um lado, os adeptos do método argumentam, principalmente, que ele impulsiona o desempenho dos estudantes, os especialistas defendem que os resultados não são o principal indicador de uma educação bem sucedida.

— O desempenho é apenas uma das dimensões que interessam à sociedade. Mas o que interessa, de fato, é que tenhamos cidadãos que consigam conviver. A convivência envolve conflito, aliança, negociação, dor, alegria. Essa forma de educação vai contra as necessidades de uma sociedade que precisa avançar no tratamento da diversidade — critica Denise Carreira, doutora em Educação pela USP. — Observo que há uma modernização do discurso da segregação. O discurso novo diz “vamos separar, porque assim vamos desenvolver as meninas para as ciências exatas e os meninos para outras áreas”. É uma modernização ancorada na neurociência que acaba alimentando a segregação. O argumento pautado em questões biológicas já foi usado por vários regimes segregacionistas ao longo da História.

A pesquisadora afirma ainda que o surgimento de mais escolas que separam os alunos por gênero está relacionado ao contexto global atual:

— Isso tem a ver com o crescimento do conservadorismo não só no Brasil, mas no mundo. Ao mesmo tempo que muitos setores exigem convivência na diversidade, outros mantêm a intolerância. É um retrocesso.

Fernando Seffner, coordenador da linha de pesquisa sobre Educação, Sexualidade e Relações de Gênero da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), também se posiciona contra a educação single sex.

— Muitos estudos, além de filmes e a própria literatura, mostram que o nível de violência entre os alunos em escolas só de meninos ou só de meninas é maior que na escola mista. Um menino que, por exemplo, não goste de jogar futebol, terá uma chance muito maior de sofrer violência nesse ambiente.

Só na Espanha — país de origem do criador da Educação Personalizada, Victor García Hoz —, segundo a Associação Europeia de Educação Single Sex (Easse, na sigla em inglês), há ao menos 219 centros de estudo que oferecem educação diferenciada em algumas de suas etapas, todos privados, mas alguns com subsídio público. Na América Latina, o modelo criado por Hoz começou a ganhar popularidade a partir dos anos 2000. Secretário geral da Associação Latino-americana de Centros de Educação Diferenciada (Alced), Ricardo Carranco afirma que a tendência é que esse tipo de escola se espalhe pelo continente.

— A América Latina está, cada vez mais, crescendo nessa área e apostando no tema da educação diferenciada por sexos. Entre outras nações, Argentina, Peru, México, Honduras, Costa Rica, Equador têm colégios de reconhecido prestígio acadêmico e social, emoldurados pelos princípios pedagógicos da educação diferenciada por sexos — afirma Carranco. — Sem dúvida, o Brasil é uma terra fértil para projetos educativos como esses. A riqueza cultural e social do país facilita o florescimento desse tipo de projeto.

Em 1995, a Escola Catamarã, em São Paulo, foi fundada sob o projeto pedagógico de Hoz. Atualmente, além dela, o Colégio do Bosque Mananciais, em Curitiba, que foi criado em 2010, virou símbolo da educação diferenciada por sexo no país. A escola oferece a educação single sex a partir do 2º ano do ensino fundamental até o ensino médio. Os alunos são divididos em duas unidades, uma para meninos e outra para meninas.

— É um único projeto educativo porque o conteúdo programático é o mesmo. O que muda é apenas a forma e o entorno de aprendizagem, um entorno que leva em consideração as naturais diferenças dos meninos e das meninas, como nível de maturidade ou facilidades de cada grupo para umas disciplinas específicas. É sabido e comprovado, por exemplo, que as meninas obtêm melhores resultados em português e literatura e os meninos em matemática e ciências — argumenta Leandro Pogere, diretor geral do colégio.

Já a diretora pedagógica do Colégio Santa Marcelina, que em 1975 decidiu abandonar as aulas restritas a apenas um dos sexos, Irmã Carmen é taxativa:

— No nosso pensamento pedagógico, consideramos que a presença de meninos e meninas estudando juntos é fundamental. Para aprender matemática, história e português, com certeza não faz diferença. Mas para aprender a viver bem, acho fundamental.

Colaborou Clarissa Pains

Leia mais: https://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/especialistas-criticam-metodo-de-ensino-que-divide-alunos-por-genero-21639984#ixzz4pMhYxW7z


(*) Angela Borba e Maria Inês de C. Delorme

 

“Devolvam o tempo do brincar na Educação Infantil”

(*) Papo de Pracinha

texto_proprioO Papo de Pracinha trouxe para o banco da praça essa reflexão oportuna e bem sustentada, postada no blog Educando Tudo Muda, da Ana Lucia Machado, em 19 de julho de 2017.

Como nós, ela defende a brincadeira como a atividade primordial das crianças e que, portanto, precisa ser garantida pelos adultos e pelo poder público.

Vamos ler? Sem pressa porque é bem bacana.


DEVOLVAM O TEMPO DO BRINCAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Educando tudo muda, autora Ana Lucia Machado em 19/07/2017

Será que não estamos adoecendo as crianças com nossa pressa? Será que o aumento dos distúrbios infantis, não estão diretamente ligados ao tempo insuficiente do brincar? Será que não estamos tolhendo as crianças de gastar suas energias brincando e exercitando a imaginação?

Analisando o cenário atual da Educação Infantil, a sociedade faz um apelo: devolvam o tempo do brincar na Educação Infantil. Não podemos aceitar as recentes mudanças impostas pelo MEC de escolarização da Educação Infantil. Leia aqui.

Faço parte de uma geração que passou os primeiros anos de vida brincando em casa, na escola, na rua, com amigos da vizinhança, com primos, cuidando da minha cachorrinha, ouvindo histórias contadas pelos mais velhos, andando de bicicleta pelo bairro, e assim  descobrindo e explorando o mundo.

Na pré-escola , até os 7 anos,  aprendi muitas canções e histórias, desenhei, pintei, recortei, colei, pulei corda, brinquei de roda, amarelinha, casinha, médico, professora, etc… Aprendi a dividir com os amiguinhos, jogar de acordo com as regras, pedir desculpas quando necessário, cuidar das plantinhas, guardar e arrumar o que tirasse do lugar, não mexer no que não fosse meu.

Há uma grande diferença entre a minha vida na pré-escola e a vida das crianças nos dias de hoje. Os anos pré-escolares se transformaram em uma competição acadêmica exaustiva. A Educação Infantil ficou muito parecida com o Ensino Fundamental, por causa da ênfase na alfabetização.

POR QUE TANTA PRESSA EM ALFABETIZAR AS CRIANÇAS?

Crianças de 4, 5 anos, ainda ávidas por correr, pular, girar, são requisitadas para atividades cognitivas que exigem um corpo estático e destreza em habilidades ainda em desenvolvimento na criança, como a coordenação motora fina. Raquel Franzim, assessora pedagógica do Instituto Alana, fala que “A criança aprende o mundo com todo seu corpo, não  apenas com os dedos de uma mão”.

alfabetização-precoce-2-300x200Autoridades escolares diminuíram o intervalo do recreio para criar espaço para mais conteúdo curricular. Em algumas escolas as crianças não podem mais correr. Com isso os consultórios de psicologia estão cada dia mais cheio de crianças com problemas de falta de concentração, ansiedade, e vários transtornos.

Em 2007, o Conselho de Pesquisa Econômico e Social da Inglaterra publicou um documento que contou com a participação de dezessete especialistas de diversas universidades europeias interessados na discussão entre a neurociência e a educação, que diz o seguinte:

“Contrariando a crença popular, não existem evidências neurocientíficas que justifiquem começar a educação formal o quanto antes. A plasticidade do cérebro é um fenômeno que dura a vida inteira, não somente nos primeiros anos.”

AFINAL, O QUE É A ALFABETIZAÇÃO? 

Paulo Freire sempre advertiu que alfabetizar é antes de mais nada conscientizar. Ele falava da conscientização do “mundo vida”, onde a criança vive, onde ela se encontra e o que a rodeia. Dizia que primeiro a criança lê o mundo para depois ler as letras”.

Em outras palavras é o que fala também a jornalista especialista em neurociências e neuropsicologia Michelle Müller: “Antes de generalizar o aprendizado das palavras ou apressar a alfabetização, é preciso ter em mente que a leitura de mundo dos pequenos acontece de muitas maneiras. Um bebê, por exemplo, lê com o corpo, com os ouvidos, com as mãos, a partir da exploração tátil, sonora e visual das coisas.

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O psicolinguista colombiano Evelio Cabrejo Parra, explica que “o bebê, ao nascer, já vem com a capacidade de escutar. Quando se lê para ele em voz alta ou se canta uma canção de ninar, ele se põe em posição de escuta. Isso quer dizer que ele está tratando de construir significado à sua maneira”.  Parra defende que desenvolvemos a linguagem desde bebês, e vê  a ‘alfabetização’ como um processo sutil anterior à fala e à escrita, que tem início por meio da escuta.

A experiência dos finlandeses, que não começam uma instrução formal de leitura antes de 7 anos de idade, revela que “a base para o início da alfabetização é que as crianças tenham atenção e ouçam … que elas tenham falado e conversado, que as pessoas tenham discutido [coisas] com elas … Que elas tenham feito perguntas e recebido respostas”.

 

alfabetização-precoce-4-300x138Beatriz Gayotto, pedagoga pelo Instituto Singularidades, e professora de Ensino Fundamental do Estado de São Paulo, adverti  que “o enfoque do trabalho da Educação Infantil deve ser a socialização da criança, o desenvolvimento das habilidades de ouvir, de se expressar e de negociar. A Educação Infantil deve aumentar os horizontes culturais das crianças, resgatar as canções, histórias e brincadeiras que elas conheceram em casa e ampliar seu repertório com o dos colegas e com aquele que a professora apresenta, tanto da cultura regional como da mundial”.

  • Habilidades motoras e domínio espacial, adquirido na exercitação do correr, saltar, rodar, equilibrar-se em troncos de árvores, perna de pau, trepa-trepa, etc…
  • Interação social, conquistado pelas brincadeiras e jogos em grupos, em casa e na escola
  • Expressão oral, saber dialogar, contar uma história, facilitado por repertório de canções, histórias, versos, parlendas, aprendidos em casa, na escola
  • Escuta, exercitado por ouvir histórias em casa, na escola
  • Registros de ideias e vivências artísticas por meio de desenhos, pinturas e colagens
  • Saber contar os números, exercitado nas brincadeiras de esconde-esconde, pular corda, nas compras com a família, na cozinha com os pais no preparo de receitas culinárias, etc…
  • Autonomia no cuidado pessoal e de seus pertences
  • Internalização de rotina e ritmo

Na contra mão da aceleração…

Bibi-natureza-300x225especialistas afirmam que o aprendizado formal  é mais produtivo  a partir dos 6 anos de idade, pois é quando as crianças são mais capazes de lidar com ideias abstratas. Afirmam também que  crianças que chegam à escola socialmente adaptadas, que sabem seguir instruções, compartilhar, ajudar os amigos, terão mais chance de dominar a escrita, a leitura, e os números.

Um dos grandes aliados da criança na primeira infância, como força de aprendizagem, é o brincar livre. Entretanto, infelizmente na sociedade contemporânea o brincar livre está em declínio, as novas gerações estão sendo privadas deste tempo e espaço de brincar.  Especialistas na área de educação e saúde vêm alertando sobre a diminuição do tempo de brincar das crianças e seus prejuízos.

Brincar é substrato para a vida,  é o motor da infância que garante a potência para a vida adulta. Brincando  a criança desenvolve competências que serão requisitadas mais tarde nas relações interpessoais e de trabalho. Brincar é uma atividade instintiva, natural e espontânea da criança. Ele é essencial para o desenvolvimento infantil integral e saudável, e segue tendo sua importância ao longo da vida adulta, porque afinal somos seres lúdicos.

Será que não estamos adoecendo as crianças com nossa pressa? Será que o aumento dos distúrbios infantis, não estão diretamente ligados ao tempo insuficiente do brincar? Será que não estamos tolhendo as crianças de gastar suas energias brincando e exercitando a imaginação?

O brincar tem origem na curiosidade e necessidade de exploração da criança para construção do seu próprio mundo, sua identidade, a imagem de si e a compreensão do mundo que a cerca. Ele ensina tudo o que os pequenos precisam aprender sobre a dinâmica interna e estrutura do seu próprio corpo. Quando brinca a criança está inteira na brincadeira, pois brinca com todo o seu ser. Brincando ela experimenta o estado de flow, e assim desenvolve a capacidade de concentração, necessária para o processo de alfabetização.

Quando meus filhos tiveram que ir para escola, optei por uma pré-escola com foco no brincar livre na natureza. O início do processo de alfabetização de ambos, só ocorreu a partir dos 7 anos, quando eles estavam prontos e maduros para as atividades intelectuais. Conto minha experiência em detalhes aqui.

Quando compartilhei minha história com os leitores do Educando Tudo Muda, dezenas de pais e educadores se manifestaram, expressando suas angústias e inquietações por meio de comentários no blog e nas redes sociais. Vale a pena ler esses comentários, como o da mãe Viviane Silva, e da professora Grace Vania Loguercio Budke:

“Oi Ana….amei seu texto sou estudante de pedagogia e tenho 2 filhos um 7 anos completos e outra com 5 anos, ambos estudam em escola pública e na escola pública o ensino vem mudando por exemplo os professores de EMEI agora que é o pré não precisa mais iniciar a alfabetização, tudo para deixar a criança brincar porém vem o estado e muda tudo, pq agora a criança inicia no ensino fundamental com 6anos, não tive problemas com meu filho pois faz aniversário em Maio então entrou no primeiro ano com 7 anos completos, mas já estou mega triste pois minha filha vai para o ensino fundamental com 6 pois ela faz aniversário em dezembro como completa 7 no ano seguinte já vai para o primeiro ano, eu acho tudo mais precoce nela, mas na alfabetização é bem claro q ela não está madura o suficiente, meu filho quando saiu ja estava lendo pequenas palavras mas isso foi sendo progresso dele sozinho, ir juntando as letrinhas q ia aprendendo, mas ele já estava para completar 7 anos, o que ainda não acontece com a minha filha ela ainda não despertou esse interesse pq não está na idade certa ainda, vai ser forçada a aprender e se alfabetizar 1 anos antes sem necessidade. Falei com a escola, pra ela ficar mais 1 ano na EMEI e isso não é possível, devido a demanda e tb pq a lei é essa agora, o primeiro ano é considerado a iniciação e ela está apta. Enfim, triste mas é a nossa realidade”.

“Sempre me questiono… Por quê alfabetizar antes dos sete anos??? Como professora presenciei angustiada a frustração de alunos imaturos e com sérios problemas de  relacionamento com o mundo exterior, por terem deixado os anos lúdicos por compromissos e hora para brincar. O bum!!!! Disso tudo se dá na pré adolescência lá pela quinta ou sexta serie. A desculpa de pais ansiosos é que hoje os pequenos já dominam a era digital!!!etc,etc. Que hoje é diferente. Sim, mas para eles antes dos 7 anos tudo ainda é brinquedo, sem compromisso , horário e confinamento de sala de aula”.

É preciso questionar o sistema e defender o direito das crianças viverem a infância como deve ser, respeitando as etapas de seu desenvolvimento. Tudo a seu tempo.

Abraço carinhoso

Ana Lúcia Machado


 

(*) Angela Borba e Maria Inês de C. Delorme

Xixi e Cocô: na cama, na fralda, na roupa.

(*) Papo de Pracinha, colaboração do dr Ricardo Chaves

texto_proprioHoje encontramos resposta para quase todas as nossas inquietações no famoso doutor Google, que coabita nossas casas. E é comum acontecer de antes mesmo de buscar se informar com profissionais especializados como pedagogos, pediatras e psicólogos em geral, de buscar informações e “modos de fazer” que precisam ser filtrados, porque nem sempre são qualificadas nem consequentes. Numa busca rápida, aprendemos que os adultos precisam saber a “hora certa” (?) para desfraldar seu bebê, que para isso é necessário providenciar os equipamentos “corretos” (?), que esse processo “pode começar com crianças de um ano e meio, que nessa fase o bebê deve andar pelado pela casa… “Ufa, mil dicas, as vezes divergentes, chegando a sugerir uma festa para a criança quando as fraldas forem embora de vez.

Não podemos dizer que todas elas estejam erradas, ou que não sirvam para nada, no entanto, elas não passam por um primeiro crivo, indispensável para se pensar em educação de crianças_ o fato de elas serem únicas e diferentes entre si. Ou seja, não existe um procedimento único e igual que atenda a todas as crianças.

Uma segunda questão sugere que se busque parceria, com humildade respeitosa, com outras áreas do saber para tentar responder ao universo de perguntas que surge na relação dos adultos com cada criança. Lembrem-se que o que vale para um filho pode não valer para o outro!

Assim, apoiados no pressuposto de que crianças de mesma idade não são iguais, nem tem os mesmos ritmos, desenvolvimentos nem aprendizagens, fazemos uma provocação com peso de “quase verdade” – respeitadas as diferenças entre as crianças, são as professoras e os professores os que conseguem orientar e obter um sucesso imbatível nesse tema, e em outros também. Por que isso acontece?

Primeiro, porque a relação deles com seu grupo de crianças não passa pela “maternidade”, permitindo-lhes viver esse momento com menos expectativas, mais calma e tempo (paciência, respeito)  e risco de frustração. Em segundo lugar, porque o chão da creche ou da escola, a cama e as roupas que usam podem e devem ser limpas e trocadas sem estresse, afinal o ambiente está montado para atender às crianças. Em terceiro, talvez o mais poderoso argumento, seja o aspecto relativo à força do grupo, do coletivo. Várias crianças que estejam em momento semelhante de retirada de fraldas e que, por isso possam ir juntas, em pequenos intervalos de tempo, ao banheiro acompanhadas de adultos, se ajudam e facilitam uns aos outros, nesse processo. Elas se veem e podem ser vistas em suas conquistas, não saem das atividades isoladamente para ir fazer xixi etc., ir ao banheiro passa a ser uma atividade suave, lúdica e produtiva.

No entanto, nem tudo é acordo e aceitação entre os profissionais quando se trata de retirada de fraldas. As educadoras do Papo de Pracinha concordam com o pediatra Ricardo Chaves, quanto ao início desse processo _ não antes dos dois anos, mesmo quando as crianças já dão sinais de identificação do xixi e do coco.  Na dúvida sobre as possibilidades individuais de controle de esfíncteres, vale o cuidado de não antecipar, não apressar esse início.

Uma questão se refere à retirada das fraldas em dois tempos, a diurna e, só mais tarde, a noturna; ou, dependendo das famílias, fazer esse movimento de uma vez só, sempre respeitando o ritmo da criança, conversando com ela sobre tudo o que ela e seus pais estão vivendo, experimentando juntos, com delicadeza e calma.

Nós, pais e mães, mesmo sem perceber, relutamos para aceitar que nossas crianças estejam crescendo, se tornando mais autônomas e independentes a cada dia. Muitas vezes não somos capazes de perceber como podemos acelerar, e também de retardar essas e outras aprendizagens importantes, como se alimentar usando talheres, comerem sozinhos, e também ficarem liberados das fraldas,  libertando seus pais da função de cuidadoras preferenciais da criança. Elas precisam crescer, e crescem,  e nós precisamos apoiá-las também nisso. A retirada das fraldas, em última análise, simboliza autonomia e independência da criança e nem sempre isso soa suave para os adultos, mas precisa se dar.

Como educadoras, sempre defendemos que a criança deva manifestar claramente o desejo/intenção/ possibilidade de o xixi e o coco serem feitos no vaso para começar a função. Quando estabelecemos uma relação de confiança com cada criança e ela nos indica que quer/pode tirar a fralda, junto com outros amiguinhos, apoiamos e iniciamos o processo, sempre junto, andando no mesmo passo com cada uma das famílias.

Há algumas ressalvas que ajudam às crianças nesse momento. Uma criança que se alimenta bem, depois dos dois anos não precisa mamar antes de dormir e muito menos durante a noite, como um hábito. Assim, como todos nós, se ela tomar muito líquido à noite terá mais vontade de fazer xixi enquanto dorme. É melhor que ela não tome mamadeira, nem beba muito líquido algumas horas antes de dormir!  Dica de professora!

Uma outra dica que sempre funcionou foi a de colocar a criança para fazer xixi antes de ir para a cama e mesmo depois que ela durma. Várias crianças conseguem ir, apoiados pelos pais, até o banheiro para fazer xixi, em intervalos regulares durante a noite, sem que isso cause um estrago no sono da criança e de seus pais. Lembrando-se que isso é uma fase de aprendizado e de amadurecimento que será superada, é temporária.

O tempo de superação entre a retirada das fraldas e a ida autônoma ao banheiro envolve aspectos psicomotores, movimentos internos e psicológicos para além dos aspectos práticos do uso fralda, do xixi e do coco no banheiro e por isso o tempo pode ser maior que o esperado por pais e educadores. Calma, sempre.

O pediatra Ricardo Chaves, sugere que essa retirada seja feita em duas etapas. Segundo ele, para a retirada da fralda diurna valem todos os sinais e orientações já dados aqui. Mas a criança pode permanecer usando fralda apenas para dormir, ainda por algum tempo, sem que nisso resida qualquer problema ou preocupação.

E então, nesses casos, como agir? Dr. Ricardo diz que essa “enurese primária”, característica de quem nunca controlou a urina, não costuma ter nenhuma origem clínica, nem merece preocupação exagerada. No caso de crianças que controlaram a urina e que, em algum momento, perderam esse controle apresentando o que se chama de “enurese secundária” sim, deve ser feito um acompanhamento médico para saber as causas e os procedimentos adequados.

Acontece de algumas crianças com quatro anos ou mais, eventualmente sentirem vergonha de usar fraldas à noite. É comum vermos algumas delas irritadas com os pais ao perceberem que foram dormir sem fraldas e que acordaram com elas. Nesse caso, além de ser sempre desejado que pais e filhos conversem sobre tudo, e também sobre a fralda noturna, que ela não seja colocada de forma “sorrateira” na criança.  E sempre que há conversa, diálogo, negociação e o estabelecimento de pactos, entre os pais e as crianças, elas se asseguram de que são importantes por sentirem-se respeitadas.

Podemos garantir que a linguagem seja constituidora do pensamento e que, portanto, cada vez que pais, mães e avós conversam com seus filhos que eles, os adultos, também se beneficiem muito com esse diálogo que é estruturante para os dois lados. Também não podemos esquecer que há organizações diferenciadas de famílias e pais que precisam acompanhar todas as fases da vida de suas crianças sem ter sua mãe fazendo essa mediação. Eles podem viver isso com seus filhos e filhas com delicadeza e riqueza, tanto quanto as mães, mas precisam compartilhar entre eles tudo o que se refere à vida de suas crianças.

Há, ainda, crianças que não querem dormir fora de casa, com avós, primos ou em casa de amigos pela vergonha de usar fralda e, nesses casos, como se pode ajudar?

Bem, se a criança se sente incomodada e constrangida ela está dando indicadores de que deseja mudar seu padrão de comportamento e que precisa de ajuda. Existem alguns mecanismos que podem funcionar bem, embora se sustentem em aspectos considerados “behavioristas ou comportamentais”, que nem sempre são os melhores porque o controle dos esfíncteres não resulta de habilidades mecânicas nem de treinamento apenas, mas também maturações psicológicas. No entanto, alguns mecanismos podem vir a ser produtivos para isso, nessa fase. Relógios que despertam e que vibram em intervalos regulares, sob a manobra do adulto, para que elas sejam acordadas para o xixi durante a noite podem funcionar. Já há um tipo de apito “sensível” ao xixi da criança que assim que começa a sair, produz um som que faz com que ela desperte, que se levante e que vá fazer xixi no banheiro.

E por que será que falamos mais na retirada das fraldas no caso do xixi, e nem tanto do coco? Aceitamos contribuições, mas isso será assunto para um outro artigo.

Em todos os casos, e poderíamos ficar aqui dando vários exemplos que funcionaram favoravelmente para a retirada dessa fralda noturna que mas o controle dessa enurese noturna precisara ser lento, respeitoso com cada criança e de natureza educativa. E educar dá trabalho.

Sendo assim, paciência, diálogo com sua criança e amor deverão lhes ajudar a encontrar saídas e alternativas felizes e suaves para esse rito de passagem.

(*) Maria Inês Delorme e Angela Borba, do Papo de Pracinha

“Crianças não namoram”

O Papo de Pracinha participou da matéria do site Opinião e Notícia sobre erotização infantil, veja abaixo a matéria completa.


Opinião e Notícia – 22 de Maio, 2017 – Priscila Fagundes

Namoro ou amizade?

Campanha contra erotização precoce das crianças ganha grande repercussão nas redes sociais e levanta debate polêmico, porém fundamental para a educação infantil.

No fim de mais um dia de trabalho, um grupo de pais conversa enquanto aguarda seus filhos saírem da escola. Em meio ao bate-papo, um dos responsáveis conta, divertindo-se, que a filha adora entregar “quem é namorado (a) de quem” na turminha de apenas três anos, em média. Todos sorriem e acham graça.

Mas criança namora? Na verdade, “nem de brincadeira”, estampa em seu slogan uma recente campanha lançada pela Secretaria de Estado de Assistência Social (Seas) do Amazonas, em parceria com o blog Quartinho da Dany.

Desde que foi divulgada, no dia 5 de abril, a campanha “Criança não namora. Nem de brincadeira” ganhou uma grande repercussão, principalmente nas redes sociais. A ação, que visa conscientizar pais e responsáveis “quanto aos riscos de expor as crianças aos relacionamentos afetivos próprios da fase adulta”, o que pode “adultizar e até mesmo estimular a erotização precoce”, já foi curtida mais de 100 mil vezes e compartilhada mais de 400 mil vezes, atingindo pelo menos 28 milhões de internautas em todo o país.

Em entrevista ao Opinião e Notícia, o psicólogo Luiz Coderch, coordenador da campanha, explica que “o objetivo inicial era apenas realizar uma conscientização a nível regional”. A ação, no entanto, cresceu de forma significativa, surpreendendo a própria secretaria: “Não esperávamos a repercussão, ficamos muito satisfeitos com a demanda, pois revela que a população está interessada em realizar discussões sobre as melhores formas de educar e proteger as crianças, e a mídia tem papel fundamental nesse processo”.

Luiz Coderch disse ainda que o retorno da campanha tem sido “excelente”, com pais e ou responsáveis procurando os profissionais da Seas para tirar dúvidas e buscar orientação sobre seus filhos. “No Facebook também temos recebido várias histórias interessantes de todo o Brasil, mas creio que as melhores histórias que tenho ouvido são as dos próprios funcionários. Apesar de sermos profissionais da área, também somos pais e mães, e alguns dos comportamentos, como beijar na boca dos filhos, também são cometidos por nós, e isso faz com que o processo de reflexão e busca por melhores condições para as crianças seja uma busca de todos. Somente nessas conversas abertas seremos capazes de desenvolver medidas de melhoria na educação intrafamiliar, bem como na educação formal”.

A reação de muitas pessoas contrárias à campanha “Criança não namora” ajuda a ilustrar a dificuldade em abordar o assunto. Nas redes sociais é possível encontrar perfis que criticam a ação, apontando um excesso de “politicamente correto”.

A professora, mestre e doutora na área de infância Maria Inês Delorme, uma das autoras do blog Papo de Pracinha, ressalta, também em entrevista ao Opinião e Notícia, que encorajar “o ‘namoro’ entre crianças é mais uma ‘das brincadeiras’ que os adultos fazem que não respeitam, as vezes até desagradam as suas crianças”.

‘Estou namorando’

Luiz Coderch ressalta que muitas vezes as crianças, mesmo não tão pequenas, não conseguem diferenciar totalmente uma amizade de um “namoro”. Não se deve, no entanto, reprimir as expressões de afetividade da criança. Por outro lado, não é preciso transformar relações de respeito e carinho em namoro.

“Os pais devem ficar tranquilos e estimular através da valorização dos princípios da amizade, como por exemplo explicar para a criança quais os comportamentos da verdadeira amizade como lealdade, sinceridade e parceria. E ao explicar esses valores tenha certeza que a criança assimilará que possui um amigo e não um namorado”, diz o psicólogo.

Inês destaca também que “o tema exige de pais e professores um conhecimento ampliado e destituído de preconceitos na área da sexualidade”.

“Crianças saudáveis são curiosas em relação ao seu corpo e ao corpo dos amigos, quando percebem que os corpos são diferentes, por exemplo, e isso nada tem a ver necessariamente com interesse sexual. Agir com naturalidade e sem deixar que ‘as experiências adultas’ invadam e tomem a cena é o melhor. Já sabemos de crianças bem pequenas com comportamentos bastante ‘sexualizados e perturbadores’ mas, quando se busca entender o contexto de vida e as experiências delas, em 99% dos casos há elementos que se apresentam para ela, cotidianamente, como corriqueiros e como valorizados. Os adultos precisam ter noção sobre suas responsabilidades em todos os casos”, ressalta a pedagoga.

Além disso, segundo Inês, a erotização infantil se sustenta na cultura do consumo. Pautar desejos e comportamentos das crianças por um viés sexual que ainda não lhes pertence é cruel, “exatamente porque existe alguma valorização por parte dos adultos que a cercam”. Comprar maquiagens, tirar fotografias e expor as crianças em redes sociais, muitas vezes com roupas insinuantes, semelhantes às dos adultos, são “modos simples de tornar invisível a vida das crianças, seus direitos, desejos e suas culturas próprias”, explica.

O tema é polêmico, importante e, muitas vezes, desconcertante. Talvez tudo seria mais fácil se ficássemos com “a pureza das respostas das crianças”.

 

http://opiniaoenoticia.com.br/opiniao/namoro-ou-amizade/


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Sobre o que dizem os psicólogos de Harvard: “Pais que criam bons filhos fazem essas 5 coisas”

(*) Papo de Pracinha

texto_proprioVale a leitura dessa pesquisa feita pelos psicólogos de Harvard, traduzida e publicada pelo blog Papo de Pai em 21/04/2017.

“Psicólogos de Harvard revelam: Pais que criam bons filhos fazem essas 5 coisas”

Concordamos inteiramente com o que dizem os psicólogos de Harvard. Lembramos, ainda, que autonomia, dignidade e vida colaborativa são valores importantes que se constituem na relação cotidiana das crianças com seus adultos de referência, preferencialmente, sua família, embora não só dentro dela.

Assim, no lugar de verticalizarem autoritariamente as relações que estabelecem com suas crianças, sem perderem seu lugar diferenciado como pais e responsáveis, propomos que os adultos falem menos, que se expliquem e que se imponham também menos e que, em seu lugar, escutem, compreendam, divirjam mas que dialoguem permitindo que elas cresçam sentido-se amadas e importantes dentro da sua família.

(*) Angela Borba e Maria Inês de C. Delorme

“Transtorno do Déficit de Natureza”: vamos salvar nossas crianças?

(*) Papo de Pracinha

texto_proprio Quais são suas memórias de infância ligadas à natureza? Olhar o movimento que as pedrinhas jogadas fazem nas águas dos rios e lagos? Observar o caminho das formigas? Contemplar as folhas balançando ao vento? Tomar banho de rio? Inventar histórias tendo como palco rios, bambuzais, praias, quintais? Correr atrás de galinhas e patos? Fazer castelos de areia na praia? Brincar na terra de fazer comidinha? Lambuzar o corpo de lama?

E nossas crianças, será que mais tarde terão lembranças de experiências com a natureza?

Para o jornalista americano Richard Louv, as crianças da sociedade contemporânea, predominantemente urbana, estão sofrendo hoje de Transtorno do Déficit de Natureza! Ele criou esse termo para chamar a atenção sobre os prejuízos, físicos e mentais, associados a uma vida desconectada da natureza.  Em entrevista ao Instituto Alana[1], ele destaca, entre outros prejuízos, a redução do uso dos sentidos, dificuldades de atenção, taxas mais altas de doenças como miopia, obesidade infantil e adulta e  deficiência de vitamina D. Louv escreveu oito livros abordando temas relacionando família, natureza e comunidade, e é co-fundador do Children & Nature Network (Rede Criança e Natureza), uma organização internacional que desenvolve um movimento para conectar pessoas e comunidades com a natureza. A rede atua junto a líderes urbanos, para  que tornem as suas cidades melhores para as crianças e adultos, e também para a saúde da própria natureza e do nosso Planeta. A rede também divulga estudos que mostram os benefícios econômicos que a reconexão com a natureza pode trazer, como economias potenciais de vidas e de dinheiro, através da redução de doenças respiratórias, do sedentarismo e de problemas de saúde mental.

Nós, do Papo de Pracinha, temos defendido que as crianças precisam ter garantido o seu direito de brincar ao ar livre. As experiências de brincar livre em contato direto com a natureza são fundamentais para a saúde física e mental das crianças, promovendo o seu desenvolvimento em suas múltiplas dimensões. O brincar na natureza favorece, entre outros aspectos, a criatividade, o pensamento crítico, a autonomia, os processos de decisão, o olhar sensível sobre as coisas, a colaboração, a inclusão e o respeito às diferenças de idade, gênero e etnia. Por isso, nossos lemas têm sido: bora brincar lá fora! ou Crianças: ocupem as cidades!

Sabemos que o modelo de crescimento das cidades vem se fazendo a partir de uma lógica que privilegia a ampliação de edificações e vias/espaços para os automóveis e, como consequência, destrói/cobre áreas verdes e rios. A realidade para a maioria de nós, é que passamos a maior parte do nosso tempo, adultos e crianças, na escola, em casa ou no trabalho, em ambientes destituídos de natureza, muitas vezes predominantemente digitais. Claro que não podemos negar os avanços benéficos da tecnologia, mas é preciso que compensemos esse tempo com mais natureza, se não quisermos adoecer ou criar nossas crianças em total desconexão com a vida que pulsa na natureza e com o que ela nos oferece de saúde e bem-estar.

Mas não podemos ficar apenas lamentando essas perdas e esse déficit! Temos saídas, e algumas iniciativas vêm buscando promover essa aproximação das  pessoas e das cidades com a natureza. Você conhece alguma? Vamos nos aproximar dessas inovações que acontecem aqui e no mundo? Nossa ideia é trazer para o Papo de Pracinha alguns exemplos de cidades que se reestruturaram para oferecer mais natureza para as pessoas ou projetos mais específicos relacionados à natureza. Para aguçar a nossa curiosidade e provocar algumas reflexões, poderíamos nos perguntar:

  • Como seria a nossa cidade se elegesse dentro de suas prioridades a conexão das pessoas, especialmente das crianças, com a natureza?
  • E se as escolas tivessem como princípio e eixo organizador do seu espaço e de seu currículo a experiência direta com a natureza?
  • Como seria a saúde da população de uma cidade se a natureza estivesse nas prescrições de saúde das pessoas, desde o seu nascimento?
  • Que natureza ainda existe debaixo das ruas da nossa cidade? (conheça o Projeto Rios e Ruas)
  • O que eu posso fazer no plano individual/familiar para trazer mais natureza para a minha vida e a das crianças?

Quem quiser nos contar sobre alguma iniciativa, use esse espaço – blog ou facebook – ou nosso email: papodepacinha@gmail.com. Vamos adorar compartilhar essas experiências com nossos leitores.

Antes de encerrar nosso papo de hoje, gostaríamos de citar o Projeto Criança e Natureza, do Instituto Alana, que vem desenvolvendo algumas iniciativas bacanas na cidade do Rio de Janeiro. Além de produzir publicações e seminários para discussão do tema, criaram algumas ferramentas: (1) os Grupos Natureza e Família, com um Guia Passo a Passo para ajudar as famílias a organizarem grupos que se encontrem para brincar com suas crianças em parques ou praças, fazer piquenique, fazer trilhas e caminhadas, fazer passeios guiados com foco em aspectos da natureza, entre outras possibilidades; (2) O Movimento Boa Praça  disponibiliza um manual que incentiva o uso e a apropriação de áreas verdes públicas; (3) o GPS da Natureza que ajuda crianças de todas as idades e suas famílias a descobrirem atividades divertidas ao ar livre, na área em questão, por meio de sugestões, como praia, unidade de conservação, incluindo previsão de duração e do clima.

Viver tendo uma relação direta com a natureza ensina as crianças, sobretudo, que somos uma pequena parte desse planeta vivo, imenso e rico, repleto de outros tipos de vida da qual dependemos, todos. E torna possível viver em regime de colaboração e respeito ativos num sistema integrado do qual dependemos todos uns dos outros.


[1] “Cidades mais ricas em natureza” – Entrevista com Richard Louv – Publicação do Instituto Alana – Criança e Natureza.

(*) Angela Borba e Maria Inês de C. Delorme

Coaching para crianças: sim ou não?

 

(*) Papo de Pracinha

texto_proprioTermos novos surgem para designar coisas novas, coisas antigas e, também, para nomear combinações do antigo com o novo.

Falar em coaching, hoje, exige uma definição complementar que ilustre a que se destina, ou seja, que esclareça sobre todas as suas modalidades: pessoal, profissional, nutricional, financeiro, para performance, equipes, lideranças, esportes, empreendedorismo, para concursos, para tantas outras coisas e, também, para crianças.

O termo coaching (como um treinamento, uma consultoria, uma mentoria) vem sendo usado para designar um processo que deve ser orientado por um coach (tutor, treinador, mentor) e que tem uma metodologia que pode ser aplicada aos mais variados aspectos da vida humana. O termo usado, inicialmente nos esportes, parece agregar conhecimentos de áreas diferenciadas do saber como a Administração, a Psicologia, a Educação.  Vale informar que todas as informações sobre coachs e coaching para crianças citadas aqui foram recolhidas em diferentes sites da internet, em nome de pessoas ou grupos que defendem o uso da referida metodologia com crianças. Em todos os casos, o coaching tem como objetivo ajudar as pessoas a traçarem rotas, prevendo seus passos e percalços para acelerar a conquista de determinados resultados. Nesse sentido, torna-se importante entender de que maneira isso pode ser benéfico para a vida das crianças. É preciso lembrar que podemos chamar de crianças, tanto quem acabou de nascer, quanto quem vai completar ainda 12 anos de idade, como indica o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Não há dúvida de que pais e mães, irmãos, amigos, terapeutas e educadores podem funcionar como “bons coachs” desde que seja relativizada a impressão de que tudo pode estar “sob controle” o tempo todo, já que há variáveis que podem vir a exigir mudança de metas, por exemplo, durante os percursos.

Para tentar responder a isso, é preciso lembrar que crianças de mesma idade não são iguais, não têm os mesmos sonhos, temperamentos nem histórias de vida e,  assim,  não há metodologia adequada e nem benéfica a todas as crianças de uma mesma idade. As propostas de coaching para crianças a que tivemos acesso são organizada por faixa etária.

Outro fator importante a ser considerado é que o pensamento infantil costuma funcionar fortemente em função de desejos muito intensos e imediatos. As complexas noções de tempo e de espaço, que demoram para serem constituídas e, assim, poderem funcionar como “operações do pensamento”, dificultam a compreensão das crianças sobre as possibilidades reais de atendimento de muitos dos seus desejos. Nesse processo, elas vão viver conquistas e frustrações, vão precisar aprender a negociar, flexibilizar e redimensionar metas e objetivos para um mundo possível, seguro, ético e mais feliz, para eles próprios e para os outros.

Educar integralmente uma criança para a vida exige, além de favorecer o acesso aos conhecimentos historicamente construídos, fazer com que ela conheça seus limites, suas possibilidades, para que desenvolva inteligência e sensibilidade em variadas dimensões. Se quisermos concordar com Gardner, as inteligências seriam sete: Inteligência Linguística, Inteligência Musical, Inteligência Lógico-Matemática, Inteligência Espacial, Inteligência Cenestésica, Inteligência Interpessoal e Inteligência Intrapessoal.  A combinação de algumas dessas inteligências, já que para Gardner poucos têm as sete desenvolvidas, em doses diferenciadas e subjetivas, ajudaria cada criança a ter sonhos e a buscar realizar os que forem possíveis.

Também não há lugar mais para os antigos testes de QI que retratam uma ideia unitária, numérica e descontextualizada de inteligência, usada para comparar crianças em função de um número, maior ou menor, com vistas ao sucesso escolar. E sabemos todos, pais e profissionais, que, nos dias de hoje, não funcionam como gênios aqueles seres isolados, mesmo que altamente capacitados, que não tenham ampla possibilidade de compartilhar, de defender suas ideias, de lidar bem com críticas e oposições, de conhecer e administrar suas emoções. Isso, até no senso comum, hoje, já é conhecido como “Inteligência Emocional” ou Inteligência Social, tal como um dia a nomeou o psicólogo americano Daniel Goleman.

Se consideramos que crianças são curiosas e estão em permanente estado de aprendizado, de desenvolvimento e de mudanças, precisamos refletir se elas precisam de coachs para desenvolverem-se ou, em seu lugar, da convivência com outras crianças e com adultos que sejam seus guias, desafiadores, orientadores e protetores.

A alta competitividade que caracteriza o mundo moderno sugere que os processos de educação voltados para crianças não devam se voltar para treiná-las para que sejam os maiores, os melhores, nem líderes, até porque “aprender de verdade” não resulta de treinamentos de habilidades, nem em lideranças fabricadas.

Para conseguir alcançar sonhos e objetivos no campo pessoal e profissional, as crianças precisam ser, antes de mais nada, e sobretudo crianças, com direito a lutar pelo que querem e, também a chorar diante das frustrações que fatalmente acontecerão.

Adultos atentos, afetuosos e disponíveis internamente para acompanhar a infância das crianças, em família e na escola são seus guias preferenciais e não seus coachs.

“Trata-se da melhor e mais eficaz metodologia de desenvolvimento e capacitação humana existente na atualidade”: é o que anunciam, como um poderoso método que “promove mudanças permanentes e leva à conquista efetiva de sonhos e objetivos no âmbito pessoal e profissional”. Efetivamente, crianças não precisam de coachs para o seu desenvolvimento e aprendizagem, nem para promover mudanças de comportamentos. Em caso de distúrbios nos comportamentos infantis como ansiedade, apatia, insegurança excessiva etc., os adultos devem procurar bons profissionais da área de Psicologia para ajudá-las, junto com os professores da creche ou da escola, e não coachs.

Muito mais do que um coach, as crianças precisam de adultos – os pais, principalmente – que possam acompanhá-las e apoiá-las nos seus processos de construção de conhecimentos, habilidades e experiências, contribuindo para que constituam uma imagem positiva de si mesmas e ferramentas para compreender o mundo, atuar sobre ele de forma criativa, responsável e solidária e, sobretudo, para serem felizes!

 

(*) Angela Borba e Maria Inês de C. Delorme

Brincar ao ar livre na cidade! Bora lá?

Papo de Pracinha (*)

1444722355_88Ainda que o emparedamento em suas casas e escolas seja uma realidade para grande parte das crianças, percebe-se hoje uma motivação por parte de um número significativo de famílias de promover para elas o brincar livre, em espaços abertos e em contato com a natureza.

Observa-se, de um lado, as famílias buscando espaços de natureza na cidade para levarem seus filhos para brincar ou fazer piqueniques e, de outro, iniciativas crescentes por parte de diferentes organizações ligadas à criança de promover ações culturais em praças, parques e outros espaços abertos, com atividades voltadas para o público infantil. Esse duplo movimento aponta para a importância de a cidade acolher as crianças e suas famílias, oferecendo espaços de natureza que convidem à brincadeira livre, à experimentação, à criatividade, à imaginação, ao brincar junto e a uma ocupação cuidadosa da cidade.

Na semana passada, uma matéria no jornal O Globo, de 31 de Outubro de 2016, intitulada A volta da pracinha (pág. 31), aborda a revitalização de espaços ao ar livre em diferentes pontos da cidade, apontando que esses espaços vêm atraindo, nos finais de semana, eventos infantis, com troca de livros, teatrinho e oficinas diversas, como horta, fabricação de brinquedos, entre outras.  O fato é que estamos sentindo um crescente movimento de ocupação dos espaços públicos da cidade. Não só nos finais de semana, pois  algumas praças, revitalizadas por iniciativas diversas, como grupos de moradores que se associaram a comerciantes, vereadores ou empresas, por exemplo, vem sendo ocupadas também durante a semana pelas crianças (geralmente crianças até 6 anos).

Assim, está mais do que na hora de a cidade, como poder público, incluir nas suas ações urbanas e culturais, como política pública,  a garantia de espaços públicos ao ar livre seguros, bonitos e mais conectados com as crianças (e não com um pensamento adulto que não enxerga a criança), com a participação das comunidades que os frequentam, incluindo as crianças.  A ocupação da cidade pelas crianças torna-a mais segura. Aqui, vale lembrar Tonucci[1]: quando nunca encontramos crianças, caminhando ou brincando nos espaços públicos, na semana ou no fim de semana, significa que a cidade está doente. Adotemos o seu lema: uma cidade que é boa para as crianças é boa para todos!

Sobre o Bora lá: brincar na Lagoa

Tendo esse lema como norte, o Bora lá: brincar na Lagoa, evento promovido recentemente (29/10) pelo Papo de Pracinha, em parceria com a Miüdo, teve a intenção de propiciar às crianças e suas famílias o brincar livre na cidade e em contato com a natureza.

 

Bora lá: Brincar na Lagoa
Foto de Alexandre Brum

Na paisagem incrível da Lagoa, cercada de verde, água, sol e brisa (fomos premiadas com um tempo lindo e agradável, depois de dias de chuva ameaçando a realização do Bora lá…), sob o colorido de tecidos, balões de papel, bolas de sisal, acolhemos as crianças e suas famílias, com um espaço de brincadeira,  imaginação e convivência. Oferecemos coisas simples, muito simples, dispostas em diferentes cantos prontas a serem exploradas pelas crianças e adultos.

Bora lá: Brincar na Lagoa
Foto de Alexandre Brum

Terra, água, grãos, sementes, folhas, gravetos, galhos, texturas diversas ofereceram às crianças a possibilidade de se conectarem com os elementos da natureza e experimentar suas possibilidades, através do corpo, dos movimentos, da imaginação e da criatividade.  Fazer comidinha com panelinhas de barro e esses materiais exerceu uma atração incrível nas crianças. Era, disparado, o canto mais disputado. Foi imensa a entrega das crianças nas misturas de terra, água, sementes, no mexer, colocar, retirar, recolocar, fingir comer, imaginar, sentir, fazer de novo… Mas, logo logo, outros espaços e materiais foram chamando a atenção das crianças.

Bora lá: Brincar na Lagoa
Foto de Alexandre Brum

Pés de lata, bolinhas de sabão de todos os tamanhos, garrafinhas sensoriais, bambolês, túneis provocavam movimentos, desafios, risos e alegria: correr, saltar, se abaixar, se arrastar, ficar mais alto, cair, levantar, rir, chorar, gargalhar… Livros diversos, no espaço de “Leiturinhas”, levaram muitas crianças junto com seus pais, tios ou avós a ouvir e contar histórias de bruxas, bichos, meninos, meninas, florestas… viajando com as palavras e imagens para outros mundos.

Bora lá: Brincar na Lagoa
Foto de Alexandre Brum

Fantasias trouxeram para o espaço do Bora lá pássaros, tigres, dragões, bailarinas, princesas e outros seres. E a música? Tantos olhinhos brilharam, corpos balançaram, vozes soaram em ritmos diversos, cantando em comunhão e embalados pela riqueza da expressão musical!

Bora lá: Brincar na Lagoa
Foto de Alexandre Brum

Procuramos acompanhar a repercussão do Bora Lá  no contato com crianças pais, avós e amigos  ali mesmo, durante e depois do evento. No entanto, não é possível ver como vocês, que nos acompanham e que estavam lá, as preferências e interesses da(s) sua criança(s).

Queremos saber como cada um que participou do evento percebeu a relação do seu/sua filho com o que estava ali disponível para ele(s) e ela(s).  O que mais gostou? Onde permaneceu por mais tempo? Sentiu falta de alguma coisa?

Contem para nós.  Prometemos compartilhar nas próximas semanas as nossas impressões e as devoluções que espontaneamente recebermos.

Queremos agradecer a presença de todos e dizer que teremos outros encontros pela frente, tão gostosos quanto o primeiro.

(*) Angela Borba e Maria Inês de C. Delorme


[1] Francesco Tonucci é um pensador italiano, psicopedagogo e desenhista, coordenador do Projeto “La città dei Bambini”, nascido em Fano (Italia) , em 1991. Para saber mais sobre esse projeto, acesse http://www.lacittadeibambini.org

Fotos: Alexandre Brum – brumfotos – Contatos: brumfotos@gmail.comhttp://www.brumfotos.com

Bora lá brincar na Lagoa? Conheça o evento!

Você já pensou em levar sua criança a se divertir ao ar livre? E se nessa área, você tivesse a oportunidade de contar com atividades muito criativas e interessantes, capazes de incentivar mais ainda o contato com a natureza e a sustentabilidade por meio de brincadeiras únicas e divertidas?

Então, ótimo! Porque é exatamente isso que o evento “Bora lá brincar na Lagoa” propõe. Um espaço para que crianças interajam, se relacionem e aprendam sobre o universo a seu redor.

O que se vê muito hoje, infelizmente, é a falta de crianças brincando ao ar livre. Pais muito ocupados, crianças com agendas lotadas e uso exagerado de televisão, tablets e smartphones acabam impedindo que as crianças brinquem livremente na natureza.

Por isso mesmo você precisa conhecer o evento “Bora lá brincar na Lagoa”. Sua proposta é oferecer brincadeiras  gostosas para crianças e pais se divertirem juntos.

Programação do evento Bora lá: brincar na Lagoa

O evento ocorrerá na Lagoa Rodrigo de Freitas, Rio de Janeiro, das 9h às 13h, em 29 de outubro, sábado.

A programação está repleta de atividades que associam materiais presentes na natureza, como terra, águia, grãos, sementes, folhas, gravetos, texturas à imaginação, liberdade e criatividade das brincadeiras das crianças. Brincar na natureza permite conhecer e passar a respeitar e a cuidar dos ambientes naturais.

Como se isso não fosse o bastante, as crianças poderão brincar com tecidos, bambolês, pescaria e bolha de sabão de mil tamanhos diferentes. Há também um espaço destinado às leituras, com livros e almofadas para que todos fiquem confortáveis.

O evento contará com as fantasias produzidas pela Elefoa, para encantar as crianças. Lá todo mundo pode ser o que quiser. E que criança não quer?

As atividades não param por aí. Haverá um cantinho para os bebês, com tapetes confeccionados pela Miüdo, e materiais sensoriais para que os bebês explorem e se encantem mais ainda com o mundo.

E, como não poderia faltar, haverá uma vivência musical, com Bebel Nicioli, da Brincadeiras Musicais, para tornar essa manhã ainda mais mágica e especial.

Onde, na Lagoa?

Quase em frente aos Pedalinhos. Bem na altura do Parque Municipal da Catacumba, que oferece uma passarela para a Lagoa. Perto também do Palaphita Kitch. Onde houver criança e muita alegria.

Leve as crianças e se divirta junto!

O evento Bora lá brincar na Lagoa é uma excelente alternativa de tirar as crianças de casa e propor um passeio diferenciado, muito mais natural, divertido e simples. Aliás, os materiais utilizados serão sustentáveis, o que também promove a conscientização acerca da preservação do meio ambiente.

Tendo como cenário a paisagem incrível da Lagoa, ainda por cima, será um ótimo espaço para curtir com toda a família, não acha?!

Então, acesse agora mesmo a página do evento Bora lá brincar na Lagoa!

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Crianças na natureza

Papo de pracinha (*)

1444722355_88Vocês acreditam que o contato direto de crianças com a natureza as convidam para a criação artística e para um relaxamento que contribui para o seu equilíbrio interior? Os espaços naturais convidam as crianças a se relacionar com eles. A natureza permite, por exemplo, que as crianças observem e que sejam sensíveis às diferentes formas de árvores e de folhas, às cores presentes nas plantas e nas flores, nos pássaros e até mesmo no céu.

O Papo de Pracinha acredita que brincar em espaços abertos ajuda a quebrar com a visão consumista e reduzida do mundo, que só tem servido para gerar competição e tristeza nas crianças.

Vamos essa semana brincar com liberdade, com os pés descalços na terra onde se pode pisar para tentar ouvir os sons do vento?  O Papo de Pracinha vai e apoia o vídeo do Instituto Alana nesse passeio.

Fonte: Instituto Alana (Youtube)

(*) Autoras: Angela Meyer Borba e Maria Inês de C. Delorme