Xixi e Cocô: na cama, na fralda, na roupa.

(*) Papo de Pracinha, colaboração do dr Ricardo Chaves

texto_proprioHoje encontramos resposta para quase todas as nossas inquietações no famoso doutor Google, que coabita nossas casas. E é comum acontecer de antes mesmo de buscar se informar com profissionais especializados como pedagogos, pediatras e psicólogos em geral, de buscar informações e “modos de fazer” que precisam ser filtrados, porque nem sempre são qualificadas nem consequentes. Numa busca rápida, aprendemos que os adultos precisam saber a “hora certa” (?) para desfraldar seu bebê, que para isso é necessário providenciar os equipamentos “corretos” (?), que esse processo “pode começar com crianças de um ano e meio, que nessa fase o bebê deve andar pelado pela casa… “Ufa, mil dicas, as vezes divergentes, chegando a sugerir uma festa para a criança quando as fraldas forem embora de vez.

Não podemos dizer que todas elas estejam erradas, ou que não sirvam para nada, no entanto, elas não passam por um primeiro crivo, indispensável para se pensar em educação de crianças_ o fato de elas serem únicas e diferentes entre si. Ou seja, não existe um procedimento único e igual que atenda a todas as crianças.

Uma segunda questão sugere que se busque parceria, com humildade respeitosa, com outras áreas do saber para tentar responder ao universo de perguntas que surge na relação dos adultos com cada criança. Lembrem-se que o que vale para um filho pode não valer para o outro!

Assim, apoiados no pressuposto de que crianças de mesma idade não são iguais, nem tem os mesmos ritmos, desenvolvimentos nem aprendizagens, fazemos uma provocação com peso de “quase verdade” – respeitadas as diferenças entre as crianças, são as professoras e os professores os que conseguem orientar e obter um sucesso imbatível nesse tema, e em outros também. Por que isso acontece?

Primeiro, porque a relação deles com seu grupo de crianças não passa pela “maternidade”, permitindo-lhes viver esse momento com menos expectativas, mais calma e tempo (paciência, respeito)  e risco de frustração. Em segundo lugar, porque o chão da creche ou da escola, a cama e as roupas que usam podem e devem ser limpas e trocadas sem estresse, afinal o ambiente está montado para atender às crianças. Em terceiro, talvez o mais poderoso argumento, seja o aspecto relativo à força do grupo, do coletivo. Várias crianças que estejam em momento semelhante de retirada de fraldas e que, por isso possam ir juntas, em pequenos intervalos de tempo, ao banheiro acompanhadas de adultos, se ajudam e facilitam uns aos outros, nesse processo. Elas se veem e podem ser vistas em suas conquistas, não saem das atividades isoladamente para ir fazer xixi etc., ir ao banheiro passa a ser uma atividade suave, lúdica e produtiva.

No entanto, nem tudo é acordo e aceitação entre os profissionais quando se trata de retirada de fraldas. As educadoras do Papo de Pracinha concordam com o pediatra Ricardo Chaves, quanto ao início desse processo _ não antes dos dois anos, mesmo quando as crianças já dão sinais de identificação do xixi e do coco.  Na dúvida sobre as possibilidades individuais de controle de esfíncteres, vale o cuidado de não antecipar, não apressar esse início.

Uma questão se refere à retirada das fraldas em dois tempos, a diurna e, só mais tarde, a noturna; ou, dependendo das famílias, fazer esse movimento de uma vez só, sempre respeitando o ritmo da criança, conversando com ela sobre tudo o que ela e seus pais estão vivendo, experimentando juntos, com delicadeza e calma.

Nós, pais e mães, mesmo sem perceber, relutamos para aceitar que nossas crianças estejam crescendo, se tornando mais autônomas e independentes a cada dia. Muitas vezes não somos capazes de perceber como podemos acelerar, e também de retardar essas e outras aprendizagens importantes, como se alimentar usando talheres, comerem sozinhos, e também ficarem liberados das fraldas,  libertando seus pais da função de cuidadoras preferenciais da criança. Elas precisam crescer, e crescem,  e nós precisamos apoiá-las também nisso. A retirada das fraldas, em última análise, simboliza autonomia e independência da criança e nem sempre isso soa suave para os adultos, mas precisa se dar.

Como educadoras, sempre defendemos que a criança deva manifestar claramente o desejo/intenção/ possibilidade de o xixi e o coco serem feitos no vaso para começar a função. Quando estabelecemos uma relação de confiança com cada criança e ela nos indica que quer/pode tirar a fralda, junto com outros amiguinhos, apoiamos e iniciamos o processo, sempre junto, andando no mesmo passo com cada uma das famílias.

Há algumas ressalvas que ajudam às crianças nesse momento. Uma criança que se alimenta bem, depois dos dois anos não precisa mamar antes de dormir e muito menos durante a noite, como um hábito. Assim, como todos nós, se ela tomar muito líquido à noite terá mais vontade de fazer xixi enquanto dorme. É melhor que ela não tome mamadeira, nem beba muito líquido algumas horas antes de dormir!  Dica de professora!

Uma outra dica que sempre funcionou foi a de colocar a criança para fazer xixi antes de ir para a cama e mesmo depois que ela durma. Várias crianças conseguem ir, apoiados pelos pais, até o banheiro para fazer xixi, em intervalos regulares durante a noite, sem que isso cause um estrago no sono da criança e de seus pais. Lembrando-se que isso é uma fase de aprendizado e de amadurecimento que será superada, é temporária.

O tempo de superação entre a retirada das fraldas e a ida autônoma ao banheiro envolve aspectos psicomotores, movimentos internos e psicológicos para além dos aspectos práticos do uso fralda, do xixi e do coco no banheiro e por isso o tempo pode ser maior que o esperado por pais e educadores. Calma, sempre.

O pediatra Ricardo Chaves, sugere que essa retirada seja feita em duas etapas. Segundo ele, para a retirada da fralda diurna valem todos os sinais e orientações já dados aqui. Mas a criança pode permanecer usando fralda apenas para dormir, ainda por algum tempo, sem que nisso resida qualquer problema ou preocupação.

E então, nesses casos, como agir? Dr. Ricardo diz que essa “enurese primária”, característica de quem nunca controlou a urina, não costuma ter nenhuma origem clínica, nem merece preocupação exagerada. No caso de crianças que controlaram a urina e que, em algum momento, perderam esse controle apresentando o que se chama de “enurese secundária” sim, deve ser feito um acompanhamento médico para saber as causas e os procedimentos adequados.

Acontece de algumas crianças com quatro anos ou mais, eventualmente sentirem vergonha de usar fraldas à noite. É comum vermos algumas delas irritadas com os pais ao perceberem que foram dormir sem fraldas e que acordaram com elas. Nesse caso, além de ser sempre desejado que pais e filhos conversem sobre tudo, e também sobre a fralda noturna, que ela não seja colocada de forma “sorrateira” na criança.  E sempre que há conversa, diálogo, negociação e o estabelecimento de pactos, entre os pais e as crianças, elas se asseguram de que são importantes por sentirem-se respeitadas.

Podemos garantir que a linguagem seja constituidora do pensamento e que, portanto, cada vez que pais, mães e avós conversam com seus filhos que eles, os adultos, também se beneficiem muito com esse diálogo que é estruturante para os dois lados. Também não podemos esquecer que há organizações diferenciadas de famílias e pais que precisam acompanhar todas as fases da vida de suas crianças sem ter sua mãe fazendo essa mediação. Eles podem viver isso com seus filhos e filhas com delicadeza e riqueza, tanto quanto as mães, mas precisam compartilhar entre eles tudo o que se refere à vida de suas crianças.

Há, ainda, crianças que não querem dormir fora de casa, com avós, primos ou em casa de amigos pela vergonha de usar fralda e, nesses casos, como se pode ajudar?

Bem, se a criança se sente incomodada e constrangida ela está dando indicadores de que deseja mudar seu padrão de comportamento e que precisa de ajuda. Existem alguns mecanismos que podem funcionar bem, embora se sustentem em aspectos considerados “behavioristas ou comportamentais”, que nem sempre são os melhores porque o controle dos esfíncteres não resulta de habilidades mecânicas nem de treinamento apenas, mas também maturações psicológicas. No entanto, alguns mecanismos podem vir a ser produtivos para isso, nessa fase. Relógios que despertam e que vibram em intervalos regulares, sob a manobra do adulto, para que elas sejam acordadas para o xixi durante a noite podem funcionar. Já há um tipo de apito “sensível” ao xixi da criança que assim que começa a sair, produz um som que faz com que ela desperte, que se levante e que vá fazer xixi no banheiro.

E por que será que falamos mais na retirada das fraldas no caso do xixi, e nem tanto do coco? Aceitamos contribuições, mas isso será assunto para um outro artigo.

Em todos os casos, e poderíamos ficar aqui dando vários exemplos que funcionaram favoravelmente para a retirada dessa fralda noturna que mas o controle dessa enurese noturna precisara ser lento, respeitoso com cada criança e de natureza educativa. E educar dá trabalho.

Sendo assim, paciência, diálogo com sua criança e amor deverão lhes ajudar a encontrar saídas e alternativas felizes e suaves para esse rito de passagem.

(*) Maria Inês Delorme e Angela Borba, do Papo de Pracinha

Pãe nada, eu sou PAI.

1444722355_88Não por acaso meu amigo reclama – sempre cuidei dos meus filhos. Eles ficaram comigo na separação e, ainda hoje eu recebo duas coisas que me aborrecem – presente de dia das mães e, de quebra, o título de “pãe”. 

Todos conhecemos pais e mães que criam ou criaram sozinhos seus filhos, quando não foram os avós, tios e até mesmo irmãos mais velhos. Não somos juízes, vale lembrar e, de certa forma, esse exercício afirmativo de pôr os eventos da sociedade em discussão pode chegar a criar conflitos e duras críticas, quem sabe? É possível lidar com qualquer crítica quando assumimos um compromisso com a vida feliz de crianças.

Para isso, partimos do óbvio. Se criar os filhos com dois adultos no timão, compartilhando os cuidados, a proteção a educação já é extremamente complicado, pode-se imaginar as dificuldades quando há um único responsável pela tarefa inteira. Essa pessoa, para início de conversa, merece um destaque por sua força, compromisso e amor. Sobram notícias de casos bem sucedidos de crianças que vivem ou viveram essa realidade e que são muito felizes, éticos, adequados e criativos. E, como todo mundo, tem lá seus problemas. Normal.

A questão que preocupa se remete à negação da existência e, como consequência, uma desqualificação da mãe, do pai, ou das duas mães, dos dois pais etc. na  vida de sua criança. Nem falamos aqui de alienação parental, mas da invisibilidade com que algumas adultos buscam envolver a figura que se retirou do casal, como se fosse possível deixar de ser mãe/pai. Sempre que há uma ruptura, e na falta de um dos dois, a criança se ressente e caberá a  cada “arranjo familiar” escolher um modo delicado, porém verdadeiro, para dialogar com ela sobre a história dela e de sua família. E parece ser aqui que se situa o aborrecimento do amigo ao ser chamado de pãe, sem que ele ache qualquer graça nesse título.

Até as professoras, com doçura, escreviam no meu cartão que o presente era para o melhor pãe do mundo. Tive que dizer pra elas que eu nunca fui pãe. Eu sou pai e um pai cotidiano!  Adoramos, sem medo de  dizer essa expressão um tanto pleonástica de “pai cotidiano”: ele é pai o dia todo, o tempo todo e pra vida toda. E acha ruim para seus filhos que eles pensem que não têm mãe. Ela é viva, é saudável, inteligente, bonita, só não somos mais casados e ela não vive perto de nós, diz ele.

Na verdade, nesse caso, a mãe teve uma boa proposta de trabalho em outro país, num momento em que o casal já não estava bem e, assim, ela foi para o exterior tendo o pai mantido aqui os filhos, com ele. Nessa circunstância, o pai se preocupava em não perder seu emprego, ele tinha receio de tirar dos filhos a família extensiva (avós, tios, primos), os amigos da escola  e principalmente, temia os eventuais problemas com a perda do domínio da língua materna, em outro país. Para esse pai isso parecia assustador, não para a mãe das crianças o que, associado aos problemas internos do casal, levou à separação e à viagem dela. Resumidamente é isso e com o maior respeito pela mãe, pelo pai e pela decisão do casal, as crianças ficaram com ele, a mãe foi para um país do mundo oriental e todos vivem felizes. Mas o fato de ter a mãe longe não implica a inexistência dela. Eles têm mãe, esteja ela onde estiver.

Apoiamos a argumentação dele no seguinte sentido – qualquer que seja a mãe ou o pai, em qualquer arranjo familiar, essas pessoas têm nome, têm suas histórias e individualidades mas têm, também, compromissos para a vida toda com suas crianças, para o resto de suas vidas. Não se pode aceitar a existência de ex-mãe, ou ex-pai.

Um viva, caloroso aos pais nesse dia que o comércio criou e que nós aproveitamos para jogar luz sobre esse lugar que não precisaria ser justificado – pai é pai, não pãe.

Adaptação: tempo de olhar para as interações entre as crianças

Bernadete Mourão (*)

O início do calendário escolar marca também, para muitos de nós, uma temporada de tensões relativas ao ingresso das crianças pequenas às unidades de educação infantil, e é a este respeito que trazemos algumas ideias que podem contribuir para pensar este momento delicado que é o da adaptação.

Se nos reportarmos às nossas próprias lembranças de adultos ingressando em um novo ambiente (na universidade ou no trabalho, por exemplo), certamente, a maioria de nós, conferirá grande valor à formação de vínculos com colegas na construção do nosso bem-estar nesses espaços. Vínculos que vão, paulatinamente, participando de um sentimento de pertencimento ao grupo e que nos permitem inserções felizes. Este exemplo, pode nos ajudar, como analogia, a nos deslocar para a posição da criança recém-ingressa em uma creche ou pré-escola ou mesmo no momento de seu reinício após longas férias, permitindo uma reflexão quanto ao valor que deveríamos atribuir ao papel das interações entre as crianças na Educação Infantil. É claro que não é apenas a vinculação afetiva o único elemento a ser considerado na avaliação da qualidade de um espaço, mas isto importa muito para a criança. Vale lembrar que quando conversamos com crianças e perguntamos sobre o que elas mais gostam na creche ou na pré-escola, a quase totalidade delas se refere ao brincar. E este brincar, se bem observarmos, dificilmente acontece solitariamente, como pode ser frequente nos lares, mas sempre com os colegas. É comum colocarmos o foco de nossas preocupações apenas nos adultos das creches e pré-escolas e especialmente nas professoras e nos professores. Esquecemo-nos de valorizar a importância da formação do grupo, das interações que ocorrem entre as crianças e que participam do bem-estar delas na creche e na pré-escola e que, portanto, envolvem seu interesse em lá estar e permanecer. Em geral, apenas valorizamos as relações do adulto com a criança como promotora de segurança, bem estar e de desenvolvimento. Mais ainda, tendemos a reconhecer como majoritariamente importantes os vínculos afetivos da criança voltados aos adultos. Claro que é fundamental um profissional bem formado para um projeto de Educação Infantil de qualidade. E, atrelado à formação, sua capacidade de empatia (especialmente com crianças), atitude de acolhimento, de abertura ao diálogo para uma escuta atenta ao que dizem as crianças (com palavras, risos, choros, recusas, gestos e expressões) e senso de responsabilidade. Assim, longe de colocar o papel da professora e do professor em segundo plano, apenas se está propondo aqui um ajuste no olhar à criança que ingressa no ambiente da creche ou pré-escola que inclua as interações com seus pares.

Para ilustrar esta argumentação, vou contar duas histórias de crianças de aproximadamente três anos e que aconteceram anos atrás, em uma Unidade de Educação Infantil, de que participava. Nesta, o planejamento do período de ingresso de novas crianças (a qual chamávamos de inserção em contraponto ao termo adaptação) incluía a participação dos responsáveis. Inicialmente, cada responsável ficava junto a sua criança na sala de atividades, acompanhando e/ou realizando as propostas feitas pelas professoras (não tínhamos salas de aula porque não eram aulas, mas atividades que realizávamos com crianças de menos de seis anos de idade). Posteriormente, no momento em que o educador já considerasse possível o afastamento do responsável, este permanecia na Unidade, mas em outro local no qual a criança poderia encontrá-lo, caso solicitasse. Certa vez, uma criança precisou que sua mãe ficasse mais de um mês na recepção, dada sua insegurança quanto ao seu afastamento. Em um belo dia de sol, embora igual a tantos outros, o inesperado fez acontecer o ponto de viragem desta história, relatado à equipe pelo próprio pai, observador atento da cena que havia se passado: naquele dia o filho havia chegado atrasado e, quando os colegas o avistaram do pátio externo, começaram a chamar alto pelo seu nome. Ali a magia se realizou e todos “foram felizes para sempre”. Fim da história e começo de uma outra livre de inseguranças. A nosso ver, o fim de uma história e o início da outra relacionaram-se com a recepção esfuziante, espontânea e coletiva, que permitiu que a criança vislumbrasse de modo inequívoco o quanto era querida pelo grupo, re-significando para ela suas noções de pertencimento àquele grupo ao qual passou a integrar, desde então, de forma tranquila e plena.

Nossa segunda e última história deu-se no período de retorno das longas férias de fim de ano e é sobre uma criança que se recusava a ir para sua sala e deixar sua mãe ir embora da creche. Durante meia hora, a recusa aos convites dos adultos era total e absoluta até surgir em cena uma colega que acabara de chegar à creche. Neste momento, as duas crianças se entreolharam. A menina que chegava, sem nada saber o que estava acontecendo, em seu caminho em direção à sala, espontaneamente, fez um gesto com a mão (abrindo a palma da mão e levantando os dedos), que claramente indicava: “- Vem comigo”. O menino que até então era só certeza de recusa, claramente entrou em conflito quanto à decisão tomada. Esboçou um aceite: virou o corpo em direção à menina e deu alguns passos. Por alguns instantes, todos que participávamos da cena, pensamos que a decisão seria revertida. Embora não tenha sido, apenas mais adiante, a dúvida que o convite da colega claramente produziu no menino indica a força das relações que acontecem entre as crianças e que muitas vezes passam despercebidas ao olhar comum.

A partir de tudo que se disse até aqui, fica o convite para um olhar sobre o valor das interações entre as crianças neste delicado período que marca o começo da construção de um mundo novo para crianças e adultos.

(*) Bernadete Mourão, colaboradora do Papo de pracinha, é professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal Fluminense – Niterói, e doutora em Psicologia pela USP.

Pra viver um grande amor

Joanna Armada [1]

Mais que casar, mais que conhecer o mundo inteiro, mais que grana e pompa, meu sonho dourado tinha a forma de uma casinha repleta de amor de mãe, pai e filho. E foi do alto de uma relação de 10 anos, coroada com uma viagem incrível para a Ásia, que Antonio foi planejadíssimamente encomendado.

Nasci de parto normal, meu irmão também. Parir sempre me pareceu natural, eu não pensava muito sobre o assunto. Por isso o estranhamento quando comentários esquisitos começaram a aparecer, junto com a barriga que crescia. “Já marcou a data?”; “Normal? Que coragem!” ; “A medicina avançou tanto, por que você quer sentir dor? ” Era o interrogatório mais comum, ao qual eu respondia também sem pensar: como assim, marquei? Ele vai nascer na hora que estiver pronto. Nosso corpo é perfeito para parir. Quem roubou sua coragem? Dor não significa sofrimento. Dezenas de vezes.

Na mesma época começou uma campanha do Ministério da Saúde para incentivar o parto e me inscrevi em grupos sobre maternidade no Facebook. E então comecei a entender a necessidade de ser grifado “Parto Natural” ou “Humanizado” nos textos sobre o tema. Descobri que no Brasil, quando o parto acontece, traz intervenções tão desnecessárias quanto desrespeitosas, beneficiando apenas a figura do médico. Descobri que para parir naturalmente eu tinha que querer muito, me informar muito, me preparar muito. E assim foi. Continuar lendo Pra viver um grande amor