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Escolas “single sex”: por quê, para que e para quem?

(*) Papo de Pracinha

texto_proprioA vida não cabe mais apenas no mundo que se equilibrou, falsamente, durante anos, séculos, entre homens, mulheres e seus dois mundos. Tantas vezes vimos até homens versus mulheres, dependendo da situação e da cultura.

Homens, mulheres, transgêneros, homossexuais e toda a gama de nomes que conhecemos para qualificar pessoas, “gentes” já são restritivas por si sós e o que sabemos é que as dimensões: cognitiva, intelectual, emocional, física etc. podem ser diferentes entre pessoas de mesmo gênero e orientação. Assim, tempos de brincar e ocupação de espaços para meninos e meninas separadamente podem também estar sendo altamente desrespeitosos entre os meninos e as meninas que são todos bastante diferentes entre si.

Nesse viés, não encontramos explicação cientifica nem “humanitária” para a separação das turmas de ensino fundamental por gênero.  Como tendência, denominada “inovadora pelos seus defensores”, vem crescendo nos EUA que não primam por excelência em Educação e, portanto, merece ser melhor avaliada para ser possível defender qualquer tipo de segregacionismo como positivo,  em processos educativos e na vida em geral.

Isto posto e diante de tudo o que temos assistido como degradante em relação ao respeito, à ética, à vida planetária, à solidariedade e ao amor, pedimos que as famílias e a sociedade reflitam sobre “como caminha a humanidade” para lutar para manter ou mudar o que está posto.  Comecemos respondendo às três perguntas iniciais: por quê, para que e para quem.

Leiam abaixo a matéria do O Globo, onde são apresentadas as opiniões de pesquisadores e especialistas sobre escolas que estão optando por separar turmas de acordo com o gênero.


O Globo – por Paula Ferreira em 28/07/017

Especialistas criticam método de ensino que divide alunos por gênero

Tendência de escolas ‘single sex’ se espalha pelo mundo

RIO — Há mais de 40 anos, o Colégio Santa Marcelina, no Alto da Boa Vista, no Rio, decidiu aceitar meninos nas salas de aula antes ocupadas só por meninas. Um pouco depois, há quase 30 anos, o Colégio Militar do Rio aprovou o ingresso feminino em suas classes. Esse movimento em direção a turmas mistas, no entanto, não é uma unanimidade, conforme mostrou O GLOBO na edição de quinta-feira com a história da escola Porto Real, na Barra, que divide os alunos de acordo com o gênero. Especialistas afirmam que a separação dos estudantes é um atraso e implica em uma formação deficiente dos alunos, que não aprendem a conviver com as diferenças.

Com cada vez mais adeptos ao redor do mundo, o modelo que aposta em uma educação personalizada para cada gênero ganhou força nos Estados Unidos a partir de 2002, quando uma lei permitiu que agências educacionais locais usassem fundos públicos — destinados a “programas inovadores”— para apoiar escolas que separavam estudantes por gênero. De acordo com dados da Associação Nacional para Educação Pública Single Sex (Nasspe, na sigla em inglês), criada no mesmo ano da nova legislação, em 2002 apenas uma dúzia de escolas públicas oferecia o serviço. Mas menos de uma década depois, em 2011, pelo menos 506 instituições públicas dos EUA tinham atividades do tipo. E mesmo com a nova norma, essas instituições são alvo constante de ações que questionam o modelo single sex, argumentando que a prática é segregacionista.

CONVIVÊNCIA E CONFLITO

Se, por um lado, os adeptos do método argumentam, principalmente, que ele impulsiona o desempenho dos estudantes, os especialistas defendem que os resultados não são o principal indicador de uma educação bem sucedida.

— O desempenho é apenas uma das dimensões que interessam à sociedade. Mas o que interessa, de fato, é que tenhamos cidadãos que consigam conviver. A convivência envolve conflito, aliança, negociação, dor, alegria. Essa forma de educação vai contra as necessidades de uma sociedade que precisa avançar no tratamento da diversidade — critica Denise Carreira, doutora em Educação pela USP. — Observo que há uma modernização do discurso da segregação. O discurso novo diz “vamos separar, porque assim vamos desenvolver as meninas para as ciências exatas e os meninos para outras áreas”. É uma modernização ancorada na neurociência que acaba alimentando a segregação. O argumento pautado em questões biológicas já foi usado por vários regimes segregacionistas ao longo da História.

A pesquisadora afirma ainda que o surgimento de mais escolas que separam os alunos por gênero está relacionado ao contexto global atual:

— Isso tem a ver com o crescimento do conservadorismo não só no Brasil, mas no mundo. Ao mesmo tempo que muitos setores exigem convivência na diversidade, outros mantêm a intolerância. É um retrocesso.

Fernando Seffner, coordenador da linha de pesquisa sobre Educação, Sexualidade e Relações de Gênero da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), também se posiciona contra a educação single sex.

— Muitos estudos, além de filmes e a própria literatura, mostram que o nível de violência entre os alunos em escolas só de meninos ou só de meninas é maior que na escola mista. Um menino que, por exemplo, não goste de jogar futebol, terá uma chance muito maior de sofrer violência nesse ambiente.

Só na Espanha — país de origem do criador da Educação Personalizada, Victor García Hoz —, segundo a Associação Europeia de Educação Single Sex (Easse, na sigla em inglês), há ao menos 219 centros de estudo que oferecem educação diferenciada em algumas de suas etapas, todos privados, mas alguns com subsídio público. Na América Latina, o modelo criado por Hoz começou a ganhar popularidade a partir dos anos 2000. Secretário geral da Associação Latino-americana de Centros de Educação Diferenciada (Alced), Ricardo Carranco afirma que a tendência é que esse tipo de escola se espalhe pelo continente.

— A América Latina está, cada vez mais, crescendo nessa área e apostando no tema da educação diferenciada por sexos. Entre outras nações, Argentina, Peru, México, Honduras, Costa Rica, Equador têm colégios de reconhecido prestígio acadêmico e social, emoldurados pelos princípios pedagógicos da educação diferenciada por sexos — afirma Carranco. — Sem dúvida, o Brasil é uma terra fértil para projetos educativos como esses. A riqueza cultural e social do país facilita o florescimento desse tipo de projeto.

Em 1995, a Escola Catamarã, em São Paulo, foi fundada sob o projeto pedagógico de Hoz. Atualmente, além dela, o Colégio do Bosque Mananciais, em Curitiba, que foi criado em 2010, virou símbolo da educação diferenciada por sexo no país. A escola oferece a educação single sex a partir do 2º ano do ensino fundamental até o ensino médio. Os alunos são divididos em duas unidades, uma para meninos e outra para meninas.

— É um único projeto educativo porque o conteúdo programático é o mesmo. O que muda é apenas a forma e o entorno de aprendizagem, um entorno que leva em consideração as naturais diferenças dos meninos e das meninas, como nível de maturidade ou facilidades de cada grupo para umas disciplinas específicas. É sabido e comprovado, por exemplo, que as meninas obtêm melhores resultados em português e literatura e os meninos em matemática e ciências — argumenta Leandro Pogere, diretor geral do colégio.

Já a diretora pedagógica do Colégio Santa Marcelina, que em 1975 decidiu abandonar as aulas restritas a apenas um dos sexos, Irmã Carmen é taxativa:

— No nosso pensamento pedagógico, consideramos que a presença de meninos e meninas estudando juntos é fundamental. Para aprender matemática, história e português, com certeza não faz diferença. Mas para aprender a viver bem, acho fundamental.

Colaborou Clarissa Pains

Leia mais: https://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/especialistas-criticam-metodo-de-ensino-que-divide-alunos-por-genero-21639984#ixzz4pMhYxW7z


(*) Angela Borba e Maria Inês de C. Delorme

 

Você pratica uma educação inclusiva com suas crianças: não sexista, não racista e não homofóbica?

(*) Papo de Pracinha

  1. Menino e menina participam da vida da família, podem cozinhar, ajudam na arrumação dos brinquedos e dos espaços onde brincam?
  2. Depois das atividades escolares a menina fica em casa ajudando no serviço doméstico e o menino pode sair para brincar?
  3. Seu filho pode chorar e apresentar medos sem que isso o desqualifique como pessoa?
  4. Sua filha pode jogar futebol e brincar livremente junto com meninos? As meninas também podem ir a estádios de futebol e defender um time, por exemplo?
  5. Seu filho ou sua filha podem usar roupas e adereços de todas as cores?
  6. Você e suas crianças convivem sem preconceitos com casais homoafetivos?
  7. Você pensa que homossexualidade seja uma doença que contamine pessoas por meio de convivência?
  8. Você aceita ver seu filho beijando os amigos e as filhas fazendo o mesmo, com outras meninas?
  9. Você respeita as diferenças entre meninos e meninas sem desqualificar um ou outro? Meninas são “frágeis e doces”, enquanto os meninos são “maliciosos e aproveitadores”?
  10. Você faz comentários jocosos e desrespeitosos sobre comportamento de homens e de mulheres, suas etnias, orientações sexuais e comportamentos na frente de seus filhos?

Você tem clareza sobre como pensa e educa seus filhos, nessas questões? Quer conversar mais? Vem com a gente, procure a turma do Papo de Pracinha.

 

“Devolvam o tempo do brincar na Educação Infantil”

(*) Papo de Pracinha

texto_proprioO Papo de Pracinha trouxe para o banco da praça essa reflexão oportuna e bem sustentada, postada no blog Educando Tudo Muda, da Ana Lucia Machado, em 19 de julho de 2017.

Como nós, ela defende a brincadeira como a atividade primordial das crianças e que, portanto, precisa ser garantida pelos adultos e pelo poder público.

Vamos ler? Sem pressa porque é bem bacana.


DEVOLVAM O TEMPO DO BRINCAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Educando tudo muda, autora Ana Lucia Machado em 19/07/2017

Será que não estamos adoecendo as crianças com nossa pressa? Será que o aumento dos distúrbios infantis, não estão diretamente ligados ao tempo insuficiente do brincar? Será que não estamos tolhendo as crianças de gastar suas energias brincando e exercitando a imaginação?

Analisando o cenário atual da Educação Infantil, a sociedade faz um apelo: devolvam o tempo do brincar na Educação Infantil. Não podemos aceitar as recentes mudanças impostas pelo MEC de escolarização da Educação Infantil. Leia aqui.

Faço parte de uma geração que passou os primeiros anos de vida brincando em casa, na escola, na rua, com amigos da vizinhança, com primos, cuidando da minha cachorrinha, ouvindo histórias contadas pelos mais velhos, andando de bicicleta pelo bairro, e assim  descobrindo e explorando o mundo.

Na pré-escola , até os 7 anos,  aprendi muitas canções e histórias, desenhei, pintei, recortei, colei, pulei corda, brinquei de roda, amarelinha, casinha, médico, professora, etc… Aprendi a dividir com os amiguinhos, jogar de acordo com as regras, pedir desculpas quando necessário, cuidar das plantinhas, guardar e arrumar o que tirasse do lugar, não mexer no que não fosse meu.

Há uma grande diferença entre a minha vida na pré-escola e a vida das crianças nos dias de hoje. Os anos pré-escolares se transformaram em uma competição acadêmica exaustiva. A Educação Infantil ficou muito parecida com o Ensino Fundamental, por causa da ênfase na alfabetização.

POR QUE TANTA PRESSA EM ALFABETIZAR AS CRIANÇAS?

Crianças de 4, 5 anos, ainda ávidas por correr, pular, girar, são requisitadas para atividades cognitivas que exigem um corpo estático e destreza em habilidades ainda em desenvolvimento na criança, como a coordenação motora fina. Raquel Franzim, assessora pedagógica do Instituto Alana, fala que “A criança aprende o mundo com todo seu corpo, não  apenas com os dedos de uma mão”.

alfabetização-precoce-2-300x200Autoridades escolares diminuíram o intervalo do recreio para criar espaço para mais conteúdo curricular. Em algumas escolas as crianças não podem mais correr. Com isso os consultórios de psicologia estão cada dia mais cheio de crianças com problemas de falta de concentração, ansiedade, e vários transtornos.

Em 2007, o Conselho de Pesquisa Econômico e Social da Inglaterra publicou um documento que contou com a participação de dezessete especialistas de diversas universidades europeias interessados na discussão entre a neurociência e a educação, que diz o seguinte:

“Contrariando a crença popular, não existem evidências neurocientíficas que justifiquem começar a educação formal o quanto antes. A plasticidade do cérebro é um fenômeno que dura a vida inteira, não somente nos primeiros anos.”

AFINAL, O QUE É A ALFABETIZAÇÃO? 

Paulo Freire sempre advertiu que alfabetizar é antes de mais nada conscientizar. Ele falava da conscientização do “mundo vida”, onde a criança vive, onde ela se encontra e o que a rodeia. Dizia que primeiro a criança lê o mundo para depois ler as letras”.

Em outras palavras é o que fala também a jornalista especialista em neurociências e neuropsicologia Michelle Müller: “Antes de generalizar o aprendizado das palavras ou apressar a alfabetização, é preciso ter em mente que a leitura de mundo dos pequenos acontece de muitas maneiras. Um bebê, por exemplo, lê com o corpo, com os ouvidos, com as mãos, a partir da exploração tátil, sonora e visual das coisas.

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O psicolinguista colombiano Evelio Cabrejo Parra, explica que “o bebê, ao nascer, já vem com a capacidade de escutar. Quando se lê para ele em voz alta ou se canta uma canção de ninar, ele se põe em posição de escuta. Isso quer dizer que ele está tratando de construir significado à sua maneira”.  Parra defende que desenvolvemos a linguagem desde bebês, e vê  a ‘alfabetização’ como um processo sutil anterior à fala e à escrita, que tem início por meio da escuta.

A experiência dos finlandeses, que não começam uma instrução formal de leitura antes de 7 anos de idade, revela que “a base para o início da alfabetização é que as crianças tenham atenção e ouçam … que elas tenham falado e conversado, que as pessoas tenham discutido [coisas] com elas … Que elas tenham feito perguntas e recebido respostas”.

 

alfabetização-precoce-4-300x138Beatriz Gayotto, pedagoga pelo Instituto Singularidades, e professora de Ensino Fundamental do Estado de São Paulo, adverti  que “o enfoque do trabalho da Educação Infantil deve ser a socialização da criança, o desenvolvimento das habilidades de ouvir, de se expressar e de negociar. A Educação Infantil deve aumentar os horizontes culturais das crianças, resgatar as canções, histórias e brincadeiras que elas conheceram em casa e ampliar seu repertório com o dos colegas e com aquele que a professora apresenta, tanto da cultura regional como da mundial”.

  • Habilidades motoras e domínio espacial, adquirido na exercitação do correr, saltar, rodar, equilibrar-se em troncos de árvores, perna de pau, trepa-trepa, etc…
  • Interação social, conquistado pelas brincadeiras e jogos em grupos, em casa e na escola
  • Expressão oral, saber dialogar, contar uma história, facilitado por repertório de canções, histórias, versos, parlendas, aprendidos em casa, na escola
  • Escuta, exercitado por ouvir histórias em casa, na escola
  • Registros de ideias e vivências artísticas por meio de desenhos, pinturas e colagens
  • Saber contar os números, exercitado nas brincadeiras de esconde-esconde, pular corda, nas compras com a família, na cozinha com os pais no preparo de receitas culinárias, etc…
  • Autonomia no cuidado pessoal e de seus pertences
  • Internalização de rotina e ritmo

Na contra mão da aceleração…

Bibi-natureza-300x225especialistas afirmam que o aprendizado formal  é mais produtivo  a partir dos 6 anos de idade, pois é quando as crianças são mais capazes de lidar com ideias abstratas. Afirmam também que  crianças que chegam à escola socialmente adaptadas, que sabem seguir instruções, compartilhar, ajudar os amigos, terão mais chance de dominar a escrita, a leitura, e os números.

Um dos grandes aliados da criança na primeira infância, como força de aprendizagem, é o brincar livre. Entretanto, infelizmente na sociedade contemporânea o brincar livre está em declínio, as novas gerações estão sendo privadas deste tempo e espaço de brincar.  Especialistas na área de educação e saúde vêm alertando sobre a diminuição do tempo de brincar das crianças e seus prejuízos.

Brincar é substrato para a vida,  é o motor da infância que garante a potência para a vida adulta. Brincando  a criança desenvolve competências que serão requisitadas mais tarde nas relações interpessoais e de trabalho. Brincar é uma atividade instintiva, natural e espontânea da criança. Ele é essencial para o desenvolvimento infantil integral e saudável, e segue tendo sua importância ao longo da vida adulta, porque afinal somos seres lúdicos.

Será que não estamos adoecendo as crianças com nossa pressa? Será que o aumento dos distúrbios infantis, não estão diretamente ligados ao tempo insuficiente do brincar? Será que não estamos tolhendo as crianças de gastar suas energias brincando e exercitando a imaginação?

O brincar tem origem na curiosidade e necessidade de exploração da criança para construção do seu próprio mundo, sua identidade, a imagem de si e a compreensão do mundo que a cerca. Ele ensina tudo o que os pequenos precisam aprender sobre a dinâmica interna e estrutura do seu próprio corpo. Quando brinca a criança está inteira na brincadeira, pois brinca com todo o seu ser. Brincando ela experimenta o estado de flow, e assim desenvolve a capacidade de concentração, necessária para o processo de alfabetização.

Quando meus filhos tiveram que ir para escola, optei por uma pré-escola com foco no brincar livre na natureza. O início do processo de alfabetização de ambos, só ocorreu a partir dos 7 anos, quando eles estavam prontos e maduros para as atividades intelectuais. Conto minha experiência em detalhes aqui.

Quando compartilhei minha história com os leitores do Educando Tudo Muda, dezenas de pais e educadores se manifestaram, expressando suas angústias e inquietações por meio de comentários no blog e nas redes sociais. Vale a pena ler esses comentários, como o da mãe Viviane Silva, e da professora Grace Vania Loguercio Budke:

“Oi Ana….amei seu texto sou estudante de pedagogia e tenho 2 filhos um 7 anos completos e outra com 5 anos, ambos estudam em escola pública e na escola pública o ensino vem mudando por exemplo os professores de EMEI agora que é o pré não precisa mais iniciar a alfabetização, tudo para deixar a criança brincar porém vem o estado e muda tudo, pq agora a criança inicia no ensino fundamental com 6anos, não tive problemas com meu filho pois faz aniversário em Maio então entrou no primeiro ano com 7 anos completos, mas já estou mega triste pois minha filha vai para o ensino fundamental com 6 pois ela faz aniversário em dezembro como completa 7 no ano seguinte já vai para o primeiro ano, eu acho tudo mais precoce nela, mas na alfabetização é bem claro q ela não está madura o suficiente, meu filho quando saiu ja estava lendo pequenas palavras mas isso foi sendo progresso dele sozinho, ir juntando as letrinhas q ia aprendendo, mas ele já estava para completar 7 anos, o que ainda não acontece com a minha filha ela ainda não despertou esse interesse pq não está na idade certa ainda, vai ser forçada a aprender e se alfabetizar 1 anos antes sem necessidade. Falei com a escola, pra ela ficar mais 1 ano na EMEI e isso não é possível, devido a demanda e tb pq a lei é essa agora, o primeiro ano é considerado a iniciação e ela está apta. Enfim, triste mas é a nossa realidade”.

“Sempre me questiono… Por quê alfabetizar antes dos sete anos??? Como professora presenciei angustiada a frustração de alunos imaturos e com sérios problemas de  relacionamento com o mundo exterior, por terem deixado os anos lúdicos por compromissos e hora para brincar. O bum!!!! Disso tudo se dá na pré adolescência lá pela quinta ou sexta serie. A desculpa de pais ansiosos é que hoje os pequenos já dominam a era digital!!!etc,etc. Que hoje é diferente. Sim, mas para eles antes dos 7 anos tudo ainda é brinquedo, sem compromisso , horário e confinamento de sala de aula”.

É preciso questionar o sistema e defender o direito das crianças viverem a infância como deve ser, respeitando as etapas de seu desenvolvimento. Tudo a seu tempo.

Abraço carinhoso

Ana Lúcia Machado


 

(*) Angela Borba e Maria Inês de C. Delorme

Xixi e Cocô: na cama, na fralda, na roupa.

(*) Papo de Pracinha, colaboração do dr Ricardo Chaves

texto_proprioHoje encontramos resposta para quase todas as nossas inquietações no famoso doutor Google, que coabita nossas casas. E é comum acontecer de antes mesmo de buscar se informar com profissionais especializados como pedagogos, pediatras e psicólogos em geral, de buscar informações e “modos de fazer” que precisam ser filtrados, porque nem sempre são qualificadas nem consequentes. Numa busca rápida, aprendemos que os adultos precisam saber a “hora certa” (?) para desfraldar seu bebê, que para isso é necessário providenciar os equipamentos “corretos” (?), que esse processo “pode começar com crianças de um ano e meio, que nessa fase o bebê deve andar pelado pela casa… “Ufa, mil dicas, as vezes divergentes, chegando a sugerir uma festa para a criança quando as fraldas forem embora de vez.

Não podemos dizer que todas elas estejam erradas, ou que não sirvam para nada, no entanto, elas não passam por um primeiro crivo, indispensável para se pensar em educação de crianças_ o fato de elas serem únicas e diferentes entre si. Ou seja, não existe um procedimento único e igual que atenda a todas as crianças.

Uma segunda questão sugere que se busque parceria, com humildade respeitosa, com outras áreas do saber para tentar responder ao universo de perguntas que surge na relação dos adultos com cada criança. Lembrem-se que o que vale para um filho pode não valer para o outro!

Assim, apoiados no pressuposto de que crianças de mesma idade não são iguais, nem tem os mesmos ritmos, desenvolvimentos nem aprendizagens, fazemos uma provocação com peso de “quase verdade” – respeitadas as diferenças entre as crianças, são as professoras e os professores os que conseguem orientar e obter um sucesso imbatível nesse tema, e em outros também. Por que isso acontece?

Primeiro, porque a relação deles com seu grupo de crianças não passa pela “maternidade”, permitindo-lhes viver esse momento com menos expectativas, mais calma e tempo (paciência, respeito)  e risco de frustração. Em segundo lugar, porque o chão da creche ou da escola, a cama e as roupas que usam podem e devem ser limpas e trocadas sem estresse, afinal o ambiente está montado para atender às crianças. Em terceiro, talvez o mais poderoso argumento, seja o aspecto relativo à força do grupo, do coletivo. Várias crianças que estejam em momento semelhante de retirada de fraldas e que, por isso possam ir juntas, em pequenos intervalos de tempo, ao banheiro acompanhadas de adultos, se ajudam e facilitam uns aos outros, nesse processo. Elas se veem e podem ser vistas em suas conquistas, não saem das atividades isoladamente para ir fazer xixi etc., ir ao banheiro passa a ser uma atividade suave, lúdica e produtiva.

No entanto, nem tudo é acordo e aceitação entre os profissionais quando se trata de retirada de fraldas. As educadoras do Papo de Pracinha concordam com o pediatra Ricardo Chaves, quanto ao início desse processo _ não antes dos dois anos, mesmo quando as crianças já dão sinais de identificação do xixi e do coco.  Na dúvida sobre as possibilidades individuais de controle de esfíncteres, vale o cuidado de não antecipar, não apressar esse início.

Uma questão se refere à retirada das fraldas em dois tempos, a diurna e, só mais tarde, a noturna; ou, dependendo das famílias, fazer esse movimento de uma vez só, sempre respeitando o ritmo da criança, conversando com ela sobre tudo o que ela e seus pais estão vivendo, experimentando juntos, com delicadeza e calma.

Nós, pais e mães, mesmo sem perceber, relutamos para aceitar que nossas crianças estejam crescendo, se tornando mais autônomas e independentes a cada dia. Muitas vezes não somos capazes de perceber como podemos acelerar, e também de retardar essas e outras aprendizagens importantes, como se alimentar usando talheres, comerem sozinhos, e também ficarem liberados das fraldas,  libertando seus pais da função de cuidadoras preferenciais da criança. Elas precisam crescer, e crescem,  e nós precisamos apoiá-las também nisso. A retirada das fraldas, em última análise, simboliza autonomia e independência da criança e nem sempre isso soa suave para os adultos, mas precisa se dar.

Como educadoras, sempre defendemos que a criança deva manifestar claramente o desejo/intenção/ possibilidade de o xixi e o coco serem feitos no vaso para começar a função. Quando estabelecemos uma relação de confiança com cada criança e ela nos indica que quer/pode tirar a fralda, junto com outros amiguinhos, apoiamos e iniciamos o processo, sempre junto, andando no mesmo passo com cada uma das famílias.

Há algumas ressalvas que ajudam às crianças nesse momento. Uma criança que se alimenta bem, depois dos dois anos não precisa mamar antes de dormir e muito menos durante a noite, como um hábito. Assim, como todos nós, se ela tomar muito líquido à noite terá mais vontade de fazer xixi enquanto dorme. É melhor que ela não tome mamadeira, nem beba muito líquido algumas horas antes de dormir!  Dica de professora!

Uma outra dica que sempre funcionou foi a de colocar a criança para fazer xixi antes de ir para a cama e mesmo depois que ela durma. Várias crianças conseguem ir, apoiados pelos pais, até o banheiro para fazer xixi, em intervalos regulares durante a noite, sem que isso cause um estrago no sono da criança e de seus pais. Lembrando-se que isso é uma fase de aprendizado e de amadurecimento que será superada, é temporária.

O tempo de superação entre a retirada das fraldas e a ida autônoma ao banheiro envolve aspectos psicomotores, movimentos internos e psicológicos para além dos aspectos práticos do uso fralda, do xixi e do coco no banheiro e por isso o tempo pode ser maior que o esperado por pais e educadores. Calma, sempre.

O pediatra Ricardo Chaves, sugere que essa retirada seja feita em duas etapas. Segundo ele, para a retirada da fralda diurna valem todos os sinais e orientações já dados aqui. Mas a criança pode permanecer usando fralda apenas para dormir, ainda por algum tempo, sem que nisso resida qualquer problema ou preocupação.

E então, nesses casos, como agir? Dr. Ricardo diz que essa “enurese primária”, característica de quem nunca controlou a urina, não costuma ter nenhuma origem clínica, nem merece preocupação exagerada. No caso de crianças que controlaram a urina e que, em algum momento, perderam esse controle apresentando o que se chama de “enurese secundária” sim, deve ser feito um acompanhamento médico para saber as causas e os procedimentos adequados.

Acontece de algumas crianças com quatro anos ou mais, eventualmente sentirem vergonha de usar fraldas à noite. É comum vermos algumas delas irritadas com os pais ao perceberem que foram dormir sem fraldas e que acordaram com elas. Nesse caso, além de ser sempre desejado que pais e filhos conversem sobre tudo, e também sobre a fralda noturna, que ela não seja colocada de forma “sorrateira” na criança.  E sempre que há conversa, diálogo, negociação e o estabelecimento de pactos, entre os pais e as crianças, elas se asseguram de que são importantes por sentirem-se respeitadas.

Podemos garantir que a linguagem seja constituidora do pensamento e que, portanto, cada vez que pais, mães e avós conversam com seus filhos que eles, os adultos, também se beneficiem muito com esse diálogo que é estruturante para os dois lados. Também não podemos esquecer que há organizações diferenciadas de famílias e pais que precisam acompanhar todas as fases da vida de suas crianças sem ter sua mãe fazendo essa mediação. Eles podem viver isso com seus filhos e filhas com delicadeza e riqueza, tanto quanto as mães, mas precisam compartilhar entre eles tudo o que se refere à vida de suas crianças.

Há, ainda, crianças que não querem dormir fora de casa, com avós, primos ou em casa de amigos pela vergonha de usar fralda e, nesses casos, como se pode ajudar?

Bem, se a criança se sente incomodada e constrangida ela está dando indicadores de que deseja mudar seu padrão de comportamento e que precisa de ajuda. Existem alguns mecanismos que podem funcionar bem, embora se sustentem em aspectos considerados “behavioristas ou comportamentais”, que nem sempre são os melhores porque o controle dos esfíncteres não resulta de habilidades mecânicas nem de treinamento apenas, mas também maturações psicológicas. No entanto, alguns mecanismos podem vir a ser produtivos para isso, nessa fase. Relógios que despertam e que vibram em intervalos regulares, sob a manobra do adulto, para que elas sejam acordadas para o xixi durante a noite podem funcionar. Já há um tipo de apito “sensível” ao xixi da criança que assim que começa a sair, produz um som que faz com que ela desperte, que se levante e que vá fazer xixi no banheiro.

E por que será que falamos mais na retirada das fraldas no caso do xixi, e nem tanto do coco? Aceitamos contribuições, mas isso será assunto para um outro artigo.

Em todos os casos, e poderíamos ficar aqui dando vários exemplos que funcionaram favoravelmente para a retirada dessa fralda noturna que mas o controle dessa enurese noturna precisara ser lento, respeitoso com cada criança e de natureza educativa. E educar dá trabalho.

Sendo assim, paciência, diálogo com sua criança e amor deverão lhes ajudar a encontrar saídas e alternativas felizes e suaves para esse rito de passagem.

(*) Maria Inês Delorme e Angela Borba, do Papo de Pracinha

INFÂNCIA FORA DA ASA

(*) Papo de Pracinha

texto_proprioEsse é o título do primeiro livro do Papo de Pracinha. Por que “Infância Fora da Asa”? Manoel de Barros, nosso querido poeta, que tanto valoriza a infância e a natureza, foi nossa inspiração, com seus versos que traduzem muito do que pensamos. Ele diz:  “Poesia é voar fora da asa”. E o que isso nos diz sobre a infância e as crianças? Para nós, as crianças são seres poéticos, que não se enquadram em molduras e modelos. São seres carregados de poesia nos seus modos de pensar e agir sobre o mundo, cujo percurso não pode ser previsto, posto que é sempre inusitado, desconhecido, inesperado, curioso, imaginativo e brincante. Crianças rompem frequentemente com os limites que nós, adultos, definimos para elas. Crianças voam fora da asa. Assim, a Infância precisa ser pensada fora da asa, de um modo inteiro e sensível, que contemple suas diferentes dimensões e especificidades, para além do olhar adulto que a aprisiona. É preciso ir além do instituído, é preciso voar fora da asa.

(*) Angela Borba e Maria Inês de C. Delorme


texto_proprioOs melhores textos do Papo de Pracinha vão virar livro, mas para que isso aconteça precisamos da sua colaboração. Participe. Colabore. Você não vai perder, não é? Clique aqui e saiba como.

“Crianças não namoram”

O Papo de Pracinha participou da matéria do site Opinião e Notícia sobre erotização infantil, veja abaixo a matéria completa.


Opinião e Notícia – 22 de Maio, 2017 – Priscila Fagundes

Namoro ou amizade?

Campanha contra erotização precoce das crianças ganha grande repercussão nas redes sociais e levanta debate polêmico, porém fundamental para a educação infantil.

No fim de mais um dia de trabalho, um grupo de pais conversa enquanto aguarda seus filhos saírem da escola. Em meio ao bate-papo, um dos responsáveis conta, divertindo-se, que a filha adora entregar “quem é namorado (a) de quem” na turminha de apenas três anos, em média. Todos sorriem e acham graça.

Mas criança namora? Na verdade, “nem de brincadeira”, estampa em seu slogan uma recente campanha lançada pela Secretaria de Estado de Assistência Social (Seas) do Amazonas, em parceria com o blog Quartinho da Dany.

Desde que foi divulgada, no dia 5 de abril, a campanha “Criança não namora. Nem de brincadeira” ganhou uma grande repercussão, principalmente nas redes sociais. A ação, que visa conscientizar pais e responsáveis “quanto aos riscos de expor as crianças aos relacionamentos afetivos próprios da fase adulta”, o que pode “adultizar e até mesmo estimular a erotização precoce”, já foi curtida mais de 100 mil vezes e compartilhada mais de 400 mil vezes, atingindo pelo menos 28 milhões de internautas em todo o país.

Em entrevista ao Opinião e Notícia, o psicólogo Luiz Coderch, coordenador da campanha, explica que “o objetivo inicial era apenas realizar uma conscientização a nível regional”. A ação, no entanto, cresceu de forma significativa, surpreendendo a própria secretaria: “Não esperávamos a repercussão, ficamos muito satisfeitos com a demanda, pois revela que a população está interessada em realizar discussões sobre as melhores formas de educar e proteger as crianças, e a mídia tem papel fundamental nesse processo”.

Luiz Coderch disse ainda que o retorno da campanha tem sido “excelente”, com pais e ou responsáveis procurando os profissionais da Seas para tirar dúvidas e buscar orientação sobre seus filhos. “No Facebook também temos recebido várias histórias interessantes de todo o Brasil, mas creio que as melhores histórias que tenho ouvido são as dos próprios funcionários. Apesar de sermos profissionais da área, também somos pais e mães, e alguns dos comportamentos, como beijar na boca dos filhos, também são cometidos por nós, e isso faz com que o processo de reflexão e busca por melhores condições para as crianças seja uma busca de todos. Somente nessas conversas abertas seremos capazes de desenvolver medidas de melhoria na educação intrafamiliar, bem como na educação formal”.

A reação de muitas pessoas contrárias à campanha “Criança não namora” ajuda a ilustrar a dificuldade em abordar o assunto. Nas redes sociais é possível encontrar perfis que criticam a ação, apontando um excesso de “politicamente correto”.

A professora, mestre e doutora na área de infância Maria Inês Delorme, uma das autoras do blog Papo de Pracinha, ressalta, também em entrevista ao Opinião e Notícia, que encorajar “o ‘namoro’ entre crianças é mais uma ‘das brincadeiras’ que os adultos fazem que não respeitam, as vezes até desagradam as suas crianças”.

‘Estou namorando’

Luiz Coderch ressalta que muitas vezes as crianças, mesmo não tão pequenas, não conseguem diferenciar totalmente uma amizade de um “namoro”. Não se deve, no entanto, reprimir as expressões de afetividade da criança. Por outro lado, não é preciso transformar relações de respeito e carinho em namoro.

“Os pais devem ficar tranquilos e estimular através da valorização dos princípios da amizade, como por exemplo explicar para a criança quais os comportamentos da verdadeira amizade como lealdade, sinceridade e parceria. E ao explicar esses valores tenha certeza que a criança assimilará que possui um amigo e não um namorado”, diz o psicólogo.

Inês destaca também que “o tema exige de pais e professores um conhecimento ampliado e destituído de preconceitos na área da sexualidade”.

“Crianças saudáveis são curiosas em relação ao seu corpo e ao corpo dos amigos, quando percebem que os corpos são diferentes, por exemplo, e isso nada tem a ver necessariamente com interesse sexual. Agir com naturalidade e sem deixar que ‘as experiências adultas’ invadam e tomem a cena é o melhor. Já sabemos de crianças bem pequenas com comportamentos bastante ‘sexualizados e perturbadores’ mas, quando se busca entender o contexto de vida e as experiências delas, em 99% dos casos há elementos que se apresentam para ela, cotidianamente, como corriqueiros e como valorizados. Os adultos precisam ter noção sobre suas responsabilidades em todos os casos”, ressalta a pedagoga.

Além disso, segundo Inês, a erotização infantil se sustenta na cultura do consumo. Pautar desejos e comportamentos das crianças por um viés sexual que ainda não lhes pertence é cruel, “exatamente porque existe alguma valorização por parte dos adultos que a cercam”. Comprar maquiagens, tirar fotografias e expor as crianças em redes sociais, muitas vezes com roupas insinuantes, semelhantes às dos adultos, são “modos simples de tornar invisível a vida das crianças, seus direitos, desejos e suas culturas próprias”, explica.

O tema é polêmico, importante e, muitas vezes, desconcertante. Talvez tudo seria mais fácil se ficássemos com “a pureza das respostas das crianças”.

 

http://opiniaoenoticia.com.br/opiniao/namoro-ou-amizade/


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Sobre o que dizem os psicólogos de Harvard: “Pais que criam bons filhos fazem essas 5 coisas”

(*) Papo de Pracinha

texto_proprioVale a leitura dessa pesquisa feita pelos psicólogos de Harvard, traduzida e publicada pelo blog Papo de Pai em 21/04/2017.

“Psicólogos de Harvard revelam: Pais que criam bons filhos fazem essas 5 coisas”

Concordamos inteiramente com o que dizem os psicólogos de Harvard. Lembramos, ainda, que autonomia, dignidade e vida colaborativa são valores importantes que se constituem na relação cotidiana das crianças com seus adultos de referência, preferencialmente, sua família, embora não só dentro dela.

Assim, no lugar de verticalizarem autoritariamente as relações que estabelecem com suas crianças, sem perderem seu lugar diferenciado como pais e responsáveis, propomos que os adultos falem menos, que se expliquem e que se imponham também menos e que, em seu lugar, escutem, compreendam, divirjam mas que dialoguem permitindo que elas cresçam sentido-se amadas e importantes dentro da sua família.

(*) Angela Borba e Maria Inês de C. Delorme

Mães: ágeis, velozes e, às vezes, furiosas.

(*) Papo de pracinha

texto_proprioDevemos ao comércio a instituição dessa e de outras datas festivas que conhecemos hoje. Como mãe é “pau para toda obra”, dona do tal “amor incondicional”, figura complexa e em geral protetora, não dá para fingir que esse dia não exista, ainda que com o cuidado de não resvalar para o toque comercial.

Há aquelas bravas e sem muita memória de que um dia foram crianças e jovens e assim, tentam fazer com que suas crianças sejam adultas e ajuizadas, como ela, desde sempre, e elas fazem tudo isso por extremo amor.

Há as que acompanham o crescimento dos filhos regredindo na idade, buscando ser amigas e companheiras dos jovens filhos parecendo ter quase a mesma idade deles e, nesses casos, seu(s) perfil(is) de mãe, por extremo amor,  fica diluído e as vezes, perdido.

Há outras, as que acreditam saber o que é melhor para seus filhos, em qualquer idade. Orientam, acompanham e, com isso, pensam que têm total controle sobre as ações e escolhas. Por amor, claro. Sempre.

Bem, há também as que se orgulham de serem “pai e mãe”, por amarem intensamente seus filhos, como se isso fosse possível. Certas frases entram nas nossas vidas como se fossem verdades inquestionáveis e, como essa, acabam fazendo com que algumas acreditem ser possível acumular a função materna e paterna em uma só pessoa. Mas, ainda assim, não falta amor.

Há louras, morenas, gorduchas, intelectuais, do lar, depressivas, alegres e de todo o jeito. Mais permissivas e mais autoritárias. Sempre, ou quase sempre por amor elas tentam se manter próximas dos filhos disputando com eles o lugar de raiz, do que lhes sedimenta. Mães sedimentam os filhos, ou vice-versa? Como é isso?

Bem, como mães, precisamos ser generosas com todas as mulheres sem perder de vista que as “mães de verdade” nada tenham a ver com essas “mães de poesia”, sempre generosas, boas, prestimosas, disponíveis, doces e orientadoras sem serem autoritárias. Perfeitas.

A vivência da maternidade é deliciosamente complexa, é incrivelmente difícil e não se repete como fórmula nem na relação de uma mesma mãe com seus diferentes filhos. Cada mãe é uma com aquele filho, não no “tamanho” do amor, mas na vivência desse amor cotidiano que exige atenção total, respeito às diferenças e parceria. É difícil, bem difícil, mesmo quando a tarefa é dividida entre dois adultos, que podem ser pai e mãe.

O que dizer para todas elas na passagem de mais um “segundo domingo de maio”, sem sermos repetitivas, piegas nem cair num lugar comum? Também é difícil.

Bem, as mães de hoje estão muito mais fortes no seu papel. Não se sentem diminuídas ao assumirem “parcerias de casal” com quem dividem medos, preocupações, conduções e também a hora do banho, a ida ao pediatra, a alimentação, os passeios de seus filhos. Aí não cabem competição nem desvalias. As mães sabem dos seus deveres e do que só elas podem fazer, como amamentar e dividem com nobreza a educação dos seus filhos. Isso também é amor.

No mais, ainda vemos hoje que as mulheres continuam precisando tirar coelhos de cartola enquanto giram pratos e malabares para dar conta de tudo e, sempre que possível, com alegria de viver, no rosto e no coração.

A essas e as outras mães guerreiras que, por amor, vão à guerra por seus filhos desejamos saúde, força e alegria. Assim, podemos saber porque nas horas mais difíceis os filhos de todas as idades acabem gritando firmemente por “mamãe”. Eles sabem que estamos por perto, mas precisam lembrar que estamos pertinho também nos momentos de alegria, de vitória e de prazer.

Ser mãe, de verdade, nada tem a ver como “padecer” e nem, muito menos com o cenário de “paraíso”, mas, talvez, sejam merecedoras de aplausos todas aquelas que são verdadeiras, sensíveis, discretas quando necessário e, sobretudo, fortes afetivamente para acompanhar a vida dos filhos sem força, sem a fantasia da onipresença e sem poder. Nós avisamos que era difícil! Viva todas as mães, de todos os tipos! Hoje e sempre.

 

(*) Angela Borba e Maria Inês de C. Delorme