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Os livros, a literatura e as crianças: uma porta para outros mundos.

(*) Papo de Pracinha

texto_proprio Nesses tempos de quarentena, os livros podem ganhar um significado especial para as crianças e suas famílias.  A leitura literária traz  alegria, imaginação, encantamento, afeto, diversão, descobertas, conhecimentos, aconchego, perguntas, respostas, curiosidades… E mais: a possibilidade de ir para outros tempos e lugares. Nas palavras do escritor José Saramago “a leitura  é, provavelmente, uma outra maneira de estar em um lugar”. Sim, a leitura provoca a nossa imaginação, nos leva para outros universos e nos traz novos modos de ver, pensar e sentir o mundo em que vivemos. Nesse contexto de distanciamento social, pode ser uma possibilidade de estar de “dentro de casa” de outras formas.

A leitura ultrapassa em muito a função de decifrar e interpretar o código escrito. Nos possibilita ler o mundo, como defendia o nosso grande educador e pensador Paulo Freire:  “a leitura do mundo precede a leitura da palavra”. Quanta sabedoria!

Há hoje uma vasta produção de literatura de boa qualidade dirigida às crianças, com uma oferta múltipla de  gêneros, abordagens, suportes e estilos. Os avanços no que diz respeito à ilustração, ao design, ao projeto gráfico e à diversidade de temáticas é inegável. Literatura de boa qualidade precisa estar disponível às crianças, desde cedo, tanto nas escolas como nas suas casas (sabemos, infelizmente, que essa realidade ainda é muito distante para a maioria das crianças brasileiras). Esses diferentes contextos proporcionam experiências diversas com a leitura, pois têm seus próprios tempos, espaços, possibilidades de escolha, interações, afetos, campos de significados, entre outros aspectos.  Mas em ambos é preciso que a leitura garanta a fruição, a imaginação, o jogo, a produção de sentidos, a liberdade de interpretação. Isso se opõe totalmente à leitura utilitária, pragmática, didática, tão comumente adotada na educação de crianças, sobretudo nas escolas. Não se lê para aprender, no sentido de resultados mensuráveis. A leitura é antes de tudo parte da formação humana, amplia o conhecimento de si e do mundo.

A leitura literária, desde os primeiros meses de vida, deve permitir que a criança entre no mundo simbólico, da ficção, ampliando o seu universo por meio do contato com outras vozes, narrativas, culturas, conhecimentos e sentidos que se constroem nesse processo. Assim, pais, professores, avós… assumem um importante lugar de mediadores, proporcionando às crianças experiências com as palavras que se desdobram e permanecem em sentidos e significados compartilhados.

Muitas pessoas se espantam quando se fala em leitura para bebês. É possível? Como? Os adultos podem incentivar, desde os primeiros meses e ao longo da vida da criança, o contato com os livros e o acesso à leitura: oferecendo-lhes o objeto livro para ser explorado com todos os sentidos; contando histórias com ou sem livro; praticando a leitura compartilhada, que acontece a partir interações entre as manifestações das crianças – através dos gestos, expressões e movimentos corporais-, o livro e todos os seus recursos – ilustrações, sons, texto verbal, formas, texturas – e o adulto com suas falas, entonações, gestos, expressões e movimentos corporais. A leitura é um momento de aproximação, afeto, atenção, fortalecimento de vínculos e construção de experiências.

Nesse período em que as crianças estão em casa, sem escolas, sem convívio com outras crianças, cheias de perguntas, projetando o futuro para “quando o coronavírus acabar”, a leitura literária pode ajudar a criança a perceber melhor seus sentimentos, experimentar outras formas de sentir e de ser, imaginar, conhecer melhor a si mesma e o mundo ao seu redor. Pode ser uma porta que permite à  criança sair do lugar em que está, experimentando viver novas experiências.

E que os bons ventos levem as palavras de Paulo Freire aos ouvidos das escolas – “a leitura do mundo precede a leitura da palavra” -, permitindo que as crianças tenham uma formação mais humana.

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(*) Angela Borba e Maria Inês Delorme

1 comentário em “Os livros, a literatura e as crianças: uma porta para outros mundos.

  1. A leitura desse texto maravilhoso, me faz pensar no sem fim de possibilidades de amar as crianças!!! Embora as crianças estejam acostumadas à solidão de seus contatos virtuais, podem curtir muito esse contato com os pais ao lhes mostrar um jeito diferente de imaginar, pois observando as mímicas, os sons, as descrições descobrirão, certamente, um universo maior recheado de carinho e presença.

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