Outros temas Uncategorized

As crianças, o coronavírus e a quarentena.

(*) Papo de Pracinha

 

texto_proprio O momento é difícil para todos, muitas informações circulando e uma ameaça real a vida de todos, de todas as idades, com mais ou menos riscos.

Crianças de todas as culturas e tempos lidam com fatalidades, tragédias e fatos escabrosos, mais perto ou mais longe delas, fisicamente, embora sejam todos assustadores.

Não é preciso ir muito longe, basta lembrarmos da queda das Torres Gêmeas, em 2001, dos  mais famosos tsunamis como o da Indonésia em 2004 e o do Japão em 2011, para citar apenas dois. Tudo alta e repetidamente veiculado pela mídia e pela Tv que, ainda hoje, é a mídia  com maior presença nos lares brasileiros. Há, ainda, a questão sensível e dolorosa  dos refugiados de guerra,  dos refugiados por todos os motivos, incluindo aquela imagem dura de uma criança síria, encontrada morta numa praia, devido ao naufrágio do barco em que estava com sua família, enquanto tentavam  chegar à Europa.

A vida é feita apenas de coisas desastrosas e terríveis? Claro que não. Acontece que com o acesso direto às  diferentes  mídias, e também pelo contato social, as crianças  ficam sabendo do que se passa no mundo e nos parece equivocado achar que elas ficam à parte do que  vivem os adultos.

Na década de 90 vimos crianças brincando na escola de “pique AIDS”. Pode parecer grosseiro,  anti-ético, indelicado etc., e foi, e é mesmo, aos olhos dos adultos. Mas elas tinham informações de que havia uma doença nova,  que “pegava” no contato humano (?) e assim, como fazem pique- cola, pique alto, pique-tudo, criaram o pique AIDS.

Há dois dias ouvimos crianças de 4 a 8 anos, mais ou menos, comemorando e batendo palmas gritando CO-RO-NA, CO-RO-NA  etc.,  ao terem notícias de que as aulas estavam suspensas e que seus pais também estariam em casa, “sem trabalhar”.

Que crime há nisso?  É preciso saber que a dinâmica de vida das crianças, as suas formas de pensar e de sentir não têm equivalência ao que pensam os adultos, alem de eles serem diferentes entre si, como elas também.

Assim, é importante que elas participem das decisões da família sem exageros, e que seja usada a forma mais delicada e verdadeira  possível para que ela entenda porque não pode encontrar a avó , ir à escola, ir ao parquinho etc.

Todos os dias pode haver uma ligação com imagem “via whatsapp”  para a vovó, com bom humor e boas risadas.  As brincadeiras em casa,  de fato, ficam mais restritas mas é hora de criar  brincadeiras , alternando com horários de desenhos animados na TV. Que tal, em tempos de máscaras nas ruas, criar máscaras de bichos e de monstros com papel e/ou tecido e cola?

Sobre o corona vírus? É uma gripe muito, muito forte. O mundo todo está tendo essa gripe e então, a gente precisa se proteger. Os velhinhos podem ter essa gripe de uma forma ainda mais forte e por isso eles têm que ter uma proteção mais efetiva.

Sobre a sensação efetiva de perda, as ameaças de perdas, pode-se afirmar que as crianças lidam com elas de formas muito próprias quase desde que nascem: quando morre seu cachorro, quando perdem brinquedos na pracinha, quando quebram brinquedos importantes para elas, quando ganham um irmãozinho “que as destrona” do centro da família, por exemplo. E superam, aprendem com as perdas, e vencem.

Agora, papai e mamãe terão que organizar o tempo e dividir o computador para trabalhar de casa. E mais, a pessoa que nos ajuda aqui em casa também ficará na casa dela, com a família dela, para se proteger. Então, precisaremos cuidar da casa todos juntos, com muita higiene.

Precisamos estar atentos para proteger todos aqueles que não têm como trabalhar de casa, não têm computador, nem wifi em casa. Os que trabalham limpando, cozinhando, dirigindo etc. estão expostos e, tanto ou mais do que aqueles que moram em comunidades e não têm, sequer 1.5m  de distância dos/das seus filhos/as, da/do companheiro/a e do vizinho ao lado. De fato, as crianças não precisam  estar a par de tudo, mas  cada família tem muito a ensinar e a conversar com elas sobre todos esses impedimentos, em nome da saúde individual e coletiva, sempre sem alarde, com muito amor e sintonia com a criança. Isso faz e fará sempre muita diferença.

 

(*) Angela Borba e Maria Inês Delorme

1 comentário em “As crianças, o coronavírus e a quarentena.

  1. Morgana Rezende

    Texto excelente para ajudar as famílias nesse momento. É preciso ter tranquilidade para lidar com tudo isso, sem perder o foco na criança que , muitas vezes, não compreende a dimensão do que estamos vivendo.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: