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Brincando com crianças, mapeando afetivamente a cidade

(*) Papo de Pracinha

texto_proprio “As crianças têm o direito de se expressar e escolher a maneira de fazê-lo. Elas têm o direito de dar sua opinião e o adulto tem o dever de ouvi-las”, artigo 12, Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança (1989).

“A brincadeira livre é um direito fundamental da criança e os estados têm que proporcionar espaços de lazer para as crianças exercerem seu direito de brincar na cidade, e para isso devem  mudar suas prioridades (trânsito, transporte público, bicicletas e pedestres) e adaptá-las às necessidades das crianças,” artigo 31,  Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança (1989).

Embora a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Crianças já tenha completado  30 ( trinta) anos, estamos ainda  longe de garantir esses direitos as crianças brasileiras. No máximo, e na melhor das hipóteses, consegue-se planejar e “atribuir aos territórios a noção de permanência das crianças apenas em determinadas áreas: parques, creches, escolas, etc.” Embora sendo reconhecidamente um ganho, sabe-se que isso limita muito a noção de pertencimento e “diálogo das crianças com a cidade”.

Quem defende isso, como nós, é  Jan Gehl, urbanista dinamarquês que tensiona “a ideia de cidade como playground” como uma visão que apenas serve para distinguir pequenos espaços de lazer para as crianças. Na verdade, as cidades podem ser “um grande espaço infantil”, diz ele, e com isso ele identifica que o desafio é outro: “a rearticulação das crianças com o espaço urbano” ( CECIP. 2019).

Vários estudiosos de diferentes áreas sabem, tanto da importância de as crianças, e todos nós, nos sentirmos donos da nossa cidade, quanto dos desafios que há por vencer para uma ocupação dos espaços da cidade sem medo, por exemplo, no caso do Brasil.

Não somos estudiosas de geografia nem especialistas em registros gráficos da cidade, como fazem arquitetos etc., mas apostamos na importância de as crianças se sentirem donas da cidade, de as crianças circularem a pé, sempre que possível, de bicicleta ou de skate (quando puderem) pelos espaços da cidade, e não apenas de carro particular,  nem de ônibus escolar.

Conhecer e “mapear” do jeito delas, os espaços da cidade, segundo a sua forma própria de se orientar e de se organizar é uma atividade que pode ser alegre, instigante e fazer com que as crianças voltem, confiram, repensem o que fizeram, e que refaçam muitas vezes essa representação.

Sugestões:

  1. A brincadeira pode começar com papéis, palitos, caixas, cola e tesoura. Também pode ser acontecer com massa de modelar, argila . E ainda, se preferirem, com revistas velhas, tesoura e cola.

É importante tentar saber e ouvir as crianças, sem direcionamentos,  sobre como é a sua cidade?   O que tem na sua cidade?  Dica para os adultos, ao interagirem com as crianças:  o que tem na sua cidade? Praia? Lagoa? Mercado? Feira livre? Igrejas? Praças? Pista de skate? Ruas? Escolas?  Muita coisa.

Elas devem fazer com qualquer daqueles materiais (recortes , massinha etc) tudo o que tem na cidade. Elas podem ir lembrando de outras coisas que poderão ser feitas depois e, em seguida,  colocadas depois no mapa delas.

  1. Numa folha grande de papel pardo, ou outro papel, ela vai organizando as imagens no papel. É bom que elas tenham um ponto de referência: sua casa, sua escola, a igreja da praça? E que marquem as ruas, logo que puderem.  Depois  disso elas vão arrumando nesse papel onde fica cada coisa: arvores, casas, igreja etc.

É melhor não colar logo porque seria bacana se elas pudessem conferir, por exemplo, no caminho da escola, o que fica em frente ao sinal de transito, do outro lado da rua: uma casa lotérica,  um terreno baldio?

Mais importante do que o resultado final dessa brincadeira é o percurso de construção da cidade, segundo o olhar delas, com todas as idas e vindas necessárias.  Todo o percurso pode ser fotografado para que ela veja depois o seu processo de construção. Imprimir as fotos é muito bom para essa revisão afetiva

Depois que as crianças derem por concluída a brincadeira, vocês podem conversar com elas.  Já ouvimos muitas crianças pensando sobre a cidade. Semana que vem contamos.

(*) Angela Borda e Maria Inês Delorme

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