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Como e por que oferecer recreio escolar em instituições de educação infantil?

(*) Papo de Pracinha

texto_proprio Não há como pensar nos espaços de liberdade e de brincadeira nas instituições de educação infantil de modo descolado das concepções: de criança, de aprendizagem e desenvolvimento, do quê e de como se quer “ensinar às crianças”, respeitando, ou não, seus direitos como tal.

Pelo menos duas tendências foram identificadas. De uma lado vemos o tempo do recreio sendo simplesmente reduzido ou suprimido, o que implica a redução dos espaços e tempos de brincar. De outro,  vemos propostas mais progressistas em que o termo perde o sentido uma vez que o brincar é algo que está presente no dia das crianças em diferentes espaços e tempos, não necessitando daquele horário pré-definido. O que não pode faltar é a possibilidade de as crianças brincarem “do lado de fora e do lado de dentro”, muitas vezes podendo escolher entre ficar em um, ou em outro espaço. Isso é bom.

Se a brincadeira faz parte de todo os dias,  se elas podem fazer atividades em espaços variados da instituição, se elas têm seus ritmos, tempos e subjetividades respeitados, a escola e as salas não são “cárceres oficializados”. E nesses casos, felizmente, a “pedagogia do bonde” não vigora.

Sabe-se, hoje, que as crianças são semelhantes em determinadas idade e fases da vida mas que suas vivências e experiências, em cada um desses momentos, fazem de cada uma pessoas muito diferenciadas, com direito à garantia de sua subjetividade.

Muito embora a aprendizagem e o desenvolvimento infantis apresentem marcadores comuns e muito semelhantes, sabemos que os processos das crianças não podem ser acompanhados e avaliados como sendo lineares, etapistas e submetidos a aspectos prioritariamente biologizantes. Eles não se dão da mesma forma em todas as crianças!

Pedagogos, pediatras, psicomotricistas, artistas, poetas, linguistas, psicólogos precisam trabalhar juntos, com humildade e seriedade, para apoiar o desenvolvimento infantil reconhecendo suas nuances, suas múltiplas facetas e áreas de  interseção.

Para começar, precisamos reafirmar e saber argumentar porque brincar não é pouco! Não é pequeno.  Não é menor. É atividade essencial das crianças  como um direito de liberdade. É  a forma própria de elas se relacionarem consigo mesmas, com os outros e com o mundo. E, também com aprendizagens significativas.

Crianças “sabidas e felizes” não se submetem passivamente a aprendizagens apresentadas de modo  gradativo, com uma progressão linear pré-estabelecida, cumulativa e previsível.  Isso não existe. Crianças sabidas se conhecem e freiam, quando são cobradas além ou aquém do que são,  do que podem, do que lhes interessa.

A proteção integral à criança, definida em leis, desde a constituição de 1988, que estabelece e exige a consolidação e dos seus direitos, garante a brincadeira livre e a relação necessária entre autonomia e dignidade.

Assim, exige-se que a escola funcione como um espaço de garantia e proteção a esses direitos mais fundamentais, criando condições para a sua efetivação completa.

O brincar permite à criança encontrar-se consigo mesma, com suas ancestralidades, com os outros e as diferenças, com sua potência pessoal e também com seus limites, com imaginação, fantasia e coma capacidade de renovar e de refazer o mundo ao seu jeito.

Já passou da hora de repensarmos juntos os espaços escolares organizados com mesinhas e cadeiras, voltados apenas para “trabalhinhos com canetas, papel e cola”. As crianças precisam e têm o direito a espaços e tempos dignos, que não podem ser cerceados nem abolidos, muito menos pelas/nas escolas. Em contato com a natureza, melhor ainda.

A sala de aula deve ser uma sala de atividades , sempre com moldura educativa, mas sem excesso de mesas e cadeiras, sem excesso de controle, sem rigor de comando e de previsibilidade  sobre todas as brincadeiras infantis. Não temos esse poder, ainda bem. E as crianças aprendem a negociar , melhor do que a obedecer, quando há transparência, amor e sinceridade

Crianças precisam explorar, conhecer e dominar afetivamente os espaços escolares que não podem representar poder autoritário nem prisão, para que elas gostem de viver ali,  para que se fortaleçam para investigar, inventar, agir, descobrir e, assim, para que se sintam ali seguros para brincar e  para serem crianças. Sendo amados pelo que são.

Lembrem-se que ninguém pode brincar por elas, ninguém pode brincar em nome delas, ninguém pode fazer as suas escolhas, por elas. Mesmo assim, vale lembrar que a brincadeira livre e a vida não perdoam atos de negligência  nem de desatenção dos adultos em relação a todas as crianças, em todos os momentos , em casa e na escola.

Vamos conversar mais? O  Papo de Pracinha vai na sua escola, vai lhe encontrar, se e onde você quiser.

 

(*) Angela Borba e Maria Inês Delorme

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