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Recreio escolar: direito sob medida?

(*) Papo de Pracinha

texto_proprio O Papo de Pracinha tem recebido inúmeros questionamentos sobre as brincadeiras nas escolas, sobre a hora do recreio, sobre o que se pode, ou não fazer no recreio e, ainda, sobre  a própria manutenção dos tempos de recreio na educação infantil. E estamos nos referindo a crianças com até 6 anos de idade, pela legislação escolar, mas que esperançosamente devem permanecer crianças aos 7, aos 8 etc.

Para essa discussão, vamos retomar alguns pontos, todos interligados:

  1. O recreio escolar foi estabelecido a partir de uma concepção  de educação de crianças como sendo um processo árduo, penoso, repleto de exigências quanto à: organização desejada para os corpos e as mentes delas, imposição do silêncio para que “pudessem aprender”, apenas com os  olhos e os ouvidos, o que o professor lhes “ensinasse”. E por aí afora.
  2. Nesse viés, as experiências institucionalizadas, voltadas para uma  “aprendizagem  escolar orientada”, funcionavam como “um bonde” que passava, numa velocidade única, e que recolheria dentro dele os mais próximos das expectativas pedagógicas, de cada  família e de cada instituição, planejadas por etapas, para cada idade. Os que não conseguissem embarcar nesse bonde, seriam (ou ainda são) os problemáticos, os diagnosticáveis, muitas vezes, os excluídos. Esse bonde, para usar a mesma imagem, não consideraria aspectos valiosos como imaginação, fantasia, capacidade de brincar sozinho, em grupo, aspectos plásticos e artísticos voltados para todas as formas de expressão e de linguagem. Nem mesmo a linguagem e as práticas discursivas faziam , ou fazem, parte do “protocolo do bonde” que visava, ou ainda visa, apenas resultados, atenção, silêncio, obediência e passividade e que resultava num tipo muito pobre de aprendizagem. Atenção, a “pedagogia do bonde” ainda está entre nós!
  3. Recrear, portanto, era oferecer generosamente “alguns trinta minutos” de liberdade em pátios e espaços menos enquadrados para “proporcionar recreação (a alguém ou a si mesmo), divertir-se, distrair-se, alegrar-se, folgar, brincar” ( Dicionário Online de Português, disponível na internet em 26/10/2019).

E nessa pegada, o “cativeiro”, o celeiro do silêncio, da paz e da disciplina  deveriam ceder lugar ao que fora chamado, grosseiramente,  como “o estouro da boiada”. Crianças saíam (ainda saem?) das “salas de aulas” (sic) como seres velozes e furiosos, recém libertados para brincar. Ufa. Nem sempre o recreio era livre para brincar, nem sempre o é, ainda hoje, embora deva estar sob a supervisão de professores, sempre.  Estamos falando de crianças !

Por que há mudanças? Porque elas precisam acontecer em todas as  escolas?

Porque foi o fracasso desses modelos que obrigou os estudiosos a  buscar conhecer mais profundamente certas questões que afetam diretamente a vida escolar e familiar das crianças.  As escolas não podem funcionar como cárceres nem como espaços de produção de exclusão, em nenhuma hipótese!

Em tempo, porque será que sempre há médicos pediatras presentes nos debates sobre essas e outras questões, nem sempre com a presença de educadores? Os aspectos biológicos da vida infantil preponderam sobre a cultura, sobre suas vivências e sobre o que é pensado para suas aprendizagens e vida? Onde estão os educadores?

Vamos falar mais sobre a brincadeira nas instituições de educação infantil? Participem conosco, mandem seus casos particulares, suas críticas e sugestões. Até semana que vem.

(*) Angela Borba e Maria Inês Delorme

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