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Quando as crianças são as fotógrafas

(*) Papo de Pracinha

texto_proprio Estamos o tempo todo propondo reflexões e fazendo críticas  sobre  o excesso de imagens, em fotos e vídeos,  de crianças, postadas nas mídias sociais. O celular, nesse caso, é o maior aliado do impulso, do imediatismo e do registro desnecessário para ser possível essa divulgação plena de tudo o que envolve a vida de adultos e crianças.

No entanto, os celulares não tem culpa de nada. Hoje, as câmeras fotográficas que estes  oferecem são cada dia melhores e, como todos têm um celular, pode-se dizer que há uma maquina fotográfica disponível e na mão de todo mundo.

As crianças também podem tirar proveito disso, e de mil formas, em especial, quando estão já um pouco mais crescidas.

Vamos listar aqui alguns passos que podem ajudar mães, pais, avós e  amigos das crianças,  com alternativas criativas, parceiras  e empolgantes para elas.

Passo 1- em todos os casos, sempre, as crianças  devem escolher, imaginar um recorte possível   e  dialogar com o adulto sobre a cena que deseja perpetuar com a fotografia.

Passo 2- adultos e crianças precisam conversar sobre a possibilidade de imprimir a foto para ser guardada  numa caixa, num álbum, numa gaveta secreta.  Por exemplo: uma foto junto com o Peter Pan depois  do teatrinho, uma plantinha que está prestes a dar flores, o nascimento de pequenos animais domésticos, o primeiro passeio de trem ou de ônibus.

Passo 3 – o adulto deve ajudar a criança a perceber elementos importantes para a fotografia como a luz,  o enquadramento, a importância de ela se manter paradinha para fotografar, a possibilidade de as fotos serem coloridas ou em preto e branco.

Passo 4 – o apuro do olhar, da sensibilidade e do senso estético deve ser alimentado e estimulado pelos adultos. As crianças precisam aprender a olhar  para o mundo e para os espaços por onde ela circula. Olhar para o céu, para o chão, para as árvores, para as construções,  para a água da chuva etc.

Passo 5-  criar álbuns de fotos em cadernos, em álbuns  próprios para isso e criar o habito de entregar as fotos tiradas pelas crianças para elas organizarem.  O fato de relacionar as fotos à sua impressão em papel ajuda a criança a se organizar em relação ao seu tempo de vida, ao que foi vivido há muito tempo, ontem etc. e, ainda,  a quebrar com o “consumismo  desenfreado de imagens”, tão comum entre os adultos. Tudo é filmado e fotografado, mas  para quê? Para quem?

Fotos impressas podem ser levadas de um lado para outro. Já pensaram na emoção de levar para a escola, ou para a pracinha,  as fotos  tiradas pelas próprias crianças, junto com seus adultos de referência?  Já pensaram em  uma exposição na escola ou no clube, de fotos tiradas pelas crianças? E elas ali, presentes, podendo apresentá- las? Sucesso garantido.

Nesses casos, o apuro técnico dará lugar a histórias de vida, a afetos e sensibilidades, ao protagonismo infantil. Sobretudo,haverá a possibilidade de as experiências delas serem narradas por elas mesmas, com o apoio das imagens .

Acreditamos, como Manoel de Barros, que “o olho vê, a lembrança revê e a imaginação trasnvê”. É preciso transver o mundo.

 

(*) Angela Borba e Maria Inês Delorme

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