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“Brincar e Aprender”

(*) Papo de Pracinha

texto_proprio O jornalista Antônio Gois, em sua coluna de 19/08/2019 do jornal O Globo, nos fala de um livro que acaba de ser lançado nos EUA, com o título “Deixe as crianças brincarem”. São dois autores: Sahlberg é finlandês e foi professor visitante em Harvard e Dohlberg, é americano e hoje é pesquisador na Universidade da Finlândia Oriental.

Sugestivo e atual o título do livro! Claro que o Papo de Pracinha se identificou, pois se encaixa perfeitamente na nossa missão, que tem sido, desde sempre, a defesa do direito das crianças à brincadeira! Por isso, estamos compartilhando o texto do Gois com nossos leitores. Mais uma dica de leitura e mais uma oportunidade de refletir sobre a necessidade de garantir às crianças tempo e oportunidade de brincar e de viver as suas infâncias!

Não faltam estudos e pesquisas científicas revelando o valor da brincadeira para as crianças e recomendando que essa dimensão esteja sempre presente na vida delas. Esses trabalhos vêm apontando a relação positiva do brincar com uma ou mais dimensões, como: felicidade, bem-estar, saúde, desenvolvimento cognitivo, desenvolvimento emocional, desenvolvimento integral, aprendizagem, sociabilidade, entre outras possibilidades. Nós, do Papo de Pracinha, pesquisadoras e professoras que somos, também nos dedicamos ao assunto, e já mostramos, por exemplo, que a brincadeira é um dos pilares das culturas infantis e, também, uma dimensão e uma atividade humana que impulsiona o desenvolvimento da criança. Por isso, sempre trabalhamos, seja nos nossos programas de formação de professores e consultorias para as redes pública e privada de Educação Infantil, seja junto às famílias, seja nos nossos posts, para que a brincadeira tenha seu devido valor no cotidiano das crianças.

O livro americano, segundo Gois, critica o sistema educacional americano por caminhar numa direção oposta ao que os autores pregam, ou seja, um sistema que investe na cultura de resultados e de preparação, por meio de atividades e testes padronizados, o que tem levado à diminuição do tempo livre para brincar e das atividades esportivas, artísticas e culturais.  Não tem sido muito diferente aqui no nosso país, não é mesmo?

Brincar e aprender não precisam estar em lados opostos! Ambos são direitos das crianças. É preciso, mais do que nunca refletir sobre o que é, para que e como é efetivamente aprender na infância. Podemos fazer as mesmas perguntas em relação ao brincar. Se conseguirmos responder a essas questões,  sem apagar a criança, dialogando com ela como sujeito real, vivo, presente, talvez consigamos resgatar o brincar no contexto escolar, entendendo que brincar e aprender podem estar entrelaçados.

Enquanto houver livros e pessoas que incentivem as crianças a brincar, é porque elas ainda brincam. Ou, podemos também pensar que enquanto houver vozes insistindo em proibir que as crianças brinquem, ainda resta esperança: é porque elas ainda brincam. Se a brincadeira desaparecer, desaparece também a infância,  e junto com ela a humanidade.

Isso nos lembra Eduardo Galeano:

Na parede de um botequim de Madri, um cartaz avisa: Proibido cantar. Na parede do aeroporto do Rio de Janeiro, um aviso informa: É proibido brincar com os carrinhos porta-bagagem. Ou seja: ainda existe gente que canta, ainda existe gente que brinca. (Galeano: Livro dos Abraço)

(*) Angela Borba e Maria Inês Delorme


 

Brincar e aprender

POR ANTÔNIO GOIS | 19/08/2019 04:30

 

“Deixe as crianças brincarem”. Esse é o apelo feito pelos educadores Pasi Sahlberg e William Doyle, em livro que acaba de ser lançado, com esse título, nos Estados Unidos. Sahlberg é um finlandês que foi professor visitante em Harvard. Escreveu vários livros sobre o sistema educacional de seu país, na época em que ele atraía maior atenção no mundo inteiro, por seus bons resultados no Pisa. Doyle é americano e fez o caminho inverso: mudou com a família para o país nórdico, onde hoje é pesquisador na Universidade da Finlândia Oriental.

O argumento central do livro é o de que, para realmente aprenderem o que precisam para seu desenvolvimento pleno, crianças e jovens precisam de tempo para brincar. É desta forma, segundo os autores, que as crianças exploram, descobrem, fracassam, acertam, socializam e florescem: “É a chave para dar aos alunos habilidades que precisam para ter sucesso, como criatividade, inovação, trabalho em equipe, foco, resiliência, expressividade, empatia e concentração”.

Sahlberg e Doyle listam experiências bem-sucedidas em conciliar brincadeira e aprendizagem em países tão diferentes quanto Finlândia, China, Singapura e Estados Unidos, e citam pesquisas acadêmicas que reforçam a importância de garantir espaços para a brincadeira na educação. O livro é também uma crítica direta ao sistema educacional americano, que, na opinião dos autores, caminha na direção contrária, ao apostar na cultura de testes padronizados e de pressão por melhores resultados nessas avaliações, o que levou, em algumas escolas, à diminuição no tempo de recreio e de atividades esportivas e artísticas.

Não é de hoje que a imagem de um sistema educacional opressor que retira das crianças seu direito de brincar e sua alegria é muito presente nas críticas de uma parcela expressiva de educadores no mundo. Há, porém, outro campo de pesquisadores que, especialmente no caso da primeira infância, fazem uma ponderação em sentido inverso: principalmente para famílias de menor nível socioeconômico, é fundamental apostar desde cedo em intervenções pedagógicas que potencializem o aprendizado futuro.

Como consenso em educação é algo raríssimo, muitas vezes os debates opõem grupos que se acusam mutualmente de prejudicar as crianças: ou por terem uma visão demasiadamente romântica que gera imobilismo e reforça desigualdades, ou por considerarem que uma abordagem excessivamente utilitarista limita o potencial dos alunos e atenta contra um direito tão básico quanto o de brincar.

É claro que entre um extremo e outro há uma imensidão de tons de cinza. Se o que importa é apenas deixar as crianças brincarem livremente, o exagero de um lado pode levar ao questionamento de por que deveríamos nos preocupar com a (tão necessária) qualificação e remuneração dos professores dessa etapa. Por outro lado, negar o direito e a importância das brincadeiras para a aprendizagem é ignorar um conjunto sólido de evidências nessa área.

O grande desafio é achar o equilíbrio que permita conciliar esses dois direitos tão básicos: o de brincar e o de aprender.

(O Globo digital)

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