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Redes de apoio às crianças e famílias: afetos e cuidados partilhados.

(*) Papo de Pracinha

texto_proprio Redes de apoio são grupos de pessoas com disponibilidade interna para ajudar as famílias e as suas crianças, em geral, sem envolvimento de pagamento em dinheiro. Essas redes em geral são formadas para o enfrentamento de situações cotidianas adversas e nada têm a ver com serviços institucionalizados, com ônus financeiro, que  ofereçam atenção e cuidados para os horários alternativos à escola.

Há famílias que têm redes de apoio montadas quase naturalmente, no prédio onde moram,  com vizinhos em momentos de vida semelhantes. Há redes muito atuantes em comunidades periféricas e em favelas, onde a vizinhança oferece alimentos e cuidados às crianças de famílias conhecidas, sob acordo mútuo onde uns fornecem mantimentos, outros pagam o gás e a pessoa que  cozinha e que dá almoço às crianças tem como pagamento a garantia do próprio alimento e de sua criança.

Redes de apoio podem ser formadas por mães amigas (por que não por pais?), com filhos/as em idades próximas para ajudarem-se eventualmente ou, também, em dias da semana pré-determinados, sem ônus financeiro. Em geral, há um sistema de rodízio, considerando-se as demandas de modo equilibrado para todas e, assim, são organizadas as parcerias.

Com a vida cada vez mais complicada para famílias e crianças, ter uma rede de apoio pode ser uma solução para muitos. E, como uma rede afetiva e cuidadora não se monta com facilidade, muitas vezes ela não passa de um objeto de desejo para algumas famílias. É comum que essas redes sejam montadas em grupos familiares onde historicamente as crianças já tenham sido reconhecidas, ao longo do tempo, como amadas e pertencentes a todo o  grupo familiar, sem diminuir as funções de pai e mãe. À cada criança que chega é como se o núcleo familiar se fortalecesse e abraçasse a chegada desse novo membro, mesmo quando todos da família trabalham e têm seus compromissos pessoais. São células de apoio ali, prontas para atuar em caso de necessidade ou de desejo. E mais, por amor. Só por amor.

O diferencial dessas redes está na qualidade da relação que se estabelece com as crianças e no tipo de vínculo que, muitas vezes, justifica a participação na rede: uma proximidade identitária e altamente afetiva com as crianças e seus pais. Às vezes são formadas por avós, materna e paterna, uma tia , a madrinha e um irmão adolescente. Às vezes são montadas para apoio e solidariedade apenas para compartilhar o deslocamento das crianças de carro, para casa e para a escola, sob sistema de rodízio entre as famílias, por exemplo.

Em geral, as mães que se sentem sobrecarregadas, quase sempre, são as que mais gostariam de poder contar com uma rede assim. Mas, como em tudo na vida, nem sempre pairam apenas alegria e sucesso, apesar da parceria afetuosa e segura.

Muitas vezes as crianças expressam suas preferências, opiniões e críticas sobre os hábitos e comportamentos desses outros adultos com quem convivem. Vários conflitos podem surgir daí: uns autorizam que as crianças comam chicletes, outros não querem balas nem chicletes. Há adultos e crianças que usam palavrão, outros não.  Há formas de entender as crianças e a educação delas que variam muito, de pessoa para pessoa. Os palpites e as comparações podem ser exagerados e gerar aborrecimento, ainda mais quando avôs e avós estão nesse grupo. Não são todos os que acham que sabem mais que as filhas e noras, não são todos que se acham no direito de permitir tudo e de dizer apenas sim para os netos, mas eles existem.

As redes de apoio, ao compartilharem afetos e de certa forma a educação das crianças, mesmo que por curto período de tempo numa semana, acabam criando  uma partilha nem sempre suave de valores e de pontos de vista. As regras são e devem ser as estabelecidas pelos pais, claro, eé necessário aceitar e respeitar as diferenças. Mas nem sempre é fácil.

Ao mesmo tempo, as crianças crescem, se desenvolvem e aprendem a criar laços afetivos mais alargados dentro dessas redes. Elas percebem as diferenças e convivem com elas. Aprendem a confiar e a criar intimidade com tios, primos, avós e amigos, o que é ótimo e nutritivo para suas vidas.

Uma dica? Caso lhes interesse, tente criar uma rede de apoio a partir de valores, pontos de vista e ideários semelhantes, e não, necessariamente, pelos laços de sangue ou familiares. É sempre bom e parece ter menos efeitos colaterais.

 

(*) Angela Borba e Maria Inês Delorme

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