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Armados ou amados? Ainda sobre a escola de Suzano.

(*) Papo de Pracinha

texto_proprio Julia de 7 anos pediu aos pais para ir ao cinema, num shopping carioca, junto com a  família da sua  amiga Lara, da mesma turma da escola.  A família de Lara foi buscar Julia em casa e, ali na porta, na rua, os pais de Julia notaram uma arma na cintura do pai de Lara, sentado e ao volante do automóvel. Susto, constrangimento e dúvida. Como assim, nossa filha, Julia, deve ir ao cinema com a família da Lara estando o pai dela armado? O que fazer? Como agir?

Algumas perguntas para nossa reflexão :

  1. O que faz com que o cidadão comum precise cuidar de sua segurança pessoal e familiar comprando e portando suas próprias armas?
  2. As nossas crianças estão mais seguras quando há adultos com armas “protegendo-as”? Diante de situações–limite, traumáticas e  violentas (tragédias e massacres) a que todos estamos expostos, dia-a-dia,  reagir e enfrentar , usando arma, garante “proteção e segurança”?
  3. Como se reduz a violência num país? Armando a população?
  4. No caso de instituições  de educação , que recebem diariamente crianças e jovens, a segurança e proteção deles deveria ser feita por polícia armada, dentro do espaço escolar?
  5. Professores armados em sala de aula e nas escolas, por exemplo, são boas alternativas como prevenção à violência? Como um cidadão comum, sem poder de polícia, deve enfrentar situações extremas e  violentas?
  6. Seria a escola, de qualquer nível, um espaço onde devessem circular pessoas armadas, mesmo que fossem policiais, cotidianamente?

Voltando ao impasse dos pais da Julia, no caso de haver um tiroteio no cinema ou no shopping, eles tentavam pensar sobre como agiria o pai da Julia? Qual é a profissão dele? É um homem impulsivo,  conciliador ou bom de briga?

Pode-se afirmar que a segurança individual e coletiva deva ser garantida pelo Estado e não por cada um de nós, ricos ou pobres mortais. Vários motivos “multifatoriais” podem fazer com que o governo de um país alimente o armamento da população civil, inclusive interesses comerciais. As causas da violência também são complexas e multifatoriais, e precisam ser enfrentadas.

Como um exemplo, em 1997 na  Escócia , quando houve um massacre de 16 crianças e de uma professora, o Reino Unido reviu suas leis e criou mecanismos proibindo porte e uso de armas. No Brasil, mais de 20 anos depois disso, a tragédia ocorrida na Escola Raul Brasil, em Suzano, fez com que alguns políticos e representantes do governo, desinformados e que pouco ou nada entendem de Educação, nem de Segurança Pública, cogitassem que se lá houvessem adultos armados a tragédia pudesse ter sido evitada, ou minimizada. É de arrepiar! É de doer!

Os pais de Julia, professores, decidiram ali, muito impactados, dizer que sua filha não iria mais passear com a Lara: eu sou professor e desconheço a sua profissão mas,  para nós , as armas devem ser outras: educação, saúde, emprego, casa para morar, igualdade de oportunidades, boas leituras, respeito e amor.  Somos contra o armamento da população e ensinamos à Julia que em caso de violência e também de paz, o importante é se proteger, não atacar, nem revidar e sobretudo amar e ser amado, não armado. 

Viva a família da Julia que sabe de seus deveres, dos seus limites e responsabilidades. Eles colocaram com coragem e respeito o seu ponto de vista, e com isso ensinam à filha e aos amigos da filha o que pensam sobre a vida, o amor à família e a todos os outros.  E o pai da Lara, que se calou naquele momento, será que refletiu sobre o ocorrido?

Para concluir, esse caso ocorreu e foi contado aqui com as adaptações necessárias em respeito aos envolvidos e, apenas com a intenção de que o fato ajude pais e professores a se fortalecerem, a serem críticos – cuidadosos e nada negligentes.

(*) Angela Meyer Borba e Maria Inês de C. Delorme

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