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Sobre ler para as crianças

(*) Papo de Pracinha

texto_proprio O Papo de Pracinha acredita na importância de as crianças tomarem contato com livros, fantoches, bonecos para crescerem ouvindo histórias encantadas. Boas histórias são como tapetes mágicos, levam as crianças para outros mundos: castelos, cavernas e para as nuvens.

Por isso, compartilhamos aqui um artigo publicado em 23/10/2018 na Revista Crescer, escrito pela jornalista Aline Dini sobre a importância das histórias infantis e como é possível contá-las de vários modos. A contadora de histórias Kiara Terra, que se apresentou no Festival Crescer,  de 2018, dá varias a dicas para pais e educadores.


6 dicas que vão ajudar você a contar histórias aos seus filhos

A aclamada contadora de histórias Kiara Terra divide um pouco da sua experiência nesses 20 anos de estrada e garante: “Contar histórias é bom para o vínculo entre filhos e pais, aumenta o repertório da criança e a faz conhecer um mundo novo”

Por Aline Dini – atualizada em 23/10/2018 16h13

Conta mais uma? Essa é a pergunta que dá vontade de fazer depois de ouvir Kiara Terra com suas histórias cheias de vida, sons e movimento. E não são  as crianças que se sentem assim! Quase dá para sentir o cheiro da comida de suas narrativas colaborativas e fica muito fácil se enxergar em seus personagens criados a partir de objetos não estruturados. Na história aberta tudo pode acontecer, à medida em que as crianças mergulham naquela fala e ajudam a construir o novo roteiro durante as interações recheadas de referências do cotidiano das famílias.


O encantamento que a celebrada contadora de histórias nascida em Fernandópolis (SP) causa ao longo desses 20 anos de estrada é resultado da paixão pela arte e do estudo. Desde os 3 anos de idade Kiara gostava de inventar palavras novas e sempre que era questionada sobre “o que quer ser quando crescer”, a resposta estava na ponta da língua: contadora de histórias. E assim aconteceu. Muitas de suas histórias têm um viés biográfico. “Elas são como grandes cartas de amor. Conto parte do que eu vivi, não como uma autobiografia literal, mas com pitadas do que vi”, diz. O mesmo acontece com os livros que escreve e que depois também se transformam em histórias. “Meu primeiro livro a A Menina dos Pais-Crianças, por exemplo, é é uma carta de amor para minha filha mais velha, a Luiza, 15”, diz. 

As histórias “abertas” ou colaborativas, como as contadas por Kiara são, antes de tudo uma ótima maneira de escutar as crianças. “Quando os pais ou professores escutam os pequenos e os olham nos olhos cria-se um vínculo que permite chegar num lugar muito mais profundo e verdadeiro”, diz.

 Como contar um boa história

Para Kiara o que a criança mais deseja é que você conte uma história que mostre sua origem. É um exercício de pertencimento para a criança, justamente por isso elainterrompe tanto. Mais do que a própria narrativa, ela quer saber quem você é. “Contar histórias é, então, criar raízes e fazer com que ela conheça ainda mais as pessoas com as quais convive e a ela mesma.”

Diante de tudo isso, fica o convite para que você conte mais histórias para o seu filho. E se você não sabe por onde começar, Kiara separou 6 dicas que podem ser colocadas em prática agora mesmo:

1. Tire um dia para ir a uma boa livraria infantil e gaste um tempo lá, permita que a sua criança interior fique livre e sinta vontade de conhecer o mundo novamente.

2. Ao fazer a escolha pelo livro, importe-se menos com a faixa etária e mais com o que te encantou. Não se prenda a rótulos ou autores. Passeie entre os livros, deixe-se levar por eles. E tenha certeza: a criança só vai gostar do livro se você gostar. Contar histórias é se apaixonar.

3. Fuja da racionalidade excessiva. Não é um livro que vai ensinar. Não é um pensado, é um sentido que você deve encontrar.

4. Conte a história quando estiver com vontade, com bom humor. A leitura do livro precisa ser uma experiência boa para quem lê e para quem ouve. E não fique preso às linhas: tenha contato físico com seu filho durante a leitura, pegue-o no colo, permita que ele o interrompa quantas vezes quiser. Deixe que ele continue a história, se for o caso. Aliás, não se prenda também à ordem cronológica da narração. Se quiserem começar pelo fim, tudo bem! Se quiserem misturar tudo, tudo bem também! Se o seu filho pedir para repetir várias vezes o mesmo trecho, repita. É dos momentos que mais gostamos que queremos ver o replay mesmo.

5. Atenção ao cuidado excessivo com o livro. Ele tem de ser um objeto acessível, estar à disposição. A criança tem de ter liberdade para dormir com ele, chorar nele, manusear o quanto quiser. O livro só ganha vida quando encontra com a história de quem o pega. E quando um livro te toca é aí que você se torna um leitor.

6. Nunca pergunte o que aquele livro quis passar. Quem passa é ferro! A experiência humana é tão linda que nem sempre ela precisa mostrar uma lição. A boa literatura é aquela onde cabem os indivíduos e não as que explicam isso.

Histórias sem livros

Se, em vez de abrir um livro e contar aquela história para seu filho, você prefere inventar uma, não há problema nenhum nisso. Pelo contrário! As chamadas “histórias de boca”,são tão ricas quanto aquelas que já vem prontas. “Nelas você é que faz o papel de autor, ilustrador, diretor de arte… Divida seu poder criativo com seu filho, mesmo que a história não tenha sentido nenhum e misture elementos diversos. Faça as vocês dos personagens, faça perguntas. Permita-se ter esses momentos com seu filho e com certeza você estará contribuindo para o repertório, vínculo, atenção e percepção que ele está construindo”, garante a contadora.

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