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Quando crianças e adultos estão juntos, de verdade?

(*) Papo de Pracinha

texto_proprio Foi avassaladora a notícia recente, veiculada pela grande mídia, relatando o caso de uma mãe que se distraiu ao celular, na praia, ficando de costas para a sua criança, que acabou por se afogar. Para nós, de nada adianta apenas montar um discurso de culpa e de responsabilização para essa mãe, pela sua desatenção, mas aproveitar a notícia trágica para pensar.

O uso exagerado dos celulares tem sido um dos maiores responsáveis por acidentes com motoristas de carros, com transeuntes (crianças e adultos), com tombos e pancadas em pracinhas etc. Em todos os casos, não se trata de ser contra o uso do celular, mas de avaliar essa capacidade de “estar nas coisas sem estar de verdade”, seja no restaurante jantando, no carro,  andando pela rua, em casa, próximo dos filhos mas nem sempre junto.

As possibilidades que os celulares mais simples oferecem já são maravilhosas. Tirar fotos, fazer pequenos vídeos, falar e ver alguém em um lugar distante, anotações de compromissos na agenda, mandar recados/mensagens sem precisar telefonar, fazer compras, além de poderem ser feitas  anotações  importantes.  Que tecnologia sensacional para os tempos atuais em que o tempo, exatamente ele, parece ser o que falta a todos. Tempo e também disponibilidade para se doar ao outro, para compartilhar sentimentos e emoções, tempo para não fazer nada e, importante, tempo para estar por inteiro com os filhos. Não falamos apenas pela necessidade de nos darmos por inteiro na tarefa de tomar conta das crianças em casa, nas ruas, nas praças etc. Para além de tomar conta, há uma relação por se construir, uma relação de afetos e de confiança que se nutre cotidianamente pelo contato, que exige quantidade e alguma qualidade de tempo.

Isso implica dizer que as crianças sempre levarão alguns tombos, que vão ralar seus joelhos e que alguns precisarão até de atendimento em pronto-socorro para costurar a cabeça ou para engessar alguma parte do corpo. Isso mesmo, brincar com força e desejo sempre apresenta algum risco e muitas aprendizagens importantes. O que os adultos não podem fazer é colocar nas crianças a responsabilidade pelos cuidados e educação que lhes cabe, permanentes e reiterados.

Nesse caso, não vale ouvir calado,  nem também dizer “que são as crianças que cegam os adultos”! Não é verdade, e cabe aos adultos cuidar, proteger  e educar sempre, todos os dias, o tempo todo. E educar dá trabalho! Como dá!

 

(*) Angela Meyer Borba e Maria Inês de C. Delorme

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