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Pintar um cavalo pode ser “pedagógico”?

(*) Papo de Pracinha

texto_proprio Essa notícia assustadora ocupou a mídia e, com isso, colocou certos pais,  educadores e até mesmo crianças de cabelos em pé. Em algumas mídias, a experiência foi definida como sendo “pedagógica”, já que os adultos responsáveis pelo crime de “maus-tratos” ao cavalo, além de fazerem essa proposta infame às crianças, se justificaram dizendo que “o animal não havia se estressado”.

Não sabemos como é possível avaliar o nível de estresse de certos animais! No entanto, não temos dúvidas de que, além de não haver projeto pedagógico que sustente essa atividade como importante para a vida das crianças, ao contrário, sabe-se que as crianças precisam aprender a respeitar a diversidade e especificidades da vida que acontece no mundo animal, vegetal e mineral.

O responsável pelo marketing da Escola de Equitação da Hípica de Brasília se explica como pode: a tinta é atóxica, não faz mal às crianças e, por isso,  não poderá fazer mal aos animais (sic) e, ainda, que depois o animal seria lavado e a experiência seria anulada, revertida. Lavada.

A Hípica foi notificada pelo IBAMA, diz a notícia, “mas não foi autuada porque só o fará, ou não, depois que o IBAMA avaliar o plano pedagógico que justificou essa iniciativa”.

Não sabemos quais são os saberes, critérios e ferramentas de que dispõe o IBAMA para avaliar um plano pedagógico pensado para crianças. Como professoras universitárias e fundadoras-responsáveis pelo Papo de Pracinha podemos assegurar que não existe uma explicação razoável para que se faça da pele/pelo de um animal uma tela de pintura! Está posto o desafio. Vamos acompanhar e tentar entender que conceito de educação infantil, e também adulta, pode promover esse tipo de atividade, e com que fins, para haver uma defesa pedagógica desse crime.

Pessoas de todas as idades e, principalmente, as crianças precisam se reconectar, se religar à natureza, já que somos, todos, natureza.

A experiências que os adultos propõem às crianças podem ser mais ou menos educativas. No entanto, elas não podem, nunca, escapar de aproximar as estruturas morfológicas da natureza como a água, o fogo, as flores, os animais, os ciclos da vida, os dias e as noites, etc. da estrutura da própria natureza humana. Espera-se que uma ação educativa cumpra, de alguma forma, também essa função.

Há artistas e pintores sensíveis que pintaram cavalos, como Picasso (1881-1973) autor da obra “Cabeça de Cavalo”, como um esboço para ‘Guernica’, em 1937. Portinari  (1903 – 1961),  um dos pintores brasileiros mais famosos, pintou muitos cavalos. Teruz (1902-1984) foi outro grande pintor brasileiro apaixonado por cavalos e famoso por isso. Em telas, com suas tintas e pinceis, os cavalos têm asas, têm cores e expressam as almas, os corações e técnicas de pintura de cada artista. Essas obras podem ser vistas em museus e em exposições de arte. Não seria melhor ter ido a um desses espaços com as crianças?

Matéria no site do G1: Crianças pintam e rabiscam cavalo em atividade na Hípica de Brasília.

 

(*)Autoras: Angela Meyer Borba e Maria Inês de C. Delorme.

Foto: Ana Paula Vasconcelos/Arquivo pessoal

1 comentário em “Pintar um cavalo pode ser “pedagógico”?

  1. Lucia Marques

    Não. Alguns já sofrem nos arreios, nas carroças, e agora mais essa: serem utilizados como telas. O respeito à vida está nos nossos gestos de respeito ao que tem vida!

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