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Atenção, atenção: crianças estão sofrendo e estão tendo seus direitos violados.

Foto: NationalNursesUnited/Twitter

(*) Papo de Pracinha

texto_proprio A gravidade do que vem acontecendo com crianças e famílias que buscam refúgio em países da Europa, e também nos Estados Unidos, nesse momento, em nome de uma nova vida vem exigir uma posição do Papo de Pracinha e uma mobilização humanitária generalizada em nome do respeito pela vida delas.

A questão é dramática, desrespeitosa e aviltante em relação às crianças que estão tendo seus direitos violados, hoje, também, na América do Norte. Elas estão sendo “enjauladas”, silenciadas e invisibilizadas em nome de uma política desastrosa da Casa Branca, do presidente Trump.

Assim, iniciamos uma série de textos para fortalecer nossas reflexões e a nossa luta, para ser possível enfrentar a barbárie a que vem sendo submetidas às crianças, na tentativa de protegê-las e de garantir o que lhes é de direito.

Iniciamos esse ciclo de reflexões com o jornalista Hugo Souza, que escreveu essa matéria para Opinião & Notícia, por ocasião do Dia Mundial dos Refugiados.


Alan Kurdi manda lembranças ao ‘canil’ de crianças no Texas

Situação de crianças que buscam refúgio na Europa não é de fazer inveja a los niños engaiolados por Trump

Quando começaram a correr o mundo as imagens de crianças mexicanas trancadas em “canis”, chamando por mamá papá, algumas chorando porque, ainda sem saber falar, chamavam pelo leite materno, o governo da França, por meio de seu porta-voz, Benjamin Griveaux, disse que não gostaria de ver repetidas na Europa cenas como essas do sul do Texas, na fronteira dos EUA com o México, e que a Europa e os EUA não têm o mesmo modelo de civilização.

Ainda na semana passada, porém, a organização Oxfam divulgou um relatório acusando a polícia da França de prender, espancar e abusar física e psicologicamente de crianças migrantes na região da fronteira com a Itália.

Segundo informações reunidas pela Oxfam, a polícia francesa vem obrigando migrantes asiáticos e africanos a fazerem o caminho de volta para o território italiano, um percurso de cerca de 10 quilômetros, muitas vezes debaixo de chuva ou de sol inclemente. A organização cita um caso em particular: o de uma mulher da Eritréia “convidada” a fazer a caminhada carregando um bebê de 40 dias no colo.

A atitude da polícia francesa não tem respaldo nem na lei francesa nem na legislação da União Europeia, o que significa uma diferença fundamental em relação ao que acontece na fronteira EUA-México enquanto política da Casa Branca passada no papel. Mas, na Europa, na prática, as condições dos refugiados em geral, e das crianças refugiadas, em particular, não são exatamente de fazer inveja a los niños mexicanos trancafiados nas gaiolas de Trump.

Na Itália, por exemplo, as condições de vida dos refugiados são cada vez mais dramáticas. No município italiano de Ventimiglia, por exemplo, perto da fronteira com a França, milhares de refugiados acumulam-se ao relento, sem espaço no abrigo de Roja Camp, criado nos arredores da cidade, sem acesso a água potável ou aquecimento, o que “empurra” muitos deles a tentar melhor sorte na França, onde têm encontrado aquelas “boas vindas” dos guardas de fronteira.

Também na semana passada, o novo ministro do Interior e vice-primeiro-ministro da Itália, Matteo Salvini, proibiu o navio Aquarius de aportar no país. A bordo estavam 630 migrantes “ilegais” resgatados no Mediterrâneo, entre eles sete crianças menores de cinco anos, 32 crianças com idades entre cinco e 15 anos, e 61 na faixa etária do 15 aos 17. Dias antes, Salvini disse assim, à moda Trump, sobre a complexa questão migratória na Itália e na Europa: “A festa acabou. A Itália não será mais um campo de refugiados da Europa”.

Na última segunda-feira, 18, Salvini anunciou a intenção de tomar as digitais de adultos e crianças ciganos que vivem na Itália, com a finalidade de iniciar um amplo processo de expulsão. “Infelizmente, teremos que manter os ciganos italianos, porque não podemos expulsá-los”, disse ele, ressuscitando na Europa, dessa vez sim, como política de Estado, passada no papel, o fantasma do recenseamento e deportação em massa sob critérios raciais.

A situação das crianças migrantes/refugiadas é particularmente dramática na Europa Oriental, onde chegam fugidas da desgraça no Afeganistão, Paquistão, Síria e na Palestina. Na Sérvia, por exemplo, há várias denúncias de expulsões coletivas e uso de violência por guardas de fronteira, inclusive contra crianças desacompanhadas. Na Sérvia e na Macedônia milhares de crianças vivem em campos de refugiados improvisados, em barracas. À Bulgária chegaram 2.750 crianças desacompanhadas em 2016. A maioria delas são “acomodadas” nos “centros de recepção” junto com adultos, ficando sujeitas a toda sorte de abusos, inclusive sexuais.

‘Filhos da esperança’

Na Bósnia, um drama adicional são as minas terrestres que sobraram da guerra que terminou em 1995. Entre 2014 e 2016, mais de 10 mil crianças migrantes desapareceram na Europa, a grande maioria nos Bálcãs. A grande maioria delas, provavelmente, caiu nas mãos de “traficantes de pessoas”, esses grandes farejadores, talvez “empreendedores”, das oportunidades de negócio que pintam por tabela, por conta da desordem mundial e das políticas de “gestão de refugiados” do “mundo civilizado”. Traficantes que, além de fazer às vezes de “despachantes” da “crise migratória”, como os “coiotes” na fronteira das Américas, carregando gente escondida em caminhões freezers ou em balsas ordinárias, também atuam no ramo de escravos, inclusive sexuais.

De volta à Europa Ocidental, na Alemanha, a coalizão que sustenta o governo de Angela Merkel deu prazo de duas semanas para a chanceler rever sua política de portas abertas, ou Horst Seehofer, ministro alemão do Interior e líder da União Social Cristã, começará, por conta própria e mui cristão, a barrar requerentes de asilo na fronteira.

No Reino Unido, o conhecido radialista e apresentador de TV Joan Gaunt publicou um artigo nesta semana elogiando a política migratória de Trump e conclamando a Europa não deixar que pessoas possam viver no continente “só porque elas querem melhorar suas vidas economicamente”, e exortando os sírios a que voltem para a Síria, “para lutar por seu próprio país”. Mesmo com Assad, agora, expulsando de suas casas dezenas de milhares de moradores de regiões rebeldes.

Em informe publicado em maio, o Unicef aponta que há hoje mais crianças refugiadas na Europa do que em qualquer período desde o final da Segunda Guerra Mundial: “na Grécia e em outros lugares, as crianças estão presas em centros de trânsito de refugiados, incapazes de buscar asilo ou de alcançar suas famílias que vivem legalmente na Europa”.

“As crianças são crianças em primeiro lugar. Não importa de onde elas vêm ou para onde vão, todas as crianças merecem amor, um lar seguro e esperança de um futuro feliz”, diz o informe do Unicef, que pede aos britânicos que pressionem o ministro do Interior do Reino Unido, Sajid Javid, que é filho de paquistaneses, para que seja revista a legislação do país sobre a reunião de famílias de refugiados. Atualmente, a lei não considera “da família” seus irmãos, avós, tias ou tios.

No filme “Filhos da Esperança”, de 2006, é a “crise de infertilidade”, em vez de migratória, que ameaça o futuro da civilização. Apesar disso, os londrinos entram e saem das estações do metrô sob os olhares e choros de imigrantes ilegais enjaulados nas ruas, porque o país foi transformado em um Estado policial graças à paranoia anti-imigração. Não há crianças nas gaiolas, como há agora mesmo no Texas, como que a vida indo de forma inimaginável além da arte, por assim dizer. Isso porque, em “Filhos da Esperança”, o último bebê de que se tem notícia no mundo inteiro nasceu 18 anos antes. A única mulher grávida na face da Terra está justamente na Inglaterra, e é uma imigrante africana ilegal…

Nesta quarta, 20 de junho, Dia Mundial do Refugiado, o jornal britânico Guardian publicou um suplemento de nada menos que 56 páginas, com os nomes de nada menos que 34.361 pessoas, gente, seres bem humanos – “vidas desperdiçadas”, como disse o sociólogo polonês Zigmunt Bauman -, que morreram tentando chegar à Europa desde 1993. Muitas dessas vidas que se foram eram vidas ainda começando: eram crianças.

A Trump, mas também à União Europeia ora muito empenhada, muito pragmática, muito legalista para conter a “crise migratória”, Alan Kurdi manda lembranças. Trata-se do menino sírio nascido em 2012 e encontrado morto três anos depois, em 2015, numa praia da Turquia. Uma das muitas crianças da lista do Guardian. Na época, dizia-se que a imagem chocante do pequeno Alan todo arrumadinho, como que dormindo na areia, mas cheio de água nos pulmões, teria o efeito de mudar o tratamento dispensado pelo “mundo civilizado” aos deserdados da terra, cujos desastres em muito podem ser colocados na conta da geopolítica, a política precisamente do “mundo civilizado”. Tudo iria mudar. Pois sim.

 

Foto: NationalNursesUnited/Twitter

Matéria disponível no site Opinião & Notícia.

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