Escola e educação Uncategorized

Desprincesar as meninas: como assim?

(*) Papo de Pracinha

texto_proprio Foi criada no Chile uma escola para DESPRINCESAR as meninas com o objetivo de “acabar com o estereotipo da mulher e empoderar as garotas”.

Antes havia sido criada em Uberaba (MG) a Escola de Princesas que chamou atenção em todo o Brasil, com  filial em São Paulo, para “ensinar etiqueta, culinária e organização de casa a meninas de 4 anos”.

Para desprincesar, claro, é primeiro necessário saber o que é, e como se aprincesa uma menina. E, também, quem faz isso, em nome de quem e para quê?

É importante, ainda hoje, lembrar do óbvio – o estímulo ao consumo desenfreado, à uma produção doméstica de celebridades e a um endeusamento às vezes exagerado dos filhos, por parte de seus próprios pais, acaba jogando sombra sobre os olhos dos adultos que, tanto quanto as crianças, são pautados pela mídia.

Vestir-se com a roupa de super-heróis e de heroínas, ser um herói, um rei ou rainha, ter superpoderes etc., faz parte do pensamento mágico que embebe as infâncias do que é fantástico e de elementos imaginários que são imprescindíveis para que se desenvolvam plenamente.

No entanto, já ao acordar, vestir sua criança de princesa, ir para o parque ou para a escola como se o fosse, estimular que ela crie uma relação com outras crianças e com o mundo como se houvesse uma superioridade intrínseca no seu ser, por ter nascido princesa, ou seja, filha de uma rainha como costuma ser a “sucessão de poder no reino”, pode ser demais. Não sabemos como se pode ensinar a uma princesa a cozinhar, a organizar a casa nem a ter bons modos, em pleno século XXI, embora exista quem se proponha a isso. Pode ser prejudicial para a vida das crianças, pode produzir frustração e dor.

E pior, mais uma vez em nome de um conceito ultrapassado de “fragilidade feminina”, famílias investem numa educação voltada para os afazeres domésticos como prerrogativa feminina, em corpos infantis que devem ser padrões de beleza (sic), em serviços em manicures e salões de beleza, em roupas caras, em maquiagem e em futilidades que não enriquecem a vida das crianças, sejam elas meninos ou meninas.  A quem esse comportamento vem atender?

Para concluir esse convite à reflexão, gostaríamos de lembrar que, mesmo antes de a televisão e de a indústria popularizarem e materializarem os heróis e as princesas, para serem acessados com o verbo TER,  as crianças sempre souberam experimentar esses papéis mágicos da mitologia, dos contos de fadas e das histórias de encantamento; elas sempre puderam SER mocinhas e bandidos, heróis e vilões, enquanto brincam e fantasiam. Desde sempre.

No mais, os adultos não precisam entregar nas mãos das crianças apenas as roupas e os adereços prontos para serem “vestidos”, junto com comportamentos previstos para elas. As crianças gostam de criar personagens, roupas,cenários e textos a partir da sua própria imaginação, aquela que transcende e que favorece o resgate de emanações mais profundas de consciências, tateamentos, pulsões e sensibilidades. Nada disso encontra lugar em fantasias vendidas no atacado como um kit, que pode ser encontrado nas grandes lojas do ramo, ou até mesmo pela internet.

Vamos convidar as crianças para participar da elaboração de fantasias, máscaras, cenários etc. a partir de tecidos, cola e papel, por exemplo, para que o pensamento delas possa voar livremente? Elas amam.

 

(*) Autoras: Angela Meyer Borba e Maria Inês de C. Delorme

0 comentário em “Desprincesar as meninas: como assim?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: