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Os “TerribleTwos”: comportamentos antigos com roupa nova.

(*) Papo de Pracinha

texto_proprio Não faltam julgamentos e rótulos usados para a vida de crianças e jovens durante suas vidas. Crianças podem ser chamadas de tímidas, agressivas, bichos-do-mato, mimadas, manhosas etc. Quando jovens, podem ser chamadas de aborrescentes, preguiçosas, arrogantes, rebeldes, bagunceiras, etc. Sempre são os adultos que nomeiam e rotulam suas crianças/seus jovens, no sentido de enquadrá-los em modelos que expressam tanto suas óticas autocêntricas, quanto suas expectativas em relação aos filhos, sejam eles seus meninos ou meninas.

Nos últimos anos temos observado o uso de uma nova expressão por parte de mães e pais de crianças pequenas _ “os TerribleTwos (TT)”, para se referir aos dois anos como uma idade turbulenta, complexa para crianças e pais, como acontece na adolescência com os jovens.  Encontramos a expressão “primeira adolescência” e também “a adolescência dos bebês” para explicar os “terribletwos” que, por si sós, são expressões carregadas de sentidos, nem sempre positivos. Sabe-se que crianças são perguntas, portas e janelas para o mundo, novidades, e não apenas repetidoras do que foram seus pais, nem também parecidas porque têm uma mesma idade. Irmãos gêmeos, mesmo univitelinos, são diferentes entre si, mesmo que os adultos tentem vê-los como iguais.

Para entender melhor o que são os “terribletwos”, fomos buscar artigos, e um resumo é apresentado aqui para refletir sobre seu significado e as implicações.

  1. “Crianças são todas iguais, só mudam de endereço”.

Essa afirmação não é verdadeira. Embora elas passem por “fases ou etapas” semelhantes no caminho do nascimento à idade adulta, a vivência de cada uma dessas fases se dá de modo muito peculiar e subjetivo para cada criança. Assim, pode-se garantir que nem todas as crianças se enquadrarão com a mesma intensidade nos “terribletwos”.

  1. “Meu bebe não é mais doce e obediente como era antes! “

É possível e bem verdadeiro. O período de abrangência dos TT vai de um ano e alguns meses aos três anos de vida da criança(?).  Nesse período, a criança se diferencia de sua mãe, passa da posição de bebê (deitada, de bruços e de gatinhos) e passa a andar, livremente; as experiências se qualificam pela possibilidade de explorarem o mundo com olhos e mãos, ampliando os sentidos. A linguagem se desenvolve e elas começam a poder expressar desejos, preferências, “quero e não quero”.  Crianças não são espelhos dos pais, e nem sempre são doces, ternos e obedientes.

  1. “Tenho vergonha quando ele se joga no chão na frente de todo mundo no supermercado”

É difícil para os pais que sentem a ameaça de serem avaliados pelo entorno. Crianças pequenas choram com o corpo todo. Elas buscam fazer com que os adultos satisfaçam seus desejos mesmo quando estes não são claros nem para elas, às vezes fugazes e até contraditórios.  Adultos que dizem SIM para seus filhos, sempre que é possível, e NÃO, quando é necessário, em geral, criam relacionamentos menos manhosos, menos birrentos e, dessa forma, a raiva, a manha e a birra não chegam a se estabelecer como “a linguagem usual da criança com seus pais”. A birra e a manha podem não ser entendidas nem aceitas como uma linguagem pelos adultos, e não faltam alternativas seguras e afetivas para mudar isso .

  1. “Não adianta conversar, não conseguimos dialogar nesses momentos”

De verdade, é difícil que uma criança com dois e até três anos seja capaz de resolver seus conflitos com diálogo. Esse é um caminho a ser construído e vale confirmar: “quando você quiser conversar, eu estou aqui” enquanto a criança se debate e grita. Eventualmente elas estão com sono, cansadas e choram por não conseguirem nem mesmo nomear seus próprios sentimentos.

  1. “Tudo ficou horrível quando ele entrou nos TerribleTwos! “

Em todos os artigos consultados, essa expressão em inglês se mostrou mais eficiente para dar um apoio aos adultos, pais e mães, para fortalecer os adultos no sentido de aceitarem as manhas e birras de seus filhos do que para qualquer outra coisa. Para encher de paz seus corações ao anunciar: “seu filho é normal, todos passam por isso”. É como se, sob a roupagem dos “terribletwos” ficasse mais fácil para os adultos entenderem certas “impertinências infantis”, como uma tendência comum a quase todas as crianças. Sim, crianças são impertinentes, elas não cabem nos enquadramentos que criamos para elas, mas sempre o foram. Isso não é novo, e ainda bem que elas conseguem dizer, do jeito delas: estou aqui! Sou eu, não você!

Há certos comportamentos infantis comuns, mais ou menos intensos, que variam de criança para criança (que dependem, também, da relação que ela estabelece com os seus adultos de referência), e que aparecem quando as crianças vão se percebendo como sujeitos de ação, de desejos e que têm voz própria. Nem todas as crianças são terríveis, nem todos os adolescentes aborrecem e podemos dizer que,  quando os adultos trabalham com essas expectativas, mais difícil fica para que elas descumpram esses papéis pré-estabelecidos para elas.

Isto posto, o Papo de Pracinha vai enfrentar  “as manhas e as birras infantis”, em artigos que por hora ainda estão no forno. Não percam!

 

(*) Autoras: Angela Meyer Borba e Maria Inês de C. Delorme

1 comentário em “Os “TerribleTwos”: comportamentos antigos com roupa nova.

  1. Pingback: Alguns caminhos para enfrentar a birra das crianças

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