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Inclusão é um Direito!

(*) Papo de Pracinha

texto_proprio O que é inclusão? Pergunta a criança de 6 anos. Levando em conta o interesse desse menino por futebol, dissemos a ele que inclusão era uma palavra que vinha de um verbo, que em si é uma ação, uma ação relacionada ao verbo incluir que queria dizer: fazer com que alguém se sinta parte “do seu time”. Talvez tenhamos sido pouco claras, diante da resposta dele. Ele retrucou dizendo que quem manda no time, quem diz quem entra e quem sai não é o próprio time, mas o técnico: a gente não pode escolher os melhores nem os amigos. Tive que reconhecer e mudar a abordagem.

Dissemos para ele, então: Benjamin, a inclusão é uma atitude, algo que a gente precisa fazer; incluir é abraçar, acolher, trazer pra perto da gente, aceitar, respeitar, valorizar e amar.  Agora eu entendi, disse ele, foi isso que eu fiz com meu irmão quando ele nasceu, com o Fubá (o cachorrinho da família) quando ele chegou e com os novos amigos da minha outra escola. Então, perguntei a ele: e esses todos, que você citou, também não lhe acolheram?

Sim. É isso. Receber e abraçar com o coração. Para nós, professores desde sempre, isso não é difícil; ao contrário, é uma ação muito presente e cotidiana. Indispensável, já que “educar” é uma ação estritamente relacional. Sem laços e ligas, nada se processa no professor, nem na criança. Nunca houve grupos homogêneos, de crianças “parecidas” por estarem juntas numa mesma turma, por morarem próximos à creche e à escola ou por terem a mesma idade. Ao contrário, sempre recebemos crianças bastante diferentes entre si, mesmo quando incluídas no padrão considerado “normal”. Ninguém faz amigos, se disponibiliza para conhecer e experimentar coisas apenas dentro de um certo padrão de comportamento e/ou de aprendizagem. É preciso sempre que o professor se deixe conhecer, também, que se deixe tocar e dialogar com sua potência e com a de cada criança, considerando-se as diferenças existentes entre elas. Cada uma é única em sua subjetividade, em sua vida, história e caminho.  Antes de serem respostas e certezas, todas as crianças são perguntas e um mar de possibilidades onde o apoio, o amor e a inclusão, ou seja, sua inserção num grupo familiar, num meio social acolhedor e amoroso nas escolas fará toda a diferença. Sim, “INCLUSÃO SE FAZ COM VÁRIAS MÃOS! ”

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Se as crianças nascem com alguma síndrome, abre-se – diante dos pais, famílias e amigos – uma série de portas, mas que precisam estar abertas. Não se pode educar com certezas, mas com apostas, com perguntas que serão respondidas no percurso.

Para além de serem pessoas com “uma síndrome que tem um nome”, como no caso da Síndrome de Down, eles também trazem em si algo bem maior do que limitações conhecidas, porque são pessoas inteiras, donas de infinitas possibilidades que precisam ser ampliadas, vividas e transformadas em experiências que fazem sentido. Sim, “SÃO 47 CROMOSSOMOS E INFINITAS POSSIBILIDADES. ”

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No último domingo, houve um lindo encontro na praia de Ipanema – O CaminhaDown. Lá, estavam juntas famílias negras, brancas, ciganas (sim, vimos um grupo), diferentes artistas e até alguns equilibrados em pernas de pau, pessoas com maior e menor recursos financeiros, crianças com Síndrome de Down, ou não, todas envolvidas num grande laço de amor e de reconhecimento, compartilhando experiências com sentido para todos. Flávio Canto estava lá distribuindo amor e brincando livremente com aproximações entre judocas, atuais e potenciais, abrindo portas.  Havia música animada ao som do grupo “Na linha do Mar” e do bloco “Me Esquece”, abrindo as portas da música, das sonoridades e dos batuques para unir e animar as pessoas. Todos podiam ver, ouvir e fazer a Dança do Ventre com a Samanta. Os corpos dançavam livres. Lindamente.

Havia água geladinha servida amorosamente pelo povo da CEDAE. Servir água geladinha naquele calorão é um ato de amor, é um abraço.

O Papo de Pracinha esteve lá com duas brincadeiras: uma pintura livre oferecida às crianças, a ser feita sobre uma faixa de tecido onde estavam garantidas as portas e caminhos que desejamos defender, sempre: JUNTOS SOMOS MAIS FELIZES!  E, também com o encanto das bolas de sabão de mil tamanhos e formas, voando livremente pelas mãos da Aline Meira das Bolhas Mágicas. Bolas de sabão, para nós, são como tapetes mágicos que levam as crianças, seus pensamentos e também os adultos para outros mundos, convidando-os a voar, plenos e felizes.

Crianças, voem como as bolas de sabão, venham com tudo, nos seus diferentes tempos.  Desejamos todas as crianças, – com ou sem Síndrome de Down – estejam cada vez mais abraçados por nós, pela sociedade e pelos professores, para que vocês sejam muito, muito felizes.

(*) Angela Borba e Maria Inês de C. Delorme

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