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“Brinquedos do Chão: a natureza, o imaginário e o brincar*”

texto_proprio Com esse título inspirador, o maranhense Gandhy Piorski nos presenteia com sua obra sensível, delicada e competente sobre a defesa das brincadeiras livres e do contato intenso das crianças com a natureza (*Editora Peirópolis,2016).

Gandhy Piorki nasceu em 1971 no município de Codó, no Maranhão e foi registrado Jouberth Ghandy Maranhão Piorski Aires. Sim, ele é nosso, é brasileiro e artista plástico, teólogo e mestre em Ciências da Religião; pesquisador nas áreas de cultura e produção simbólica, antropologia do imaginário e filosofias da imaginação.

Como uma homenagem à sua obra e por identificação com suas ideias o Papo de Pracinha vem convidar a todos para uma aproximação necessária, preciosa, com o autor.

Não conseguiremos chegar nem perto da grandeza do seu livro, que precisa ser lido e relido, digerido e apropriado lentamente para ir sendo ressignificado por cada leitor nesse encontro único que a leitura provoca. Mas, em pequenas pílulas, com muito respeito vamos anunciar algumas das ideias que costuram seu livro.

Como ponto de partida, ele faz a defesa do livre brincar e o contato com a natureza como ferramentas essenciais para o que chama de uma “pedagogia de repercussões internas”, a partir desse mergulho nos sentidos. Desse modo, nenhum ser, muito menos as crianças poderiam se distanciar desse mundo natural e real que é/está sempre conectado com o essencial e o primitivo, embora nem sempre essa conexão seja clara, visível ou valorizada. Assim, a ação da criança sobre a natureza permite a criação do que ele chama de brinquedo livre, aquele que é construído pela criança e que por isso traz em si a própria alma da criança. E nesse percurso, diz ele: toda a gestualidade, todo dizer e toda pausa para um devaneio é também matéria natural e orgânica para os brinquedos do chão. E para todas as brincadeiras infantis, entendendo os gestos e dizeres que às vezes soam desconexos aos adultos, as sonoridades onomatopaicas ou não, os sustos e silêncios como matérias do brincar que constituem um patrimônio de elementos que encarnam as vontades do livre brincar.

O que são os “brinquedos do chão”? Piorski inaugura sua planejada coletânea de livros com o CHÃO como um elemento que rege a Terra (virão ainda os Brinquedos do Fogo, do Ar e da Agua) ao defender que a imaginação telúrica seja a que abre as portas da fantasia, das brincadeiras e das práticas culturais infantis. Telúrica porque envolve o que está relacionado ao planeta Terra e, também, à influência de cada solo, de cada chão de uma região nas pessoas que o habitam.Quantos de nós proporcionamos às crianças que pisem descalças em chãos mais e menos habituais e podem observar o que elas criam e imaginam na relação com cada textura que pode ser pedra, areia, terra, barro, um fundo de rio, madeira, asfalto e por aí vai. E cada textura tem e conta, também, uma história única. Não se pode acreditar que esse contato de crianças com diferentes chãos não seja transformador, desafiador para seus pezinhos e também para o próprio solo onde pisam. Piorski diz que os brinquedos de chão fincam as crianças no mundo e que também as acordam para firmar o mundo em si.   Seria, portanto, essa relação primeira das crianças com o chão e a terra decorrente de acordos nem sempre pacíficos com a realidade, o que “dá corpo” à criação de imagens sobre sua origem e a origem do mundo, do que é oculto e mágico, da solidão e da morte como eternidade.   Os brinquedos do Chão e da Terra nesse diálogo da criança com a natureza, incluem todas as representações e mimeses da vida social. Que, vale dizer, não são cópias dessa vida social mas releituras muito subjetivas, feitas pelas crianças nessa relação com a natureza, com si mesmas e com outras crianças. Aí cabem as cabaninhas, a casinha, a fazenda, os animais construídos, as comidinhas com grãos, pedrinhas e folhas, os carros de boi, de madeira, de vara, de lata, de osso, os materias de modelar e, também, as representações simbólicas de casamentos, de nascimento, de trabalho e beleza, de rituais religiosos e tantas outras coisas que vivem e/ou imaginam.As crianças desejam e precisam ter relações harmoniosas e íntimas do seu corpo com a natureza, o que acaba exigindo, como um requisito indispensável, uma infância livre, com direito ao ócio e às horas livres.       Não por acaso, o Papo de Pracinha vem aplaudir e divulgar o livro do Piorski fazendo um breve convite à sua leitura. Não por acaso, o Papo de Pracinha tem convidado crianças e famílias para romperem com o emparedamento em que vivem e para virem brincar na natureza de comidinha, casinha, fantasias e maquiagens, pinturas e leituras, subidas, descidas, corridas e esconde-esconde. Sugerimos a leitura do artigo Crianças, a Natureza está lá fora! Publicado no site e no livro Infância Fora da Asa.

(*) Autoras: Angela Meyer Borba e Maria Inês de C. Delorme

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