Mães: ágeis, velozes e, às vezes, furiosas.

(*) Papo de pracinha

texto_proprioDevemos ao comércio a instituição dessa e de outras datas festivas que conhecemos hoje. Como mãe é “pau para toda obra”, dona do tal “amor incondicional”, figura complexa e em geral protetora, não dá para fingir que esse dia não exista, ainda que com o cuidado de não resvalar para o toque comercial.

Há aquelas bravas e sem muita memória de que um dia foram crianças e jovens e assim, tentam fazer com que suas crianças sejam adultas e ajuizadas, como ela, desde sempre, e elas fazem tudo isso por extremo amor.

Há as que acompanham o crescimento dos filhos regredindo na idade, buscando ser amigas e companheiras dos jovens filhos parecendo ter quase a mesma idade deles e, nesses casos, seu(s) perfil(is) de mãe, por extremo amor,  fica diluído e as vezes, perdido.

Há outras, as que acreditam saber o que é melhor para seus filhos, em qualquer idade. Orientam, acompanham e, com isso, pensam que têm total controle sobre as ações e escolhas. Por amor, claro. Sempre.

Bem, há também as que se orgulham de serem “pai e mãe”, por amarem intensamente seus filhos, como se isso fosse possível. Certas frases entram nas nossas vidas como se fossem verdades inquestionáveis e, como essa, acabam fazendo com que algumas acreditem ser possível acumular a função materna e paterna em uma só pessoa. Mas, ainda assim, não falta amor.

Há louras, morenas, gorduchas, intelectuais, do lar, depressivas, alegres e de todo o jeito. Mais permissivas e mais autoritárias. Sempre, ou quase sempre por amor elas tentam se manter próximas dos filhos disputando com eles o lugar de raiz, do que lhes sedimenta. Mães sedimentam os filhos, ou vice-versa? Como é isso?

Bem, como mães, precisamos ser generosas com todas as mulheres sem perder de vista que as “mães de verdade” nada tenham a ver com essas “mães de poesia”, sempre generosas, boas, prestimosas, disponíveis, doces e orientadoras sem serem autoritárias. Perfeitas.

A vivência da maternidade é deliciosamente complexa, é incrivelmente difícil e não se repete como fórmula nem na relação de uma mesma mãe com seus diferentes filhos. Cada mãe é uma com aquele filho, não no “tamanho” do amor, mas na vivência desse amor cotidiano que exige atenção total, respeito às diferenças e parceria. É difícil, bem difícil, mesmo quando a tarefa é dividida entre dois adultos, que podem ser pai e mãe.

O que dizer para todas elas na passagem de mais um “segundo domingo de maio”, sem sermos repetitivas, piegas nem cair num lugar comum? Também é difícil.

Bem, as mães de hoje estão muito mais fortes no seu papel. Não se sentem diminuídas ao assumirem “parcerias de casal” com quem dividem medos, preocupações, conduções e também a hora do banho, a ida ao pediatra, a alimentação, os passeios de seus filhos. Aí não cabem competição nem desvalias. As mães sabem dos seus deveres e do que só elas podem fazer, como amamentar e dividem com nobreza a educação dos seus filhos. Isso também é amor.

No mais, ainda vemos hoje que as mulheres continuam precisando tirar coelhos de cartola enquanto giram pratos e malabares para dar conta de tudo e, sempre que possível, com alegria de viver, no rosto e no coração.

A essas e as outras mães guerreiras que, por amor, vão à guerra por seus filhos desejamos saúde, força e alegria. Assim, podemos saber porque nas horas mais difíceis os filhos de todas as idades acabem gritando firmemente por “mamãe”. Eles sabem que estamos por perto, mas precisam lembrar que estamos pertinho também nos momentos de alegria, de vitória e de prazer.

Ser mãe, de verdade, nada tem a ver como “padecer” e nem, muito menos com o cenário de “paraíso”, mas, talvez, sejam merecedoras de aplausos todas aquelas que são verdadeiras, sensíveis, discretas quando necessário e, sobretudo, fortes afetivamente para acompanhar a vida dos filhos sem força, sem a fantasia da onipresença e sem poder. Nós avisamos que era difícil! Viva todas as mães, de todos os tipos! Hoje e sempre.

 

(*) Angela Borba e Maria Inês de C. Delorme

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