Tais e quais: filhos e pais com roupas iguais

(*) Papo de Pracinha

texto_proprio Há lojas especializadas na oferta de roupas iguais para mães e filhas, pais e filhos. Eventualmente vemos famílias com crianças vestidas com o mesmo modelo, tecido e cor que seus adultos de referência, em geral, em situação de festa.

Isso é bom ou é ruim para as crianças? Não podemos dizer que todas elas reajam igual a isso e, também, precisaríamos saber porque os pais optam por vesti-los com roupas iguais às suas. Os desejos dos adultos que estão por trás das decisões sobre o vestuário podem ser mais comprometedores do que o uso das roupas, em si. Podemos garantir que, na maioria dos casos, os ônus dessa estratégia acabem recaindo sobre as crianças. Vaidade exagerada? Valorização dos laços? Importa mostrar o quê, para os outros? Não sabemos.

Será que as crianças percebem e valorizam o uso de roupas iguais às de seus pais?

Sabe-se que a constituição da identidade de cada criança passa por um reconhecimento de si como alguém diferente e único, também em relação aos pais. Sendo assim, embora possamos entender as roupas como um adereço, é preciso pensar no que pensam os pais quando vestem seus filhos como se fossem adultos ou, por um outro ponto de vista, porque se vestem como crianças, já que o vestuário de um e de outro são bastante diferentes.

Uma outra questão se refere a irmãos gêmeos que são vestidos com roupas iguais, o que muitas vezes dificulta até o reconhecimento de cada um, quando são muito parecidos. E há, ainda, aquelas famílias que optam por vestir filhas meninas com roupas iguais e, da mesma forma agem em relação aos filhos homens. Por quê? Para quê?

Bem, os amigos da pracinha pediram para discutirmos esse assunto que poderia, em tese, ser da alçada de cada família, mas que, também, pode expressar alguns desejos, conscientes ou não, desses adultos, que podem acabar por pasteurizar, homogeneizar crianças que são diferentes, embora sejam irmãos, ou pais e filhos.

Escolher a roupa que vestirão é uma questão de honra para a grande maioria das crianças, depois de uma certa idade, e isso acontece cada vez mais cedo. Vemos crianças com dois ou três anos fazendo birra para escolher a roupa que desejam usar. No caso das famílias em que os adultos e as crianças vestem roupas iguais, no mínimo, esses impasses poderão ampliar muito certas questões simples e temporárias na vida delas. Na deles, não sabemos dizer se são igualmente simples e temporárias, parece que não.

 

(*) Angela Borba e Maria Inês de C. Delorme

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