Brincar na natureza: o vento como “alimento de pensar”

Papo de Pracinha (*)

     “Às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido. … Para mim, pensar é viver e sentir não é mais que o alimento de pensar.”

                                                   Fernando Pessoa

1444722355_88A insegurança das ruas, hoje, associada à falta de tempo que submete a todos, faz com que deixemos as crianças em casa, brincando e vendo televisão. Tudo isso pode ser bom para elas, desde que suas vidas não se resumam a isso. Em algum momento elas precisam tomar contato com a natureza, brincar ao ar livre e tomar contato com toda a sua magia.

O vento, por exemplo, é encantador para as crianças porque como algumas dizem “ eu gosto de ventar cabelo, com meu pai, na bicicleta dele”, outras crianças menores gostam de correr atrás das folhas secas que voam ao sabor dos ventos e que dificilmente se deixam alcançar.

Não estamos falando de boas aulas de ciências naturais, nem de aprendizagens escolarizadas, mas de experimentações individuais e coletivas que, quando acontecem ao ar livre costumam acontecer e que convidam a vivências estéticas, sensíveis e sensoriais: sentir o vento no rosto, sentir a força e a direção do vento pelas folhas que voam, pela reação dos pássaros, pela direção e altura das pipas no céu.

Pode parecer ingênua essa defesa, pela poesia que nela está embutida, mas são vivências assim que ampliam a capacidade de entender o mundo, que permitem sentir a grandeza do mundo, que favorecem as descobertas e as invenções.

Um espaço onde crianças soltem pipas ou onde exista “uma biruta” instalada ao ar livre, claro, pode ser alimentador do pensamento: “por que ela gira? Por que ela fica gorda e fica magra? Ás vezes ela dorme. Por quê? Por quê? Por quê?” .

Por isso tudo, defendemos as melhores oportunidades de as crianças terem um contato maior com a natureza, para poderem sentir o vento, interagir com ele e, também, para que alimentem seu pensamento, como defende Fernando Pessoa.

 

(*) Angela Borba e Maria Inês de C. Delorme

Fotos: Luiza Gueiros

2 comentários sobre “Brincar na natureza: o vento como “alimento de pensar”

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