E agora eu era…princesa, herói ou formiguinha?

Papo de Pracinha (*)

1444722355_88 Ser outros, muitos outros: bicho, gente, mau, bom, bonito, feio, herói, bandido, bruxa, fantasma, monstro, adulto, homem, mulher, bebê… Quem não se lembra da magia que é se fantasiar e fazer de conta que somos outros?

Fantasias ajudam as crianças a dar asas a imaginação e  a compor novos personagens e histórias. Experimentando ser outros numa realidade de faz-de-conta, a criança se reconhece e reflete sobre o mundo em que vive, além de inventar outras lógicas, que desafiam o mundo real. A brincadeira de faz-de-conta é um exercício de criação para as crianças.  E não precisamos achar que, se ela está imitando o bandido ou brincando de comidinha, será ladra ou chefe de cozinha, como se a  brincadeira infantil fosse uma preparação para o desempenho de futuros papéis. Ela está apenas experimentando ser outros, sem deixar de ser quem é, vivendo com intensidade o seu tempo de ser criança. Ela está aprendendo a lidar com as emoções, as diferenças, as dificuldades, no espaço protegido da imaginação e da brincadeira.

É comum vermos as crianças fantasiadas de princesas ou super-heróis nas ruas, escolas e festas infantis. Mas é preciso que as crianças também possam ser formiguinhas frágeis, pássaros, gatos ou cachorros, corajosos ou assustados, monstros horripilantes, dragões, bruxos, fadas ou o que a imaginação mandar. Muitos personagens da mídia carregam valores, padrões e regras relativas a gênero, beleza e modos de ser e agir, sobre os quais precisamos refletir.  No mínimo, esses personagens precisam de contrapontos, para que as crianças experimentem outras possibilidades de ser. Defendemos, nesse sentido, que as crianças tenham acesso a literatura, música, cinema, teatro e desenhos animados que fujam desses estereótipos, para que tenham referências culturais diversas, que lhes permitam criar diferentes personagens e histórias, sem ficar presas ao universo pré-estabelecido de um personagem. Nesse sentido, é interessante que as crianças também tenham acesso a fantasias fora dos padrões de consumo e da mídia. Outra possibilidade é criar fantasias junto com as crianças, com máscaras de papel, pedaços de tecidos, adereços diversos, maquiagem, roupas e acessórios de adultos, entre outras possibilidades. Nós, adultos, também nos divertimos nessa brincadeira. Bora lá?

(*) Angela Borba e Maria Inês de C. Delorme

Fotos: Luiza Gueiros

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