As crianças amam fazer comidinhas!

Papo de Pracinha (*)

1444722355_88Não se pode afirmar que todas gostem das mesmas brincadeiras, pois as crianças têm suas preferências. Também é difícil, muitas vezes, encontrar explicações racionais que justifiquem seus desejos.  No entanto, para entender o envolvimento delas em diferentes brincadeiras, podemos levar em conta alguns aspectos que são comuns aos seus modos de brincar, como a curiosidade, a experiência transformadora, as combinações, as descobertas e as invenções.

Terra, água, gravetos, sementes, folhas, pedrinhas, potes variados transformam-se nas mãos das crianças em feijão, carne, arroz e outras comidinhas produzidas e inventadas magicamente por elas, em diferentes contextos imaginários onde servem/comem suas produções: festas de aniversário, casamentos, restaurante, cafés etc.  A criança experimenta texturas diferentes e o poder que tem de, com seus gestos e movimentos, transformar os materiais. Ao jogar água na terra, vê a água “desaparecer” e surgir a terra molhada, material que oferece outras possibilidades de manipulação, assumindo diferentes formas e significados a partir das ações de verter, misturar, enformar etc. Aqui estamos falando do brincar na natureza, em parques, praças e outros locais onde encontramos esses materiais. Mas e dentro de casa, também dá pra brincar de comidinha de uma forma interessante? Sim, podemos permitir às crianças misturar pó de café e água, um pouquinho de leite em pó, arroz etc., em panelinhas, potinhos ou outros recipientes pequenos, para que possam fazer suas misturas criativas, descobertas e invenções de cardápios. Por que não?

Muitas vezes, os adultos impedem esse tipo de brincadeira porque faz sujeira no ambiente, na roupa e até mesmo no corpo da criança. Aqui temos que resgatar o antigo provérbio que indica ser impossível fazer omeletes sem quebrar ovos.  De verdade, poder se sujar ao manipular “alimentos” é parte da vida de quem cozinha, de quem bota a mão na massa. E brincar  de verdade, experimentar os diferentes materiais, sem se sujar, é quase impossível. Para brincar, é preciso ter liberdade de se sujar, se for necessário.

Outra preocupação é quanto à segurança. Fogões acesos, fornos quentes, panelas aquecidas etc. são causadores de acidentes graves e, para preveni-los, procuramos manter as crianças afastadas da cozinha. Talvez esse impedimento seja uma fonte de curiosidade da criança em relação a esse espaço mágico que é a cozinha, onde se produz tantas coisas gostosas! Mas podemos criar o ambiente da cozinha em outros espaços, montando junto com as crianças a sua “cozinha” de faz-de-conta: caixas podem virar fogão, recipientes de plástico panelinhas, pratos, colheres de pau atendem muito bem às crianças.

O Papo de Pracinha defende que as crianças estreitem cada vez mais a sua relação com a natureza, dando-lhes a oportunidade de explorar seus diferentes elementos e com eles fazer suas experimentações e criações. É preciso levá-las para brincar ao ar livre nas praças e nos espaços públicos e deixá-las mexer na terra, coletar folhas, pedras… E, quando estiverem em casa, que tal convidá-las a brincar de forma ativa, criativa, inventiva e imaginativa? Bora lá fazer comidinha?

Boas comidinhas são Papo de Pracinha.

 

(*) Angela Borba e Maria Inês de C. Delorme

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