Pãe nada, eu sou PAI.

1444722355_88Não por acaso meu amigo reclama – sempre cuidei dos meus filhos. Eles ficaram comigo na separação e, ainda hoje eu recebo duas coisas que me aborrecem – presente de dia das mães e, de quebra, o título de “pãe”. 

Todos conhecemos pais e mães que criam ou criaram sozinhos seus filhos, quando não foram os avós, tios e até mesmo irmãos mais velhos. Não somos juízes, vale lembrar e, de certa forma, esse exercício afirmativo de pôr os eventos da sociedade em discussão pode chegar a criar conflitos e duras críticas, quem sabe? É possível lidar com qualquer crítica quando assumimos um compromisso com a vida feliz de crianças.

Para isso, partimos do óbvio. Se criar os filhos com dois adultos no timão, compartilhando os cuidados, a proteção a educação já é extremamente complicado, pode-se imaginar as dificuldades quando há um único responsável pela tarefa inteira. Essa pessoa, para início de conversa, merece um destaque por sua força, compromisso e amor. Sobram notícias de casos bem sucedidos de crianças que vivem ou viveram essa realidade e que são muito felizes, éticos, adequados e criativos. E, como todo mundo, tem lá seus problemas. Normal.

A questão que preocupa se remete à negação da existência e, como consequência, uma desqualificação da mãe, do pai, ou das duas mães, dos dois pais etc. na  vida de sua criança. Nem falamos aqui de alienação parental, mas da invisibilidade com que algumas adultos buscam envolver a figura que se retirou do casal, como se fosse possível deixar de ser mãe/pai. Sempre que há uma ruptura, e na falta de um dos dois, a criança se ressente e caberá a  cada “arranjo familiar” escolher um modo delicado, porém verdadeiro, para dialogar com ela sobre a história dela e de sua família. E parece ser aqui que se situa o aborrecimento do amigo ao ser chamado de pãe, sem que ele ache qualquer graça nesse título.

Até as professoras, com doçura, escreviam no meu cartão que o presente era para o melhor pãe do mundo. Tive que dizer pra elas que eu nunca fui pãe. Eu sou pai e um pai cotidiano!  Adoramos, sem medo de  dizer essa expressão um tanto pleonástica de “pai cotidiano”: ele é pai o dia todo, o tempo todo e pra vida toda. E acha ruim para seus filhos que eles pensem que não têm mãe. Ela é viva, é saudável, inteligente, bonita, só não somos mais casados e ela não vive perto de nós, diz ele.

Na verdade, nesse caso, a mãe teve uma boa proposta de trabalho em outro país, num momento em que o casal já não estava bem e, assim, ela foi para o exterior tendo o pai mantido aqui os filhos, com ele. Nessa circunstância, o pai se preocupava em não perder seu emprego, ele tinha receio de tirar dos filhos a família extensiva (avós, tios, primos), os amigos da escola  e principalmente, temia os eventuais problemas com a perda do domínio da língua materna, em outro país. Para esse pai isso parecia assustador, não para a mãe das crianças o que, associado aos problemas internos do casal, levou à separação e à viagem dela. Resumidamente é isso e com o maior respeito pela mãe, pelo pai e pela decisão do casal, as crianças ficaram com ele, a mãe foi para um país do mundo oriental e todos vivem felizes. Mas o fato de ter a mãe longe não implica a inexistência dela. Eles têm mãe, esteja ela onde estiver.

Apoiamos a argumentação dele no seguinte sentido – qualquer que seja a mãe ou o pai, em qualquer arranjo familiar, essas pessoas têm nome, têm suas histórias e individualidades mas têm, também, compromissos para a vida toda com suas crianças, para o resto de suas vidas. Não se pode aceitar a existência de ex-mãe, ou ex-pai.

Um viva, caloroso aos pais nesse dia que o comércio criou e que nós aproveitamos para jogar luz sobre esse lugar que não precisaria ser justificado – pai é pai, não pãe.

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