Chupeta: sim, não, por quê?

Papo de pracinha com colaboração de Irla Mello (*)

1444722355_88É comum encontrar mães e pais, principalmente os de primeira viagem, com muitas dúvidas em relação à educação do seu bebê, mesmo antes de ele nascer. Assim, com frequência somos procuradas por esses novos pais querendo saber o que pensamos sobre vários assuntos relativos à vida do bebê. Como, hoje, a maioria das maternidades têm um rol de coisas que devem fazer parte da bolsa do bebê, naturalmente são levantadas expectativas sobre o uso de determinadas coisas, e uma delas é chupeta. Nesse viés, dá para entender que pais e mães sejam induzidos a pensar e a responder sobre alguns aspectos para os quais ainda não tinham parado para pensar antes.

Como já dissemos algumas vezes, não se pode garantir que nada que seja excelente para a vida de uma criança, será igualmente bom para a vida de uma outra, com duas nobres exceções, o leite materno e o amor, indispensáveis para todas. O uso da chupeta, portanto, poderia ser incluído nessa mesma lógica.

E então, devo levar chupeta? Nós não gostaríamos que ela usasse chupeta. A chupeta é mesmo um foco de contaminação para as crianças? Se ela usar chupeta, vai ficar dentuça e precisará de aparelho dental, no futuro? Fora pressões mais diretas, como: fale a verdade, você ofereceu chupeta aos seus filhos? Fala, fala!

Defendemos que seja cada bebê quem nos diga se a chupeta será adequada e oportuna, ou não. De forma geral, a chupeta pode funcionar como um alento, como algo que acalma a criança. E nem que fosse só por isso, valeria a pena incluí-la no kit maternidade. Segundo a ortodontista Irla Mello, a chupeta pode ser interessante se houver um uso comedido dela, uma vez que esta não é necessária para o desenvolvimento da criança. Assim, para ajudar a estabelecer esse uso comedido, o ideal é que a chupeta seja usada se ela der conforto à criança.

O ideal é que os pais associem seu uso aos momentos de sono, por exemplo, para não criar o hábito de chupar a chupeta o dia inteiro pois o uso muito frequente da chupeta pode, a longo prazo, causar algum tipo de má oclusão, diz ela.

O que mais podemos dizer sobre a chupeta? Bem, para fortalecer a concepção de que cada criança é um ser único, integrado e diferenciado de todos os outros, nunca se pode garantir que ela vá gostar da chupeta como seu irmão, como seu pai que chupou até os sete anos ou coisa parecida. Vamos procurar “ouvir” o bebê? Ele tem muitas cólicas, chora muito? Aceita a chupeta? Não aceita?

É o bebe recém-chegado, sem saber de nada, quem deverá ajudar pai e mãe a resolver muitos desses impasses. Não é pouco comum que os filhos, às vezes mesmo recém-nascidos, venham exigir condutas diferenciadas de seus pais para questões relativamente simples. O casal pode ser favorável à chupeta, por exemplo, e o bebê pode não gostar de chupar chupetas. Isso vale para a escolha da hora melhor do banho, para a escolha das roupas em função da sensação térmica de cada bebê e para tantas outras coisas. E a criança, como ela é?

Sobre o medo de que a chupeta possa facilitar doenças, porque cai no chão, se mistura com chupetas dos amiguinhos na creche, ou na pracinha etc., isso pode acontecer. Mas isso funciona como qualquer outro brinquedo que vá à boca das crianças pequenas que brincam coletivamente. Dessa forma, a chupeta pode ser um foco de infecção se não for higienizada ou esterilizada de forma correta, bem como os brinquedos e mordedores.

Se a criança for usar a chupeta, diz Irla, os pais devem optar por usar chupetas ortodônticas que possuem uma anatomia que se adapta melhor à cavidade bucal da criança e que, por isso, permitem um maior contato da língua com o palato durante a deglutição.

As crianças que usam chupeta necessariamente ficarão dentuças? Não se pode dizer. O que se sabe é que o uso prolongado da chupeta pode provocar danos ao desenvolvimento da arcada dentária da criança, sem que se possa afirmar que isso será uma consequência óbvia em todas elas. Mesmo assim, para evitar isso, sugere-se o uso da chupeta até no máximo 3 ou 4 anos de idade. Depois dos 4 anos, chupeta poderá causar problemas oclusais, principalmente se for usada com muita frequência. Quando o uso é muito intenso ou prolongado, durante e/ou depois da dentição permanente, a criança pode começar a desenvolver alguma deficiência esquelética e/ou dentária o que torna mais difícil a correção dos danos causados, lembra a ortodontista.

Nós, professoras, devemos respeitar as escolhas das famílias e a orientação dos pediatras sem, no entanto, nos omitir. Assim, ao chegar na creche a na escola, ou quando vão para passear na rua, supomos que a criança não precisará ficar o tempo todo de chupeta, também, porque ela deverá experimentar alimentos, beijar, emitir sons e conversar livremente.

Não podemos esquecer que as crianças são todas muito diferentes umas das outras, o que exige uma parceria de mãe e pai muito efetiva, mas flexível, em respeito ao que elas nos dizem, mesmo antes de falar.

(*) Angela Meyer Borba e Maria Inês de C.Delorme, com a colaboração da ortodontista Irla Mello.

2 comentários sobre “Chupeta: sim, não, por quê?

  1. Angela, não preciso nem dizer que admiro demais sua forma de pensar o desenvolvimento e a educação infantil, preciso? Mas em relação à chupeta faltou considerar uma questão importantíssima: o uso precoce (esse que vocês citam por exemplo de já levar o bico artificial para a maternidade) prejudica a amamentação porque causa confusão de bicos, o bebê tende a preferir a sucção facilitada da chupeta à sucção do seio matero e isso leva ao desmame muitas vezes antes dos 6 meses. Esse foi o principal motivo pelo qual escolhi não dar chupeta pro meu bebê e quando sou questionada como profissional costumo incluir essa variável entre as tantas em torno do uso da chupeta.

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