As festas chegaram: com quem ficam as crianças?

Papo de pracinha (*)

1444722355_88Há festas o ano todo: aniversários de amigos da pracinha e da escola, datas comemorativas nas escolas e nas famílias. Para as crianças que têm os pais morando em casas separadas, essa equação é mais complexa. Não acreditamos em soluções boas e prontas para todas as famílias, mas, apenas, em negociações particulares que resultem de reflexões respeitosas e delicadas entre os adultos que são os responsáveis pelas crianças.

Sempre devemos lembrar que crianças precisam ser amadas e respeitadas como tais e estimuladas a ser, viver e pensar como crianças. Na verdade, para aquelas que têm uma convivência feliz com pai e mãe, nas casas de cada um deles, eventualmente junto com as famílias que vieram a constituir, ter duas casas pode ser até gostoso, valer como um bônus de amor e de segurança. No entanto, nunca podemos esquecer que as que têm os pais separados, muitas vezes, têm a fantasia de que elas foram as causadoras da separação ou, ainda, de que poderiam vir a reunir o casal, mesmo quando não existe mais essa possibilidade.

Quando as crianças são amadas e respeitadas como crianças, elas têm direito a uma convivência de amor com o pai, com a mãe, sem estar envolvidas nos conflitos dos adultos.

As festas de Natal, que mobilizam adultos e crianças, suas famílias menores e ampliadas, geram muita mobilização interna nos adultos e nas crianças. Ter um grupo familiar ou de amigos próximos com quem passar as festas é um ponto importante. Um outro ponto tem a ver com a existência de algum espaço de trocas de presentes que inclui a passagem do papai Noel, à noite, enquanto dormem, para trazer algo que elas pediram nas suas cartinhas. Presentes? As lojas onde foram comprados e os seus preços importam menos, lembram-se?   Um terceiro ponto se refere à cidade em que vivem, que se “enfeita de Natal“ para as festas e constitui, também, espaços que precisam ser visitados e explorados pelas crianças, sempre acompanhadas de algum adulto.

Quando as crianças são amadas e respeitadas como crianças, são os adultos que pensam nessas questões em nome delas, sempre que possível, junto com elas. Como serão a noite do Natal e a espera do papai Noel, onde e com quem ela dormirá? Que alternativas pai e mãe, com calma e respeito por elas, podem estabelecer para que se sintam amadas, acolhidas e presenteadas, sem exageros nem competições?  Momentos de festas “coletivas” em geral carregam o peso de um “balanço de vida” que pode trazer alegria e sensação de prosperidade, ou de frustração e tristeza. Crianças não são felizes sempre, nem todos os dias do ano. Vamos olhar para elas? Pensar nelas? Conversar com elas?

Bem, passear com as crianças pela cidade: de carro, de ônibus, de metrô, de BRT, a pé etc., não apenas pelos shoppings, também pelas casas de amigos e pelas ruas para ver as luzes, as decorações, fortalece a relação delas com os adultos e com os espaços da cidade que também lhes pertencem, embora elas não saibam disso e sejam, efetivamente, tão pouco lembradas pelo poder público. Esses passeios que não têm um bônus imediato, material, nem sempre acontecem. Por quê?

Quando as crianças são amadas e respeitadas como crianças, elas têm voz, têm suas opiniões sobre a família, sobre as festas, sobre a cidade em que vivem. Os pais precisam conversar com elas e escutar com os ouvidos e o coração o que elas pensam sobre a vida delas, seus sonhos, medos e desejos, também sobre as festas, sobre como gostariam de viver essas situações. Já sabemos o mal que fazemos a elas quando, por equivoco intelectual e emocional, criticamos seu pai ou sua mãe, suas novas famílias, pessoas que são e que precisam ser tão nobres para elas. Todos precisam poupar as crianças desses impasses, e isso vale para os avós, os tios e amigos que tantas vezes se esquecem disso.

Enfim, e para concluir, quando se ama e se respeita a criança, cabe buscar como exemplo aqueles pais que conseguem, respeitosamente e por amor à criança, dialogar e estabelecer parcerias em todas as datas, não apenas nas festas de final de ano. Sabemos da experiência de casais que almoçam juntos com suas crianças, ou que jantam juntos, ou que antecipam a festa para reunirem-se em nome do amor e do respeito que têm pelas suas crianças, abrindo mão de seus supostos poderes, de vaidades e de mágoas que não ajudam a vida delas. Isso é amor, isso é respeito, isso traz alegria de viver, segurança, apoio e paz para elas.

Com muito amor e respeito por todos, feliz Natal, do Papo de Pracinha.

(*) Autoras: Angela Meyer Borba e Maria Inês de C. Delorme

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