O que é melhor para seus filhos?

Papo de pracinha (*)

1444722355_88Não é pouco comum ver mães, pais e famílias se sentindo fragilizados para decidir coisas importantes em relação às suas crianças. Como eu percebo isso? Não é difícil diante do número de e-mails, telefonemas e abordagens que recebo de amigos e nos espaços por onde transito: o que você acha sobre o uso da chupeta? E a natação para bebês? A água do banho: quente, morna ou fria? As escolas bilíngues? Castigos, sim, não, a partir de que idade? E tantas outras dúvidas, inseguranças e lacunas que incomodam os corações de pais e mães em busca de respostas. Mas quem tem essas respostas? Onde elas estão prontas e acessíveis?

Assim, preciso evitar sempre ocupar esse espaço que me é oferecido para não agir de uma forma que contraria as minhas raízes, a minha história e as minhas crenças. Ao mesmo tempo, isso não é simples porque não sou um ser sem opinião, alguém que se omite e que pouco se expõe. Portanto, é bem comum eu vir a responder com uma proposta assim: vamos conversar sobre isso? para aceitar dialogar sobre um tema aflitivo sem alimentar crenças fantasiosas. Não acredito que qualquer pessoa, fora do contexto familiar que sustenta a relação afetiva cotidiana, tenha as melhores respostas para a educação de suas crianças. E, junto com isso, eu não acredito em pessoas que se julguem superiores, mais sabidas (isso na nossa sociedade nada mais é do que poder), capazes de solucionar problemas alheios com respostas prontas.

Me pergunto ainda, a quem interessa criar, disseminar e manter essa forma de ver a vida onde, por exemplo, se busque defender um único modo para todas as mães parirem seus filhos, sobre um padrão de amamentação por igual período para todas as crianças que poderia ir de 6 meses a 2 anos, ou pelos primeiros mil dias, como alguns defendem e, ainda, sobre os benefícios e malefícios do uso da chupeta. Dei três exemplos provocadores porque qualquer “estudioso de crianças” poderia responder rápida e genericamente a essas três questões. E eu também, desde que genericamente. No entanto, generalidades não combinam com a mulher, a mãe e a avó que me habitam porque desejo garantir o espaço das subjetividade(s), do que diferencia as pessoas, e isso delicadeza, cuidado e muito respeito.

E, como sempre acontece, mais uma vez o telefone me chama. O meu filho quer fazer uma pergunta em nome da sua amiga do trabalho: mãe, você é a favor de chupeta? Você acha correto as maternidades pedirem às mães que levem chupeta, quando vão ter bebê? E completa a frase dizendo: a minha amiga quer levar chupetas, porque a maternidade pede, mas o marido dela é contra.

Mais uma vez, evito o tom professoral para opinar sobre o assunto e proponho à amiga do filho que converse comigo ao telefone. Quem sou eu para resolver esse impasse entre mãe e pai? O que conheço sobre eles, sobre a vida e os valores deles? Mas aceito conversar.

A primeira observação que me vem à cabeça é que, também entre os casais, mesmo entre aqueles bastante coesos sobre educação de seus filhos, as divergências entre eles tomam corpo como uma briga de poder, entre pai e mãe, sobre o filho.

Uma segunda observação se refere ao fato de as vezes o bebê sequer já ter nascido, para que certos aspectos de sua educação já funcionem como um xeque mate nas convicções de seus pais. Imaginem depois que esses bebes nascerem, se escaparem a todas as previsões feitas por eles e desejar, por exemplo, chupar o dedinho da mão?

De imediato, acende uma luz amarela indicando ATENÇÃO, não vá cair na tentação de responder assim ou assado sem apostar, antes de mais nada, no fortalecimento do casal em questão. O crescimento do casal que gera “empoderamento” do pai e da mãe só acontecerá por meio de partilhas, trocas e negociações entre eles e, desse modo há benefícios para todos: para pai, mãe, para o bebê, para os avós e para o entorno da família. Dar, ou não, a chupeta parece pequeno mas vem convidar o casal a estabelecer um acordo advindo do diálogo, com cumplicidade e a clareza sobre como desejam educar juntos seu filho ou filha. A chupeta pode ser o mote para o início de um estabelecimento de prioridades, de acordos e negociações sobre a vida do bebe que vai chegar. Isso é extremamente importante porque com o casal pode ser favorável à chupeta, por exemplo, e o bebê pode não gostar de chupar chupetas. Isso vale para a escolha da hora melhor do banho, para a temperatura da agua do banho, para a escolha das roupas em função da sensação térmica de cada bebê e para tantas outras coisas. Que tal buscar conhecer as demandas, os desejos e as repulsas que o bebe vai indicar, na convivência com os seus pais?

Vale lembrar que as crianças são todas muito diferentes umas das outras, o que exige uma parceria de mãe e pai muito efetiva, constante e flexível, em respeito ao que elas nos dizem, mesmo antes de falar.

(*)  Autoras: Angela Meyer Borba e Maria Inês de C. Delorme, criadoras do Papo de Pracinha

 

4 comentários sobre “O que é melhor para seus filhos?

  1. Texto excelente! Vivemos procurando respostas. Muitas vezes ouvimos o que todos os profissionais, estudiosos e experientes consideram a respeito de determinado assunto e não ouvimos nossas próprias crianças, que falam conosco por palavras, gestos ou olhares.

    Curtido por 1 pessoa

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